quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Veja a lista de irregularidades na obra do "Hospital Municipal"


Placa de inauguração (ou de entrega da obra) do
"Hospital Municipal de Araguari", ocorrida em 27/08/2003.


Conforme afirmado em outro post, o Tribunal de Contas da União julgou irregulares as contas do ex-prefeito Marcos Alvim e da Construtora Cima Engenharia e Empreendimentos Ltda. devido as falhas graves na execução da obra do Hospital Municipal. Então, prepare o seu estômago, contenha a sua indignação e veja o que foi apurado pelo TCU.

Inicialmente, o TCU verificou que a Construtora Cima:
- recebeu por piso em bloquete 8 cm espessura para o pátio externo, frontal ao hospital, e assentou bloquete de 4 cm de espessura;
- apesar de ter deixado de instalar ralos em 8 depósitos de material de limpeza, recebeu pelo serviço;
- recebeu por um reservatório elevado, em concreto armado, com capacidade de armazenamento de 20.000 litros de água, mas entregou apenas um reservatório para menos de 5.000 litros. Além disso, o que foi entregue está abaixo da altura especificada, comprometendo todo o sistema de hidrantes do hospital, por falta de pressão adequada para o acionamento daquele equipamento de prevenção e combate a incêndio;
- recebeu por um reservatório subterrâneo de água com capacidade de armazenamento de 30.000 litros, mas entregou, em seu lugar, um reservatório para apenas 15.500 litros de água;
- recebeu para executar todo o telhado do hospital, coberto por telhas brancas, de qualidade superior, mas fez a cobertura com telhas vermelhas, de qualidade inferior ao especificado. Além disso, a inclinação do telhado está abaixo do necessário, para o tipo de telha utilizado, ocasionando, com isso, entrada de água entre as telhas, comprometendo toda a laje de cobertura;
- não executou nenhuma cobertura em policarbonato;
- não revestiu os 8 depósitos de material de limpeza com azulejos até 2,60 m de altura, assentando apenas algumas fiadas sobre os tanques;
- ao invés de piso Korodur, de alta resistência, que havia sido contratado, executou todo o piso do hospital em granilite, material sabidamente inferior ao primeiro;
- recebeu por aplicação de resina no piso em Korodur, que sequer existiu;
- não procedeu à colocação de piso cerâmico nas instalações sanitárias e nos depósitos de material de limpeza, optando, também, pela execução de piso em granilite;
- não instalou toalheiros de papel, cromados, nem saboneteiras com controle de fluxo;
- recebeu para executar o hospital com pé-direito interno de 3,20 m acabados, mas, entregou a edificação com apenas 3,05 m.

Tome um fôlego, caro leitor. Não para por aí. O TCU ainda constatou, entre outras, as seguintes irregularidades na obra:
- a água do terreno está minando em diversas partes do piso;
- todas as paredes do HM foram tomadas pela umidade do terreno, estando todas elas mofadas, inclusive as salas cirúrgicas, berçário e enfermarias;
- a edificação apresenta diversas trincas em pisos, paredes, vigas e lajes, sinais de recalques diferenciais, ou seja, abatimento de fundação;
- diversas trincas a 45º, características de abatimento de fundação, por todo o hospital, inclusive, nas salas de cirurgia e no pronto-atendimento;
- deslocamento de uma parede da instalação sanitária da enfermaria masculina de 4 leitos, existente no bloco 1.
- a rede de gases medicinais foi executada de forma inadequada, imprópria e contrária às normas vigentes – sob o piso da edificação – o que ocasionou sua perda total, devido à forte umidade existente no terreno;
- de acordo com informações obtidas pelos auditores junto a moradores da cidade, quando chove forte na região, todo o hospital é invadido por uma lâmina d’água que se acumula no terreno, devido à precariedade da drenagem executada e ao nível em que o prédio hospitalar foi implantado – 40 cm abaixo do nível do passeio frontal; 
- as instalações elétricas, telefônicas e de dados não estão concluídas, contrariando o que a convenente declarou por ocasião da emissão do Termo de Recebimento Definitivo de Obra;
- foram observados quadros de distribuição elétrica sem disjuntores, inclusive com fiação de 220 V nua, exposta, possibilitando risco iminente de grave acidente;
- o quadro próprio para fiação telefônica com passagem de fiação elétrica;
- quadro de distribuição telefônica sem nenhum tipo de montagem;
- as instalações hidráulicas foram executadas em desacordo com o plano de trabalho;
- não foi executado nenhum ponto para ducha higiênica nas instalações sanitárias do hospital;
- todos os sifões e ligações flexíveis que o plano de trabalho especificava ser em metal cromado, foram instalados em PVC, material claramente inferior ao previsto;
- os ralos, que deveriam ser todos metálicos e escamoteáveis, existem em grande quantidade em PVC e abertos;
- quanto às instalações de incêndio, além da baixa capacidade de água do reservatório superior, inclusive com pressão de água insuficiente para utilização em caso de sinistro, verificou-se que diversos abrigos para hidrantes encontravam-se incompletos, sem os mangotes e os devidos acessórios;
- as telhas cerâmicas deveriam ser brancas, cor que teria a finalidade de refletir os raios solares, tornando o ambiente interno mais agradável. No entanto, foram trocadas por telhas vermelhas, sabidamente mais baratas;
- o plano de trabalho especificava que todas as portas externas e janelas do Hospital teriam esquadrilha de alumínio. Porém, existem diversas portas externas, confeccionadas com chapa metálica, de qualidade inferior, e, por isso mesmo, todas elas estão sendo consumidas pela ferrugem;
- não foi implantada a tubulação de gás GLP necessária e essencial para alimentar o fogão industrial existente na cozinha da unidade hospitalar.

Clique aqui e leia a decisão do TCU na íntegra.

2 comentários:

Aristeu disse...

Isto é incrível, um descalabro sem tamanho. Viva o Brasil
.

Angela Rinaldes disse...

e fica só na conversa,todos sabem que o hospital é um elefante branco,mas cade os culpados queremos é justiça e não bla bla bla,queremos punições,e principalmente o dinheiro devolvido.