sábado, 5 de janeiro de 2013

Crescer sem destruir

Parque Ecológico Diacuí, localizado dentro do perímetro
 urbano da cidade de Jataí-GO

Ontem, estava conversando com um primo que exerce as tão honradas profissões de pedreiro e carpinteiro (as mesmas do meu saudoso pai). Do alto de sua simplicidade e de seu conhecimento prático, ele me deu mais uma aula sobre como os governantes devem cuidar de uma cidade. Em determinado momento da conversa, me perguntou por que, em vez de permitir a construção de casas e edifícios no final Teodolino, destruindo as inúmeras minas d'água ali existentes, o poder público não criou um parque ecológico naquele local. Isso, além de preservar o meio-ambiente, criaria um grande espaço de lazer bem no centro da cidade.
Logo, me veio à mente o que ocorreu na cidade de Jataí-GO, onde morei por cinco anos na década de 80. Próximo à casa onde residi, existiam inúmeras minas desaguando num córrego. De lá pra cá, a cidade cresceu em ritmo maior do que o de Araguari. Era natural, então, que aquela área fosse dominada pela especulação imobiliária. Entretanto, o poder público daquela cidade resolveu transformá-la num belo espaço de preservação e lazer: o Parque Ecológico Diacuí (vide foto).
Nessa hora, ecoou mais forte o questionamento inicial. A destinação de área urbana valorizada economicamente a um parque ecológico atrapalhou o crescimento daquela cidade? Claro que não. A cidade vem se desenvolvendo fortemente, estando entre as cinco mais prósperas de Goiás. Já possui até um shopping. Construído pelo então Grupo Bretas, o empreendimento encontra-se em um lugar urbanística e ambientalmente mais adequado do que o destinado ao tão sonhado shopping de Araguari, que curiosamente será (será?) edificado sobre as antigas minas d'água da Teodolino.
Dessa história extraio dois ensinamentos. Primeiro, é possível crescer sem destruir o meio-ambiente. Segundo, não se pode administrar uma cidade sem ouvir as pessoas comuns.

3 comentários:

Anônimo disse...

em araguari eu nao duvido nada de que vao prolongar a teodolino até encontrar o mata boi. cidade pequena q pensa pequeno

Aristeu disse...

Carpinteiros e pedreiros honrosos como os da tua família estão em extinção como as minas.

Edilvo Mota disse...

Na cabeça de muitas pessoas que sobrevivem bajulando agentes políticos, ora cá, ora lá, somente "fazem pela cidade" aqueles que ocupam cargos públicos.

Daí a conclusão, também apequenada, de que ouvir as pessoas "comuns" é perda de tempo.

O resultado não poderia ser pior.