domingo, 9 de março de 2014

Fazemos Política???



Airton da Cunha Ribeiro*

Muito é dito sobre a conjuntura atual, de apatia política que vivemos, seja na instância municipal, estadual ou federal.

Cada vez mais, vemos as pessoas criando aversão à palavra "POLÍTICA". Sempre esquecendo de que tal palavra extravasa seus próprios significados. Política é mais do que votar em alguém, para algum cargo, seja ele público ou não. O ato de fazer Política é o que nós permeia em todos os momentos de nosso cotidiano. É o relacionamento com os nossos familiares, é o nosso posicionamento em relação a determinada situação, é, enfim, a capacidade de interagirmos com nossos pares, que compartilhamos do estar em sociedade.

A grande questão que se vislumbra a nós, intrépidos seres, produtos de uma modernidade confabulada no século XVIII, é que no marchar do tempo, foi-se compartimentando a noção de "Política". Restando uma simplória noção, que atualmente vem ligada a mais dois conceitos - cidadania e democracia.

Ser cidadão "atuante" em uma democracia, como a que vivenciamos, nos gloriosos tempos da modernidade, é VOTAR - ato de alienar-se, expugar sua capacidade de autogestão em nome de um "representante", que falará em nosso nome. Aqui se encontra a maior capacidade de dominação que o homem criou para dominar seu semelhante. Pois por meio da subjetivação de um conceito "representante", alienamos nossas forças em nome de uma idéia abstrata.

Assim, sobre essa idéia, não fazemos "Política" - condição inerente ao homem - mas sim a relegamos a um "representante". Este, sim, um ser "histórico e socialmente" apto a fazer política.

Dessa forma, voltamos à questão da apatia política. A alienação que sofremos com uma falsa idéia de democracia nós remete a pensarmos que fazer política se dá primeiramente no campo institucionalizado, sobre os auspícios de um ente com pedigree. E, por conseguinte, que o público é a "terra de ninguém", onde quem chega primeiro tem o direito de expropriar as riquezas, em benefício próprio.


* Militante do CDS (Campo do Debate Socialista)

2 comentários:

Edilvo Mota disse...

Em bom português, o caro Airton registrou a "bundamolice" que acomete a maioria dos brasileiros.

Especialmente aqueles que ou se omitem, ou no máximo do esforço cidadão, manifesta de forma anônima seu "inconformismo" com os descaminhos trilhados pelos tais "representantes" que, absolutamente, jamais representarão a parcela consciente da sociedade.

Aristeu disse...

Política é a coisa mais linda que existe para a simbiose dos seres humanos, porém é violentada na base.