sexta-feira, 26 de outubro de 2018

É melhor jair se acostumando com a morte da democracia


Uma democracia se sustenta, principalmente, na observância de regras não-escritas. Uma delas é a tolerância entre partidos (correntes ideológicas). Um grupo político deve ver e tratar os demais como adversários, e não como inimigos.

Essa regra foi quebrada no Brasil. Nos últimos 5 anos, a extrema-direita, uma perigosa mistura entre militares, "religiosos" e grandes empresários, atuou para destruir um dos espectros ideológicos, a esquerda. Reiteradas campanhas de ódio e mentiras (fake news) ecoaram nas redes sociais. Especialmente no WhatsApp, submundo da internet, onde formaram a opinião de milhões de pessoas sem espírito crítico e descontentes com a atual política. 

Como os atacados não participam dos milhares de grupos onde se espalharam essas ondas, não puderam exercer o contraditório. Mentiras viraram verdades. A campanha de destruição foi tão eficiente que um político com tendências autoritárias é o favorito para assumir a Presidência da República. Com ele, ascendeu uma bancada de parlamentares adeptos de um conservadorismo populista que, na verdade, representa o retrocesso democrático (perda de direitos), especialmente para as minorias.

Esses fatos indicam estar em curso a morte da nossa jovem e frágil democracia. Atualmente, ditaduras não são implantadas com os tradicionais golpes. Invasão de palácios e assassinato de chefes de Estado saíram de moda. Cada vez mais comum é destruir a democracia paulatinamente, de dentro pra fora, a partir de eleições inicialmente livres. O momento é, portanto, de extrema preocupação, até porque nenhum dos atuais assassinos de democracias mundo aparentou inicialmente ser tão autoritário quanto o candidato Jair Bolsonaro. 

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