quinta-feira, 26 de abril de 2012

Os fins justificam os meios?


Outro tema abordado pelo ex-prefeito Miguel de Oliveira em sua coluna no Gazeta do Triângulo também merece algumas considerações. Refiro-me à parte em que o colunista fala sobre a reunião do "grupo dos doze", integrado por pré-candidatos a prefeito da cidade, entre eles: Alfredo Paroneto, Marlos Fernandes, Raul Belém e Werley Macedo.

Mais adiante, o colunista afirma que:
"Ressaltam os mesmos observadores que nunca se viu na cidade um movimento tão saudavelmente democrático quanto o desses doze (que talvez se restrinjam a dez) partidos políticos que desejam se unir. Que não é de pequena quantidade nem qualidade e tem a simpatia de duas emissoras, um dos pré-candidatos Raul ocupa cargo de relevo no Estado onde com certeza tem bom trânsito; o outro, Werley, é tido como um dos mais brilhantes vereadores e dinâmico micro-empresário. E Marlos, se ficar no esquema, foi vice-prefeito, suplente de deputado estadual e diretor de empresa do Estado. Homens que não escondem nada, não agem a portas fechadas, não oferecem cargos, e são de ficha limpa. É o que se diz."

Penso diferente. Não sou adepto da tese plebiscitária ou da teoria do "oito ou oitenta". Parece que é isso que se tenta enfiar na cabeça do eleitor. Calma com o andor, porque o santo é de barro, já diziam os mais sábios. Nem o prefeito Marcos Coelho é o diabo, nem a oposição é uma santa imaculada. Não estamos numa luta entre o Bem e o Mal. Logo, o eleitor terá a difícil missão de fugir dessa lógica maniqueísta, para, ao final, escolher o melhor para a cidade.

Não é só isso. Cismado que sou, me ponho a matutar. Será que a oposição tem realmente uma proposta diferente para a cidade? O texto de um oposicionista que até pouco tempo militava nas hostes palacianas nos deixa dúvidas. Vê-se, nos argumentos por ele manejados, que os métodos da oposição não são muito diversos dos utilizados pelo governo atual. Quer um exemplo?

O colunista afirma que o grupo de opositores têm "a simpatia de duas emissoras de rádio". Não se pode ter como trunfo esse tipo de argumento. É incoerente criticar a manipulação da mídia pelo governo e, ao mesmo tempo, vangloriar-se desse tipo de conduta. Sabe-se que a conta da conquista dessa "simpatia" da mídia acaba sendo paga pelo contribuinte durante os mandatos.

Em suma, parece-me, nessa análise inicial e superficial, que a oposição começou querendo jogar no mesmo nível ético rasteiro que o governo. Quando se nivela o jogo por baixo, perdem todos. Principalmente, o cidadão comum, que não vê sendo discutidos os temas mais relevantes do seu dia-a-dia (saúde, educação, segurança, trabalho, etc.).



2 comentários:

Anônimo disse...

Não tenho nada a discordar do seu ponto de vista Antonio Marcos.
Quando vejo uma suosta oposição ter Miguel de Oliveira como "porta voz" e se vangloriar de ter "duas emissoras de radio" em seu poder, não consigo deixar de ter caláfrios e de já esperar pelo pior em mais quatro longos anos, vença quem vencer... Ainda há tempo neste proximo mes para que a oposição repense suas estratégias e nos apresente um bom e novo projeto de cidade, mas se continuarem com esse nivel de "trabalhos", sinto muitissimo em constatar que trocaremos o seis pelo meia dúzia...

Atenciosamente.
Riberto de Sousa Junior.

Aristeu disse...

É doze contra um e, por incrível que pareça, devem apanhar.