domingo, 28 de setembro de 2014

Caos na saúde, a nossa omissão e a corrupção de prioridades

 
No Facebook, o repórter João Carlos de Almeida, em tom de desabafo, relata a desagradável, porém comum, situação por que passa a família de uma pessoa que necessita de cuidados médicos na cidade. Abre aspas pra ele:
"A situação da saúde neste País passou do limite da falta de respeito aos pacientes e as famílias. Em Araguari as coisas parecem ainda pior, não estamos questionando de quem a culpa, se é do SUS ou da secretaria Municipal. Mas entenda bem este caso, a três dias ocorreu um acidente grave envolvendo um capotamento de um veículo Fiat Uno e o condutor foi atendido pelo Corpo de Bombeiros sendo encaminhado em estado grave para o Pronto Socorro Municipal. Até ai tudo bem todos os procedimentos foram tomados, agora que vem o motivo da revolta de familiares, o paciente Ricardo Gomes Ferreira de 30 continua aguardando uma vaga para ser encaminhado para um hospital para receber um tratamento adequado. A vítima não sente os movimentos das pernas e sofreu traumatismo craniano e segundo informações de familiares continua na maca em que foi atendido pelo corpo de bombeiros sem a mínima condição e respeito. Hoje por volta das 6: 30 hs recebi em minha residência um irmão da vítima bastante emocionado e revoltado com descaso. O irmão pedindo socorro disse que não sabe a quem recorrer, mas não aguenta mais ver a vítima jogado daquela forma aguardando um encaminhamento que nunca sai e a qualquer momento morrer a mingua, esta foi a palavra usada pelo irmão da vítima que reside no bairro Independência."
 
Caro João e queridos leitores, ouso meter a colher onde não fui chamado...
 
Primeiro, realmente a saúde pública é um problema de todo o país. Mas, o fato de ser nacional, por si só, não justifica as dificuldades enfrentadas pela população de cada cidade. Muito menos as agruras experimentadas pelos araguarinos. O poder público local também é responsável por investir mal na quantidade e qualidade do  gasto com a saúde.
 
Segundo, considero um erro não procurar os motivos para o caos na saúde. Já conhecemos o problema. Resta enfrentá-lo. De que adianta conhecê-lo, mas não fazer nada? Isso os políticos já fazem muito bem por nós.
 
Terceiro, essa fuga de buscar as causas das mazelas da saúde é bastante comum. Especialmente, em Araguari. Parece que as pessoas têm medo de apontar culpados e sofrer represálias. Uma prova disso está no fato de o político apontado como responsável pelo não funcionamento do Hospital Municipal estar muito bem colocado nas pesquisas eleitorais para deputado federal na cidade. Outra prova? Os responsáveis pelo não funcionamento do mamógrafo público durante mais de um ano na gestão passada saíram do fato com suas fichas limpas. Sequer devolveram o dinheiro gasto com pagamento pela sua manutenção não realizada (o equipamento estava encaixotado e lacrado). Mais uma? Não aconteceu absolutamente nada com aqueles agentes públicos  municipais que, no ano passado, culposa ou intencionalmente, se envolveram com os criminosos investigados pela Operação Tarja Preta, em Goiás, por fraudar, entre outros atos, a compra de medicamentos. Medicamento faz parte da saúde pública. Se pagar mais caro, vai faltar dinheiro para comprar outros remédios ou aplicar em outras áreas da saúde. 
 
Quarto, em Araguari, tenho percebido ser muito comum os cidadãos buscarem as redes sociais e a imprensa, procurando soluções para casos individuais de mal atendimento na saúde pública. Isso mostra que o cidadão não confia mais no sistema público de saúde. Busca fora dele a solução. Daí aparecem os políticos nem sempre bem intencionados para ajudar. Auxiliam, muitas vezes, para evitar a repercussão negativa do fato ou para amealhar alguns votos no futuro. Socorrem um isoladamente, mas não pensam na solução do problema de todos. De que adianta o vereador bonzinho "ajeitar" um exame para um paciente, mas ao mesmo tempo ser negligente engavetando a investigação da quadrilha da Tarja Preta? Qual a serventia de o prefeito posar de bom moço e conseguir a internação para um doente se, ao elaborar o orçamento, ele priorizou os gastos com shows carnavalescos e se, no dia a dia, não zelou pela qualidade do gasto na saúde pública?
 
Traduzindo: a saúde pública é vítima da corrupção de prioridades. Esse sistema perverso penaliza o cidadão menos favorecido. Os recursos públicos são insuficientes. O pouco dinheiro existente é mal gasto ou investido em outras "prioridades". Mas, nesse contexto, nós, cidadãos, não estamos isentos de culpa. Contribuímos com esse quadro quando fechamos os olhos para as causas do problema. É como quebrar o termômetro para dizer que o bebê não está com febre. E, para piorar, elegemos e mantemos no poder os verdadeiros algozes da saúde pública, os corruptores de prioridades.

sábado, 27 de setembro de 2014

Duplicação da 050: inauguração com trevos sem iluminação




O governo federal convidou as autoridades e a população para participarem da inauguração da duplicação do trecho da BR-050 entre Araguari e a divisão MG/GO. O evento aconteceu na sexta-feira, 26.

Como perguntar não ofende, gostaria de saber: e a iluminação dos trevos de acesso à cidade serão iluminados quando? Sem essa iluminação, a obra pode ser considerada concluída? A iluminação não constava dos projetos da duplicação?

É a velha mania do poder público de fazer festa com obras ainda não concluídas. Tenho medo de que essa iluminação vire mais uma novela sem graça. 



sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Me engana que eu gostio

Na cidade da propaganda pública enganosa, a saúde pública continua mal das pernas. Hoje de manhã, os usuários do Sistema Único de Saúde tiveram que enfrentar longa fila na Policlínica.


Peraí.., Já sei! Você não está acreditando, né? Afinal, você viu uma propaganda na TV dizendo que a saúde pública da cidade é coisa de primeiro mundo.Tudo bem! Eu compreendo. Vou mudar o rumo da postagem para agradá-lo(a). 

Vamos lá! Não se preocupe, caro(a) leitor(a). Essa fila é apenas uma miragem. Talvez, quem sabe, seja um teatro montado por desocupados que, na falta do que fazer, resolveram armar esse cenário para criar uma má impressão da gestão da saúde e da cidade. Deve ser a turma dos "derrotistas de plantão". Ou quiçá uma superprodução de Steven Spielberg... Logo, apague essas imagens fictícias da sua mente.

Enquanto essas pessoas desocupadas, talvez hipocondríacas, ficam criando filas imaginárias e inventando problemas inexistentes, a cidade real e maravilhosa pulsa lá pelos lados do Palácio dos Ferroviários. Naquele mundinho fechado, os marqueteiros pagos com o seu dinheiro já decretaram que vivemos na cidade das maravilhas. Então, esqueça de vez as duas primeiras fotos. Guarde em sua lembrança apenas esta, abaixo. Ela mostra a saúde pública de Araguari na visão dos publicitários da Prefeitura, aqueles mesmos a quem você, com seus impostos, paga para ser enganado.



Dança da Vassoura

Estão chovendo reclamações acerca da limpeza das vias públicas da cidade. Para ser mais exato, reclama-se mesmo é da falta de limpeza (varrição, capina...). A imagem abaixo mostra uma moradora varrendo a própria rua. 

Foto postada por Nilton Júnior no Facebook.

Resumindo... Enquanto os cidadãos têm que varrer as ruas, a Prefeitura continua cobrando taxas de limpeza e conservação inconstitucionais (ilegais) por serviços não ou mal prestados. Não há fiscalização eficiente. A Câmara de Vereadores, preocupada com a eleição do seu novo presidente, também não fiscaliza. Aliás, nunca fiscalizou. E a promotora? Bem, a doutora Leila Benevides deve ter lá outras preocupações. Omissão de uns; alegria de outros. Sem fiscalização, sobra espaço para comemorações das empreiteiras. Afinal, os seus lucros crescem rápido, igual erva daninha nas ruas do Rerigueri. Enquanto isso, eu vou varrendo...

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Vereadora quer conhecer gastos com revista publicitária





No dia 17/9, no Restaurante Napolitano, o prefeito, Raul Belém, reuniu um seleto grupo de funcionários (comissionados em sua maioria), jornalistas e representantes de entidades e associações com a suposta finalidade de prestar contas à sociedade dos primeiros dezoito meses de governo. Na ocasião, foi distribuída aos felizes convidados uma revista contendo os supostos feitos da gestão atual. 

Pois bem, na sessão de hoje (23/9) da Câmara de Vereadores, a vereadora Eunice Mendes (PMDB), voz solitária da oposição, questionou os gastos com a publicação da tal revista, solicitando o envio de pedido de informações acerca do assunto ao Executivo. Entre outros esclarecimentos, a vereadora quer saber o valor da publicação, uma vez que, segundo ela, estaria sendo descumprida a Lei nº 3.814, que exige a divulgação da tiragem da revista e o valor gasto. Além disso, a vereadora afirmou que a referida peça publicitária teria sido confeccionada pela empresa pertencente ou ligada a um secretário, que, de acordo com ela, estaria atuando dos lados do balcão.

sábado, 20 de setembro de 2014

18 meses de governo: o evento e a falta de transparência


 
No post anterior, mostramos que a Prefeitura realizou um evento para, supostamente, prestar contas dos feitos do governo nos primeiros 18 meses de mandato. Essa informação de que o ato teria sido uma prestação de contas está presente no documento divulgado por assessor da própria Prefeitura, mas não traduz a realidade.

Realizar um evento destinado a apenas alguns seletos convidados está longe de ser considerado um ato de prestação de contas. Prestar contas é, por definição, algo republicano. Afinal, o prefeito administra algo que não é dele. Afinal, a coisa é pública. Alguém precisa avisar isso pra ele logo. Da mesma forma, prestar contas é uma atividade democrática. Não há como prestar contas se os principais destinatários não foram convidados ou se não vêm recebendo do poder público informações verdadeiras e em linguagem acessível.
Caso o prefeito, Raul Belém, quisesse realmente cumprir as leis e efetivamente prestar contas dos seus atos à sociedade, não precisaria realizar eventos bancados pelo contribuinte. Bastaria  começar a cumprir algumas leis que exigem do governante a prestação de informações aos cidadãos e aos órgãos de controle. Vejam alguns exemplos de leis solenemente descumpridas pelo atual governante da cidade:

1º - art. 48-A da Lei de Responsabilidade Fiscal, que exige a "liberação ao pleno conhecimento e acompanhamento da sociedade, em tempo real, de informações pormenorizadas sobre a execução orçamentária e financeira, em meios eletrônicos de acesso público". É o tal "Portal da Transparência", que se encontra desatualizado e sem as informações exigidas pela lei. No caso específico, o prefeito, se quisesse realmente prestar contas, antes de começar seu discurso monótono, já deveria ter informado o valor gasto com o evento (aluguel do Restaurante Napolitano, gastos com bebidas, etc.), o custo da confecção e distribuição da tal "revista" contendo os feitos da atual gestão, etc.

2º - art. 16 da Lei nº 12.232/2010, que prevê que as informações sobre a execução do contrato de publicidade de propaganda,"com os nomes dos fornecedores de serviços especializados e veículos, serão divulgadas em sítio próprio aberto para o contrato na rede mundial de computadores, garantido o livre acesso às informações por quaisquer interessados."

3º - art. 38 da Lei Orgânica do Município de Araguari, que prevê que o prefeito, sob pena de cometer crime de responsabilidade, deverá prestar, no prazo de quinze dias, as informações (verdadeiras) solicitadas pela Mesa Diretora da Câmara. Temos visto com indesejável frequência, vereadores reclamando de que o prefeito não responde aos seus pedidos de informações.
Como dito, são apenas alguns exemplos de obrigações de prestar contas (de ser transparente) reiteradamente descumpridas pelo prefeito, Raul Belém. Os leitores, certamente mais atentos do que eu, se lembrarão de outros casos patológicos de omissão do Executivo. Sintam-se à vontade para acrescentá-los.
 

Prefeito "presta contas" à sociedade



Na quarta-feira, 17, em evento realizado especialmente para fazer uma prestação de contas à sociedade, o prefeito Raul Belém conversou com empresários, lideres da sociedade civil organizada, autoridades e da comunidade em geral sobre as ações de governo realizadas desde o início do ano de 2013, quando iniciou seu mandato e os projetos em andamento para serem realizados até o final de sua gestão.
Em sua fala o prefeito explicou que nos primeiros 18 meses a Prefeitura está investindo mais de R$ 100 milhões em serviços públicos. Na área de saúde, destacou os investimentos na construção de quatro Unidades Básicas da Saúde da Família (UBSFs) cujas obras estão em andamento nos bairros Independência, Portal de Fátima, Chancia e Goiás Parte Alta e reforma e ampliação das unidades dos bairros Miranda II e Gutierrez. “Com os investimentos realizados vamos ampliar de 46% para 76% a cobertura da nossa atenção básica. O Pronto Socorro está recebendo elogios pela significativa melhora no atendimento à população, fato raro no Brasil. Implantamos o Horário do Trabalhador na Policlínica e em alguns postos de saúde. Na prática, estamos investindo melhor os recursos da saúde”, relatou.
Entre os números apresentados, destaque para a aquisição de ambulâncias, um micro-ônibus que transporta diariamente pacientes para o Hospital do Câncer e AACD. “Quando assumimos o governo, a Secretaria de Saúde tinha apenas duas ambulâncias em funcionamento. Compramos nove ambulâncias novas. Agora, os distritos também contam com serviço. Modernizamos o atendimento da Farmácia Municipal e colocamos farmácias nos postos de saúde de Amanhece, São Sebastião, Brasília e Maria Eugênia. Assim, os pacientes dessas unidades já saem com os medicamentos na hora”, afirmou o gestor.
Ainda na área de saúde, o prefeito reafirmou os investimentos na construção de 50 leitos e mais 10 UTI’s na Santa Casa, que passará a ser um dos principais hospitais da região. Explicou que a UPA 24 horas deve ficar pronta em abril, quando haverá integração com o SAMU Regional. “O Hospital das Clínicas de Uberlândia já opera praticamente no seu limite de capacidade, por isso estamos investindo muito na saúde, atestando a grandiosidade dessa cidade de aproximadamente 120 mil habitantes que atravessa um bom ciclo de desenvolvimento estimulado pelas ações do governo e os investimentos do setor privado, como a Unipac, que está construindo um centro ambulatorial que vai melhorar ainda mais nosso atendimento na área de saúde”, ressaltou o prefeito.
No setor de habitação, relatou que serão entregues mais de 2 mil casas até o final do ano e que já negocia novas unidades com a Caixa e o Banco do Brasil. “Preparamos o maior programa de habitação da história de Araguari e já é uma realidade. Já começamos o programa de asfaltamento parcial ou total de mais de 100 vias e vamos asfaltar o Bairro Vieno por completo. Dessa forma, vamos cumprir o compromisso de deixar a cidade 100% asfaltada em nossa gestão. As máquinas do Batalhão Mauá, nosso importante parceiro, estão trabalhando na Avenida Brasil e adjacências. Outra importante ação é o recapeamento das avenidas Senador Melo Viana e Bahia que vamos começar agora”, relatou.
O principal desafio da gestão, segundo o prefeito, é a construção da Estação de Tratamento de Esgoto Central. “Esse é o nosso maior desafio. Um recurso de R$ 34 milhões, o maior convênio da história de Araguari e que demanda uma atenção especial de nosso governo. Vamos passar de 7% para 97% do esgoto tratado. Nosso planejamento é começar a obra ainda no primeiro semestre do ano que vem”.
Raul Belém destacou os investimentos privados, os investimentos em segurança, na proteção ao meio ambiente e especialmente na educação. “Conseguimos a melhor nota do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de nossa história. Superamos a média do Estado de Minas Gerais e do Brasil. Nossas escolas são exemplo de boa gestão. Quando assumimos o governo tínhamos seis escolas em intervenção, ou seja, com baixo índice avaliativo, hoje, todas saíram dessa situação e consolidam um sistema público de ensino de boa qualidade”, declarou.
Para conseguir os resultados alcançados, o Governo Municipal criou o Programa Escola Melhor, que inclui reforma e ampliação das escolas, investimento em acessibilidade, qualificação de professores e pagamento do piso salarial nacional da categoria. “Iniciamos a implantação de lousas digitais nas escolas, investimos na educação inclusiva com salas multifuncionais para atender crianças com deficiência e vamos construir mais creches e escolas. E com o Programa Mais Educação ampliamos o nosso programa de escola em tempo integral. Com todas essas ações, recebemos reconhecimento internacional com o Prêmio Latino-Americano 2014 oferecido pela Câmara Internacional de Pesquisas e Integração Social”, resumiu o prefeito Raul Belém.

Pitaco do Blog
Esse é o texto publicado nas redes sociais por Enivaldo Silva, Assessor da Secretaria de Gabinete da Prefeitura. Noticia que o prefeito, Raul Belém, participou de um evento supostamente destinado a prestar contas à sociedade acerca de suas "realizações" nos primeiros 18 meses de governo.
Bem, existe um dito popular segundo o qual "o papel aceita tudo". Grande verdade! Pode-se colocar a imaginação para viajar e transformar essa viagem algo aparentemente real. No serviço público, esse tipo de "viagem" não deveria ser permitida. Existe um dever de veracidade que deveria ser respeitado pelo administrador público.
No caso vertente, existem informações de duvidosa veracidade constantes do texto e de milhares de exemplares de uma "revista" confeccionados e distribuídos à custa do dinheiro do contribuinte. Cito como exemplo os tais R$ 100 milhões supostamente investidos em serviços públicos nesse período.
Aliás, o próprio ato ser chamado de prestação de contas é algo que atenta contra os mais comezinhos princípios da Administração Pública. Na verdade, o que houve foi um evento politico (se o leitor quiser interpretar como  politicagem, não estará totalmente equivocado). Isso porque a "festa" contou apenas com a presença de servidores comissionados, jornalistas (que, em muitos casos, são também comissionados da Prefeitura) e representantes de entidades e associações.
Bem, os "feitos extraordinários" da atual gestão, pelo menos no papel, são muitos. Assim, essa nota merece ser desdobrada em diversos posts, para que possamos efetivamente verificar se ela traduz a realidade vivida pelos araguarinos.


quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Prefeitura descumpre lei de publicidade e propaganda

Há dois anos e quatro meses, cobrávamos aqui do então prefeito Marcos Coelho de Carvalho o cumprimento da Lei nº 12.232/2010, que trata de normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda. O questionamento referia-se a não-publicação de informações sobre os gastos com contratos de publicidade e propaganda, discriminando-se os valores pagos, os nomes das agências contratadas e dos veículos de comunicação (rádios, TVs, jornais, etc.).

De lá para cá, nada se modificou. Se mudanças houve, sem dúvida, foram para pior. O atual prefeito, Raul Belém, também descumpre a referida lei. Vale lembrar que a situação, agora, é um pouco mais grave. Além da suspeita contratação de uma empresa que prestou serviços de publicidade à campanha do prefeito, parte do dinheiro destinado à agência contratada vai para uma emissora de rádio (Planalto) e um grupo de comunicação (Grupo Mais: rádios Onda Viva, Mais FM, TV Minas, jornal O Minas, etc.) ligados, respectivamente, ao prefeito e ao vice-prefeito, Werley Macedo. Os valores recebidos por essas empresas de comunicação deveriam ser informados à população pela pela Prefeitura via internet. Deveriam, mas não são...

Pior do que isso. A ação dos descumpridores da lei é facilitada por quem deveria fiscalizá-los. Refiro-me à omissão da Câmara de Vereadores, presidida pelo senhor Tiãozinho do Sindicato, que,  além de não cobrar do Executivo o cumprimento da lei, também não publica os seus gastos como manda a lei. Raciocínio não muito diverso vale para a Curadoria do Patrimônio Público do Ministério Público de Minas Gerais, a cargo da promotora de justiça Leila Benevides, que, ao que parece, também não se interessa pelo assunto.


Para refrescar a memória falha dos governantes e dos omissos fiscais, segue o texto da lei:
"Art. 16. As informações sobre a execução do contrato, com os nomes dos fornecedores de serviços especializados e veículos, serão divulgadas em sítio próprio aberto para o contrato na rede mundial de computadores, garantido o livre acesso às informações por quaisquer interessados. 
Parágrafo único. As informações sobre valores pagos serão divulgadas pelos totais de cada tipo de serviço de fornecedores e de cada meio de divulgação. "

Clique aqui e veja nosso o questionamento feito à gestão anterior.
Clique aqui e conheça as suspeitas de irregularidades no edital de licitação para contratação dos serviços de publicidade e propaganda da Prefeitura Municipal de Araguari, lançado no ano passado.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Transporte coletivo: nova paralisação, e os mesmos responsáveis

O terminal do Mercado Municipal amanheceu vazio. (foto: Rudi Lacerda, via Facebook).

Mais uma vez, o transporte coletivo de Araguari é paralisado. É a segunda vez só este ano. Os motivos da paralisação, segundo o sindicato da categoria, são os mesmos: atraso no pagamento de vale-alimentação e no recolhimento de encargos sociais (FGTS, contribuição previdenciária, etc.) pela empresa Sertran. Alega-se ainda que a Prefeitura não vem pagando corretamente o que é devido à concessionária. Em consulta ao Portal da Transparência da Prefeitura, verifica-se que a empresa já recebeu, neste ano, a importância de R$ 972 mil (isso sem computar o valor cobrado dos passageiros).

Tudo que começa mal tende a piorar. Desde agosto do ano passado, estamos falando aqui das graves suspeitas de irregularidades na contratação da Sertran. Nesse ambiente de ilegalidade, é comum ocorrer, durante a execução do contrato, aquilo que estamos assistindo agora: má prestação dos serviços (furos de viagem, redução de horários, paralisações, etc.), falta de recolhimento de encargos sociais e atrasos no pagamento  de funcionários por parte da concessionária, etc.

O pior é que tudo isso poderia ter sido evitado. Tais suspeitas de irregularidades - repito: graves - já deveriam ter sido esclarecidas pela Câmara de Vereadores e Ministério Público. Entretanto, o cidadão araguarino encontra-se desamparado por quem tem o dever de defendê-lo. Parece que esses dois órgãos, apesar de caros ao contribuinte, só existem na ficção. Parece serem subordinados ao prefeito. O que fizeram com as diversas denúncias publicadas a respeito da contratação irregular da Sertran? O que estão fazendo agora com a notícia de que a Prefeitura está sendo omissa não fiscalizando o recolhimento dos encargos sociais pela concessionária? 

Sinceramente, vivemos em Araguari uma situação de absurda ilegalidade. Um verdadeiro incentivo à impunidade. Se os envolvidos nessa contratação já tivessem sido processados, inclusive criminalmente, pelo Ministério Público, a situação seria outra. Mas, estamos falando apenas de hipóteses e de fiscais fictícios. Enquanto isso, como diz o radialista Eurípedes Martins, "paga, povo!".

Clique nos links abaixo e veja nossos posts sobre as suspeitas de irregularidades na contratação da Sertran:









terça-feira, 9 de setembro de 2014

O Ministério Público e a morosidade investigativa


Na semana passada, ouvi uma manifestação da promotora de justiça Leila de Sá Benevides, Curadora do Patrimônio Público em Araguari, que me deixou assustado. Ela mostrou uma certa "preguiça investigativa" em sua fala à jornalista Leilamar Costa, do programa Sem Rodeios (Rádio Alternativa FM), a respeito das suspeitas de irregularidades nos gastos com a reforma de um imóvel alugado à Prefeitura e nas reiteradas contratações sem licitação da Sertran (transporte coletivo). Não é isso que se espera de agentes públicos cuja função é a defesa da ordem jurídica.

Acerca dos indícios de irregularidades nos gastos com a referida reforma, a promotora disse que irá aguardar o fim da sindicância instaurada no âmbito do Poder Executivo para apurar os mesmos fatos. Com essa medida lerda, ela criou uma condição para começar a agir. Assim, nessa visão "sui generis", o MP só investigará os fatos se e quando o Poder Executivo concluir a sindicância. Merece uma tese de doutorado. Acaba de ser criada uma nova condição de procedibilidade. Juridicamente falando, a promotora jogou por terra o princípio da independência de instâncias, segundo o qual uma conduta pode ser apurada, ao mesmo tempo, pelos diversos poderes e órgãos competentes. Ao contrário dessa tese, no curso de Direito, ensinam que o mesmo fato pode configurar ilícito penal, civil e administrativo. Vale a regra da independência e autonomia das instâncias, ou seja, a decisão tomada por um órgão ou poder, em regra, não influencia a adotada por outro. Se não influencia, por que a promotora irá esperar a conclusão da sindicância? Caro leitor, aceito sugestões de respostas... Adianto, contudo, a minha. Ao aguardar uma decisão duvidosamente isenta da sindicância aberta pelo Poder Executivo, a promotora estará dando uma "mãozinha" à impunidade.


Já a respeito das reiteradas contratações da Sertran, mesmo diante de todas as evidências de irregularidades, a promotora continuará aguardando os próximos passos da Prefeitura. Passos convenientemente de tartaruga. Pelo andar da lenta carruagem, se a Prefeitura conseguir concluir a licitação mais de um ano após a rescisão do antigo contrato, a promotora já se dará por satisfeita. Não se espantem se ela concluir que nada de errado ocorreu desde a primeira contratação da Sertran. Parece que a fiscal da lei não se incomoda com o fato de a empresa estar recebendo dinheiro público e dos usuários para, notoriamente, prestar serviços de má qualidade. Da mesma forma, sob a ótica da promotora, parece não ter existido aquela ligação telefônica em que o representante da Sertran, atendendo a pedido do procurador-geral, Leonardo Borelli, se comprometeu a vir a Araguari para assinar um contrato de prestação de serviços três meses antes da rescisão com a antiga concessionária, que, na época, ainda se defendia administrativamente. Defendia-se pra quê?! Por essa ótica, a conduta do referido procurador, que praticou atos da alçada de outros órgãos e ratificou a contratação emergencial, deve ser apenas mais uma invencionice dos “derrotistas de plantão”.

Nesse contexto, só posso torcer para que se concretize a noticiada transferência da promotora para Belo Horizonte. Que ela tenha muito sucesso na nova missão. Uma mudança na instituição fará bem à cidade. Apenas lamento que ela não tenha conseguido coibir os desatinos praticados pelos gestores públicos municipais, que, ao longo dos últimos anos, mergulharam a administração pública na ilegalidade. 

Clique aqui e saiba mais sobre as suspeitas de irregularidades na reforma de imóvel alugado à Prefeitura.

Clique aqui para saber como foi a estranha atuação do procurador-geral do município na contratação da Sertran.

Clique aqui e conheça as informações sobre a contratação da Sertran que vieram à tona a partir das escutas da Operação Tarja Preta.


sábado, 6 de setembro de 2014

Caso Sertran: vereadora suspeita da atuação do procurador-geral

 
Voltou a ser assunto na Câmara a contratação da Sertran, sem licitação, para prestar os serviços de transporte coletivo. Desta feita, a vereadora Eunice Mendes (PMDB), atualmente a única que vem fazendo oposição ao Executivo, quer saber informações sobre a legalidade da atuação do procurador-geral do município, Leonardo Borelli, por ocasião da primeira contratação da Sertran, ocorrida em agosto de 2013. Na sessão de terça (2/9), a vereadora solicitou à Presidência daquela Casa o envio de ofício ao prefeito Raul Belém, pedindo informações sobre a legalidade dos atos praticados pelo procurador-geral na condução da Dispensa de Licitação nº 057/2013, que originou a referida contratação (vide imagem acima).
 
Conforme este blog informou, o procurador-geral teve participação destacada na contratação. Rápido e onipresente, assinou documentos da alçada da Secretaria de Administração, aprovou o próprio parecer, etc. Além disso, consoante demonstraram as escutas da Operação Tarja Preta, o procurador teria chamado o representante da empresa para assinar o contrato já em maio de 2013, ou seja, três meses antes da rescisão do ajuste com a empresa Expresso Cidade de Araguari. Isso, se confirmado, demonstra que todo o processo que precedeu à contratação da Sertran foi, na verdade, uma peça de ficção. Pode, aliás, indicar a existência de alguma relação espúria entre a empresa e agentes públicos municipais.
 
Para saber mais sobre o assunto, clique aqui e aqui.


Não precisa explicar...




Eu só queria entender... Quando os radialistas e servidores públicos Antônio Carlos (Rádio Planalto, empresa da família do prefeito Raul Belém), Wilson Prado e Silvio Vieira (Rádio Onda Viva, ligada ao vice-prefeito Werley Macedo) fazem reportagens durante o expediente da Prefeitura cobrindo eventos ligados ao atual governo, eles estão trabalhando para as emissoras de rádio ou para o contribuinte? Traduzindo a pergunta: estamos pagando os salários desses radialistas para eles trabalharem no serviço público ou em emissoras de rádio (empresas privadas)? Não vou nem falar de ética jornalística ou pública, porque seria perda de tempo.

Assessor da Prefeitura usa redes sociais para debochar de cidadãos

 
O Assessor de Orçamento da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Habitação da Prefeitura de Araguari (PMA), Marcos Lander Martins Carrijo, vem usando das redes sociais para debochar de pessoas e entidades que tentam fiscalizar a gestão pública da cidade. Desviado de função (o que é ilegal), talvez por não saber o que seja um orçamento público, o assessor vem atuando na Assessoria de Comunicação da PMA, onde, em vez de levar à população informações de interesse público, vale-se do cargo para atacar os que ousam discordar das inúmeras suspeitas de irregularidades que pairam sobre as condutas dos atuais governantes.
 
No trecho acima, extraído do Facebook, em tom de escárnio, o assessor chama a Associação do Direito e Cidadania de Araguari (ADICA) de "dona chica". Em outro ponto, ao se referir a este blogueiro, insinua, maldosamente, que as denúncias enviadas ao Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE/MG) são "sem pé nem cabeça". Postura normal vinda de quem só enxerga outra parte do corpo dos seus padrinhos políticos.
 
Na verdade, essas manifestações costumeiramente infelizes do tal assessor mostram a cara do governo Raul Belém. Primeiro, porque escancaram a falta de critérios na escolha dos assessores do prefeito. Parece que o requisito essencial para exercer certos cargos na PMA é a capacidade de bajulação do indivíduo. Vale lembrar que, em ambientes de apadrinhamento, compadrio e filhotismo, típicos do patrimonialismo tupiniquim, pessoas inúteis e de caráter duvidoso costumam ser as mais privilegiadas. Segundo, porque mostra que, além de escolher mal, o prefeito parece não fiscalizar a atuação dos seus subordinados. Ao que tudo indica, o tal assessor usa as redes sociais durante horário de expediente para, a partir de computadores públicos, achincalhar pessoas em vez de distribuir informações relevantes, de interesse público.
 
Mas, o problema vai além. A conduta do assessor demonstra a total certeza da impunidade. Isso fica claro nas suas palavras. Além de tentar induzir as pessoas a acreditar que a Prefeitura necessita contratar advogados para se defender de denúncias supostamente infundadas enviadas ao TCE/MG, ele escancara a certeza de que os seus superiores, mesmo se "pegos com a boca na botija", jamais serão punidos.
 
Se você teve a paciência de ler este post até agora, lamento dizer: o assessor tem grandes chances de estar certo. Nem tanto em relação ao TCE/MG, instância onde, apesar da demora inerente ao devido processo legal, as denúncias têm sido recebidas e investigadas, redundando, ao menos, em multas aos que praticam irregularidades na gestão da cidade. Essa certeza de impunidade deve ter brotado na mente do tal assessor ao assistir à atuação leniente da Câmara de Vereadores e da Curadoria do Patrimônio Público do Ministério Público em Araguari, órgãos que, no papel (uma tal de Constituição Federal), deveriam fiscalizar, com eficiência, os atos do Executivo. A culpa, portanto, não é só dele. É do ambiente de impunidade onde vivemos.