domingo, 28 de setembro de 2014

Caos na saúde, a nossa omissão e a corrupção de prioridades

 
No Facebook, o repórter João Carlos de Almeida, em tom de desabafo, relata a desagradável, porém comum, situação por que passa a família de uma pessoa que necessita de cuidados médicos na cidade. Abre aspas pra ele:
"A situação da saúde neste País passou do limite da falta de respeito aos pacientes e as famílias. Em Araguari as coisas parecem ainda pior, não estamos questionando de quem a culpa, se é do SUS ou da secretaria Municipal. Mas entenda bem este caso, a três dias ocorreu um acidente grave envolvendo um capotamento de um veículo Fiat Uno e o condutor foi atendido pelo Corpo de Bombeiros sendo encaminhado em estado grave para o Pronto Socorro Municipal. Até ai tudo bem todos os procedimentos foram tomados, agora que vem o motivo da revolta de familiares, o paciente Ricardo Gomes Ferreira de 30 continua aguardando uma vaga para ser encaminhado para um hospital para receber um tratamento adequado. A vítima não sente os movimentos das pernas e sofreu traumatismo craniano e segundo informações de familiares continua na maca em que foi atendido pelo corpo de bombeiros sem a mínima condição e respeito. Hoje por volta das 6: 30 hs recebi em minha residência um irmão da vítima bastante emocionado e revoltado com descaso. O irmão pedindo socorro disse que não sabe a quem recorrer, mas não aguenta mais ver a vítima jogado daquela forma aguardando um encaminhamento que nunca sai e a qualquer momento morrer a mingua, esta foi a palavra usada pelo irmão da vítima que reside no bairro Independência."
 
Caro João e queridos leitores, ouso meter a colher onde não fui chamado...
 
Primeiro, realmente a saúde pública é um problema de todo o país. Mas, o fato de ser nacional, por si só, não justifica as dificuldades enfrentadas pela população de cada cidade. Muito menos as agruras experimentadas pelos araguarinos. O poder público local também é responsável por investir mal na quantidade e qualidade do  gasto com a saúde.
 
Segundo, considero um erro não procurar os motivos para o caos na saúde. Já conhecemos o problema. Resta enfrentá-lo. De que adianta conhecê-lo, mas não fazer nada? Isso os políticos já fazem muito bem por nós.
 
Terceiro, essa fuga de buscar as causas das mazelas da saúde é bastante comum. Especialmente, em Araguari. Parece que as pessoas têm medo de apontar culpados e sofrer represálias. Uma prova disso está no fato de o político apontado como responsável pelo não funcionamento do Hospital Municipal estar muito bem colocado nas pesquisas eleitorais para deputado federal na cidade. Outra prova? Os responsáveis pelo não funcionamento do mamógrafo público durante mais de um ano na gestão passada saíram do fato com suas fichas limpas. Sequer devolveram o dinheiro gasto com pagamento pela sua manutenção não realizada (o equipamento estava encaixotado e lacrado). Mais uma? Não aconteceu absolutamente nada com aqueles agentes públicos  municipais que, no ano passado, culposa ou intencionalmente, se envolveram com os criminosos investigados pela Operação Tarja Preta, em Goiás, por fraudar, entre outros atos, a compra de medicamentos. Medicamento faz parte da saúde pública. Se pagar mais caro, vai faltar dinheiro para comprar outros remédios ou aplicar em outras áreas da saúde. 
 
Quarto, em Araguari, tenho percebido ser muito comum os cidadãos buscarem as redes sociais e a imprensa, procurando soluções para casos individuais de mal atendimento na saúde pública. Isso mostra que o cidadão não confia mais no sistema público de saúde. Busca fora dele a solução. Daí aparecem os políticos nem sempre bem intencionados para ajudar. Auxiliam, muitas vezes, para evitar a repercussão negativa do fato ou para amealhar alguns votos no futuro. Socorrem um isoladamente, mas não pensam na solução do problema de todos. De que adianta o vereador bonzinho "ajeitar" um exame para um paciente, mas ao mesmo tempo ser negligente engavetando a investigação da quadrilha da Tarja Preta? Qual a serventia de o prefeito posar de bom moço e conseguir a internação para um doente se, ao elaborar o orçamento, ele priorizou os gastos com shows carnavalescos e se, no dia a dia, não zelou pela qualidade do gasto na saúde pública?
 
Traduzindo: a saúde pública é vítima da corrupção de prioridades. Esse sistema perverso penaliza o cidadão menos favorecido. Os recursos públicos são insuficientes. O pouco dinheiro existente é mal gasto ou investido em outras "prioridades". Mas, nesse contexto, nós, cidadãos, não estamos isentos de culpa. Contribuímos com esse quadro quando fechamos os olhos para as causas do problema. É como quebrar o termômetro para dizer que o bebê não está com febre. E, para piorar, elegemos e mantemos no poder os verdadeiros algozes da saúde pública, os corruptores de prioridades.

3 comentários:

Ianis disse...

Conteúdo postado originalmente no link:

http://rafaelkesler1234.blogspot.com.br/2014/08/e-tome-rima.html#comment-form

Nunca deixaremos de falar em saúde, mas certamente não é hora de LEMBRAR de Hospital Municipal, Gestor à época, ou seus respectivos agentes fiscalizadores, pois daqui a exatos 7 dias, muito provavelmente alguns deles receberão a MOÇÃO DA HONRA, em agradecimento - de coração - à majestosa atuação em favor do POVO, da POPULAÇÃO...

Incitação ao Trovador, digo, aqui, ao Auditor...

Na lida da vida,
se vislumbra profissão.
Ser o que der dinheiro,
preferencialmente...
laborando - não!

Eis que nos deparamos,
com de tudo um pouco,
e de tanto pouco, um tanto,
que se diz Político, quanto,
quando se labora já eleito,
somente quando da reeleição.

Pois quantum rende o tal labor,
manuseando dindim alheio,
à troca de inconcebível fração,
se autoproclama Gestor,
representante do Povão,
decidindo, direcionando, determinando,
com ou sem razão,
o que o mandato lhe outorga,
vontade própria, acima da precisão, daqueles que lhe confiaram uma esperança.

Ilusão.

Ao patrimônio próprio, agrega-se.
Diz-se próspero, bem sucedido.
É lícito. Não há contestação.

Nem houve fiscalização.

E o enorme risco da lida é tão pouco, que a tudo que compromete, se safa.
Safa uma, duas, três.
Torna-se um tremendo intocável imune, um enorme e impune safadão.

Não há trânsito em julgado.
É crime designá-lo por ladrão.

E como prêmio à inutilidade,
pleiteia outro cargo, outra função, levando o que assimilou ao se safar aqui, certamente o fazendo replicar, triplicando
em instância maior na Nação.

E, compactuando com isso,
elegendo e exportando o Nobre Cidadão, compartilharemos aos outros, eleitores, reféns,
Cidadãos-coitados,
a nossa própria maldição.

Se a missão de quem detém o poder de julgar tornou-se omissão,

Reza a lenda, que ...

... o simples ato de pressionar o tal botão,

Lesa a renda ...

... tornar-se-á similar ao de lavar as próprias mãos.

:-(

Atenciosamente,
Janis Peters Grants.

Anônimo disse...

Os leitores se envolveram tanto com eleição que ate se esqueceram de darem suas opiniões aqui no blog.

Anônimo disse...

Apreciei a metida de colher.Embora o material usado advindo do radialista
João Carlos de Almeida, que o fez por meio de uma rede social, portanto, sem vínculo algum com o seu trabalho, vem cheio de incorreções. De fato, se trata de um comentário de um cidadão comum sem nenhum conhecimento de medicina ou SUS, parecidíssimo com ato de intervenção política para futuras urnas. Mas, o que me chamou mesmo a atenção foi a "metida de colher". Faltou somente uma coisa, dar nomes aos omissos vereadores do município que na sua maioria 15(quinze) para ser mais exato são todos base do governo. Então além de se falar mal do Prefeito, tem-se que, com justiça, citar os nobres vereadores indistintamente. No mais, tem vereador(a) oposição hoje que no governo passado fez e aconteceu e tudo que fora reclamado continuará ocorrendo. Por que? Porque existe uma regulação, porque não temos Hospital, porque O Hospital de Clinicas da UFU recusa, porque os fiscalizadores do município não sabem o que fazem. A culpa é sim da esfera Federal e Estadual e deles nenhum tribunal reclama. E agora nas campanhas para presidente vemos um denunciar o outro com números, via rede nacional e ninguém no país, nenhum serventuário da justiça, promove nada. Um silêncio cabal da OAB. Nenhuma ação popular baseada nos vídeos das campanhas e dos debates.Nada, absolutamente nada!
Apreciei a "metida de colher", mas esperava que ela fosse mais consistente e que não fosse de pau.