quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Querem enganar quem?


Com muita tristeza (mas, sem surpresa), vejo ex-colegas de Exército puxando o saco dos militares que querem chegar ao poder para "se darem bem" e detonar a nossa frágil democracia. Esses pretendentes ao poder pertencem ao mesmo Exército que, na década de 1980, tinha, entre seus integrantes,  militares que praticavam caixa-dois (superfaturando os gastos com o "rancho" para comprar cerveja e whisky consumidos em recepções de generais e coronéis) e perseguiam os subordinados (eram comuns abusos e desvios de poder, inclusive a tortura de soldados durante treinamentos). 

Dias atrás, o candidato a vice-presidente, general Mourão (que, na minha época de militar, era tenente e capitão), falou claramente em acabar com direitos dos empregados (13º salário, adicional de férias, etc.). Nenhuma novidade! 

O general pertence ao mesmo Exército que, por exemplo, não reconheceu o direito à aposentadoria especial dos funcionários civis dos batalhões de engenharia (inclusive, os do Batalhão Mauá). São trabalhadores, atualmente idosos, que, nas décadas de 60, 70 e 80, se sacrificaram em diversas regiões do país construindo, sob condições penosas e perigosas, pontes, viadutos, tuneis e obras de arte rodoviárias e ferroviárias. Fotos dessas obras magníficas enfeitam gabinetes de autoridades militares, mas os heróis que as construíram nunca tiveram seus direitos reconhecidos.

A mim esses militares não enganam. Eu os conheço de outros carnavais. O suficiente para, inclusive, temer pela nossa democracia.

Nenhum comentário: