quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Pessimismo e tristeza

Gladston Mamede
Gladston Mamede*

            
           Estou pessimista e triste.
         

         Nós somos um bando de idiotas, vítimas fáceis de uma matilha de bandidos que se postula, eleição a eleição, como solução para o futuro de nosso República (a coisa pública), enquanto pilham o tesouro e achincalham o Estado Democrátido de Direito. Somos estuprados diariamente mas, como já dissera Gunter Grass, somos nós mesmos aqueles que se deitam na cama e facilitam – senão provocam – esse estupro.

        Nós os elegemos e reelegemos, comprando suas brigas, da direita para a esquerda e da esquerda para direita, enquanto eles dividem as mesmas mesas e, banqueteando sem pudor, compartilham as gargalhadas do butim diário do Estado. Aliás, Democracia tornou-se o título de espetáculo bufo, uma comédia torta e canhestra, onde os espectadores tolos são assaltados pelos atores e, nalguma esquina próxima ao teatro, serão assassinados. É que a lógica imperante é o voto irresponsável e a desvalorização do Estado de Direito que, por razões óbvias, mas ocultadas, deveria ser, também, um Estado de deveres, de obrigações.

        Mas o aparelho estatal e seus funcionários são muito ciosos das obrigações dos cidadãos – essas rezes do gado político –, na mesma toada em que repetem a ladainha de que ninguém pega os homens públicos. Tudo funciona sobre essa lógica, o que justifica a cultura local de que ser eleito é a oportunidade de auferir o seu quinhão na rapinagem pública. E isso tem sido feito de uma banda à outra, de cima a baixo, sem nenhuma cerimônia.

        Enquanto isso, a guerra come arretada na rua e faz vítimas entre pais, filhos, irmãos, maridos e esposas, tios, primos, amigos. A insensibilidade de administradores públicos e parlamentares é idêntica à dos cadáveres: fria. Nossa democracia está ruindo por que supomos, na Constituinte, que haveria homens e mulheres à altura das funções públicas. Mas eles são encontrados raramente.

        Para mim, que me graduei no ano em que se outorgou a Constituição e, já de pronto, rumei para uma carreira de magistério e cultura do Direito, é a pior constatação: eu sou um babaca ingênuo que acredita em contos infantis, escritos na Carta da República. Eu sou um bobo a mais.


*Bacharel e Doutor em Direito. Autor da coleção “Direito Empresarial Brasileiro” e do “Manual de Direito Empresarial”.

Leia este e outros editoriais em http://pandectas.blogspot.com.br/

2 comentários:

Edilvo Mota disse...

Os tais bandidos citados pelo articulista, além de seus lacaios parasitas, morrem de rir.

Sempre "se dão bem", continuam impunes, ostentando e frequentando "classes superiores" tão sujas quanto.

São relativamente intocáveis; mas para quem tem um mínimo de vergonha na cara, continuarão sendo o que verdadeira são: a escória.

Anônimo disse...

UBERLÂNDIA-MG, 28 de fevereiro de 2014.

Prezado Antônio Marcos,

Ontem, tivemos uma "tarde triste". Um bom observador - e leitor, sabe que não se tratam de palavras minhas, e sim de uma Autoridade que viu ruir ao precipício abissal, todo o trabalho que lhe coube.

"AO ARQUIVO. CUMPRA-SE ?!"

Não.

AO LIXO!!! CUMPRA-SE !!! Democraticamente.

Nesta semana, também testemunhamos o retorno do HOMEM do CASTELO, formalmente autorizado a pilhar seus súditos novamente. Democraticamente.

E aqui, leio sobre as ideias de um bacharel... digo, um DOUTOR, de direito e de fato, confetes e purpurinas... digo, a pérola venia:

(...)
Para mim, que me graduei no ano em que se outorgou a Constituição e, já de pronto, rumei para uma carreira de magistério e cultura do Direito, é a pior constatação:

eu sou um babaca ingênuo que acredita em contos infantis, escritos na Carta da República.

Eu sou um bobo a mais.
(...)

DEMOCRATICAMENTE, eu posto, totalmente no contexto do Tópico:

Pierrô, que ama Colombina, que ama Arlequim, conjuntamente e de má fé deliberada, já podem fazer o que bem entenderem, INCLUSIVE ROUBAR MUITO, pois nem serão enquadrados mais como QUADRILHA ORGANIZADA. Nosso Estado de Direito está se transformando em um eterno, alegre e lucrativo Carnaval. Dramático.

Entendo que já temos implementada no Sistema, a mais artística e inteligente peça de transferência de renda, no caso, uma descarada transposição e/ou lavagem de numerários, que se PERPETUARÁ NA IMPUNIDADE. Democraticamente.

Sairei agora, ao meu Carnaval. Nada de marxinhas, nem de çamba, nem aché ou certanejo universOtário... guerra de som aLto&emotivo... ( sic )

HERMENÊUTICA DO CAOS - pois nem tudo escrito é o que se lê ou cumpre, talvez ouça vagarosa e lentamente dois outros estilos, cujos refrões cito:

"... fazer comédia no cinema com as suas Leis ..."

"... transformam um pais inteiro num puteiro, pois assim se ganha mais dinheiro ..."

Ao retiro.

Atenciosamente,
O Antônimo. Um carnavalesco plenamente identificável, fantasiado de cidadão "ianis".