quinta-feira, 28 de maio de 2015

CLI da Caçamba: Uguney confirma pagamento em dinheiro vivo a prestadores de serviços

Depoimento do ex-secretário movimentou o plenário do Legislativo na manhã de ontem (foto: Gazeta do Triângulo).

"A CLI (Comissão Legislativa de Inquérito) continua obtendo informações por meio de depoimentos de testemunhas, para averiguar a veracidade da prestação de serviço realizada pela empresa Disk Caçamba à prefeitura, no valor aproximado de R$ 600 mil. Ontem, 27, foi mais um dia de trabalho para comissão que ouviu um dos depoimentos mais aguardados desde o inicio dos trabalhos. O ex-secretário de Serviços urbanos Uguney Carrijo que acompanhado pelo seu advogado, prestou depoimentos sobre o caso. Carrijo que comandou a pasta de janeiro à agosto de 2013, disse que quando assumiu a secretaria a mesma não tinha nenhum estrutura de maquinas para realizar serviços e falou com prefeito Raul Belém (PP) as dificuldades de trabalho e por isso, Uguney revelou que recebeu o aval do próprio prefeito para contratar uma empresa para realizar os serviços que eram todos de forma verbal, sem nenhum documento. O ex-secretário disse que não tinha conhecimento da lei de Licitação e que mesmo após pedir para suspender os trabalhos, o empreiteiro teria ficado então tratando sobre o assunto diretamente com prefeito.

Uguney disse que em determinado momento ele solicitou ao senhor Juliano Reis suspender os trabalhos que vinham sendo realizados, os quais ele (Uguney) disse não saber quantidade de serviços prestados pelo empreiteiro com quem ele negou ter qualquer tipo de ligação. O ex-secretário confirmou que realizou o pagamento para quinze motoristas que prestaram serviços ao município contratados pelo empreiteiro e que o pagamento foi realizado na residência de uma amiga no bairro Amorim. Uguney disse que o dinheiro foi entregue à ele pelo procurador geral do Municipio Leonardo Borelli na sala da procuradoria onde se encontrava também Marcel Mujalli. Em seu depoimento, o ex-secretário revelou que o procurador havia dito que havia uma quantia de R$ 150 mil reais na bolsa, mas que após a contagem no local do pagamento, havia apenas R$ 143 mil reais. O depoente disse que alem do dinheiro, o procurador entregou à ele uma carta de demissão para que ele assinasse à pedido do prefeito. Uguney disse que pegou a carta e subiu até ao gabinete do prefeito Raul Belém (PP) e que após ele explicar os fatos, o prefeito pegou a carta de demissão em da sua mão e rasgou e pediu para que ele voltasse ao trabalho.

O ex-secretário disse ainda que tem amizade com Clarissa Magalhães, assessora especial do prefeito à qual ele disse ter ligado e pedido para que ela ajudasse ele efetuar o pagamento, sendo esse o motivo da sua presença. Uguney revelou que ligou para Clarissa pois estava achando estranho aquela situação e por isso eles combinaram ir para o local com duas malas, uma com dinheiro outra vazia temendo um assalto. O ex-secretário se propôs enviar os recibos do pagamento e deixou seu sigilo telefônico á disposição. Uguney disse ainda que após efetuar o pagamentos aos motoristas ele respondeu a sindicância interna e que o mesmo foi chamado pelo prefeito que perguntou á ele que dia que ele iria deixar a secretaria, ele falou que deixaria após a situação da secretaria estivesse resolvida. O depoente revelou que o prefeito respondeu que ele poderia ficar tranquilo pois ele iria pagar o empreiteiro Juliano Reis pelos serviços realizados. Uguney disse que não recebeu nenhum curso antes de assumir a secretria, e que só depois que houve os serviços irregulares ele participou de uma reunião com secretario de fazenda e o procurador."
Fonte: Gazeta do Triângulo.

Pitaco do blog

O depoimento apenas reforça aquilo que muita gente já sabe, mas ninguém tem coragem de investigar. Em muitos casos, agentes públicos da Prefeitura atuam de modo informal e ilegal. A fala do ex-secretário confirma outros depoimentos nesse sentido. Mais do que isso, demonstra a existência de uma contabilidade paralela na Prefeitura. Uma espécie de caixa dois. Isso costuma ser fruto de química contratual. Paga-se a uma empresa por serviços não prestados ou bens não fornecidos. Pode ser fruto também de superfaturamento. Depois, pega-se o dinheiro com a empresa e pagam-se outros fornecedores contratados informalmente (sem licitação e sem contrato escrito). Pra mim, essa situação é mais do que evidente. 

Não raro, esses fatos têm a participação das mesmas pessoas. Trazem indícios da existência de um núcleo responsável pela gestão de recursos desviados de outros contratos. Afinal, esse dinheiro não particular. A exemplo do ocorrido na Operação Tarja Preta, em que o pagamento de determinadas despesas do advogado Tomaz Chayb foram feitas por baixo dos panos, agora também são mencionados os nomes do procurador-geral Leonardo Borelli e do então procurador Marcel Mujali. De acordo com o depoimento, a entrega do dinheiro ao ex-secretário foi feita pelo primeiro e presenciada pelo segundo.

Mas, onde está o problema maior do caixa-dois? As consequências desse procedimento não se esgotam na ilegalidade do pagamento em si. Quando o dinheiro circula por fora da contabilidade oficial, é possível que seja desviado para os bolsos de agentes públicos ou de terceiros. Essa é a maior dúvida sobre a atuação da gestão Raul Belém. Dúvida que permanecerá, na medida em que nenhum órgão de controle se disporá a ir fundo em investigações e buscar a verdadeira origem do dinheiro usado para o pagamento informal dos prestadores de serviços.

2 comentários:

Ianis disse...

Prezado Auditor,

Tomara que esta CLI consiga apurar e JUSTIFICAR ao menos o extravio destes R$ 7.000,00...

Atenciosamente,
Janis Peters Grants.

Anônimo disse...

O jeito é chamar o detetive do Fantástico ou os repórteres da Record.
Cadê todos os dinheiros que estavam aqui?