sábado, 17 de dezembro de 2011

Pacto

Estou impressionado com a incapacidade do governo em tratar corretamente o funcionalismo público. Não quero dizer que o município deva ser uma "mãe" para os funcionários, concedendo-lhe direitos indevidos. Não é isso. O que nós, cidadãos, queremos ver é um governo que respeite e valorize os funcionários, deles exigindo, em contrapartida, uma boa prestação de serviços.
Nesse ponto, constato que Araguari carece de uma política de pessoal. Faz-se necessário criar instrumentos para examinar, de forma global, as relações entre o município e o funcionalismo. Essas relações, indubitavelmente, acabam se refletindo na qualidade da prestação de serviços públicos. É preciso corrigir distorções que vêm se perpetuando ao longo dos governos, todos mais preocupados em abrigar apadrinhados do que propriamente em administrar uma cidade.
Está mais do que na hora de a cidade ter um regime jurídico único para o seus funcionários. Dar tratamento isonômico a todos que estejam em igual situação jurídica é uma das pedras basilares do estado democrático de direito. Mais que isso: é preciso repensar essa forma de recrutamento de agentes públicos. Não é possível que uma administração funcione bem com tantas pessoas que nela não ingressaram por seus próprios méritos. Chega de compadrios e nepotismo! A vida da cidade não dura apenas quatro anos. Os governos passam. Ela permanece. Não faz sentido trocar a maior parte dos funcionários toda vez que mudar a chefia do Executivo. É preciso continuidade.
O mais importante. Para mudar esse quadro, basta vontade política de se libertar de amarras e de acordos espúrios feitos no palanque eleitoral. Existem leis à profusão dando o norte para o administrador público. A própria Constituição Federal traça essas balizas de atuação. Se nossos governantes cumprissem mais as leis e menos os conchavos, as "coisas" funcionariam melhor.
Por isso, servidores públicos e usuários do serviço público devem ser seletivos na escolha de seus representantes. Não se pode mais conviver com representantes inimigos do planejamento e da moralidade. Mister dar um basta aos governantes apaixonados pelo aparelhamento da máquina pública, pela leniência com os amigos e pela perseguição de eventuais descontentes. Todos nós devemos exigir dos candidatos a assunção de um compromisso sério de que, uma vez eleitos, estarão empenhados na melhoria da prestação de serviços públicos e da própria relação entre o município e os seus agentes. Sem essa espécie de pacto, nada mudará. Aliás, mudará para pior. Teremos uma queda cada vez mais acentuada da qualidade dos serviços públicos prestados pelo  município.

6 comentários:

Anônimo disse...

Muito bem vindo e explicado esse tópico, enquanto os governantes encherem de cargos de confiança e apadrinhados, a maquina nao engrenará, é fato que quem faz a " coisa " funcionar e andar é o funcionario de carreira, que ja conhece o serviço, que tem amor na profissao pq sabe que lá é seu lugar por merito e direito, e nao esses merdas de cargo de confiança que entram lá sem saber a que veio, sem conhecimento de nada e nem querem aprender, pois aprender pra quê se daqui quatro anos eu nao estarei mais aqui, em vez de trabalharem e ter amor no que fazem , não, eles vão é correr atras de seus interesses, já preocupados no que farão quando o mandato e o apadrinhamento acabar, cargo de confiança é atestado de incompetência, não deveria existir...

Anônimo disse...

Capacidade e inteligencia eu nao tenho nao, mas se eu puxar saco de um politico ou um chegado dele, ai eu consigo um emprego ou melhor, um cargo.
Daí se dá pra imaginar o naipe do funcionario que adentra num cargo publico.

Edilvo Mota disse...

Clara e precisa, como sempre, a postagem do Marcos.

De janeiro/2005 a março/2008 ocupei um cargo público (secretário municipal de saúde).

Não fui apadrinhado, nem indicado por "alianças" ou "composições". Procurei exercer o munus com empenho profissional, buscando aprimoramento técnico (curso de aperfeiçoamento na Fundação Oswaldo Cruz-FIOCRUZ) e, principalmente, tratando com o devido respeito todos os servidores de carreira.

Inobstante, já possuia experiência no setor de saúde, como administrador hospitalar e gestor de uma cooperativa de saúde, além de ter concluido (em 1997) curso de especialização (lato sensu) em Administração de Serviços de Saúde, com foco em Saúde Pública e Administração Hospitalar, pela Universidade de Ribeirão Preto.

Sempre tive a clara compreensão de que estava temporariamente no cargo e que precisaria dar o melhor da minha capacidade e dedicação.

Sai com a consciência tranquila de ter trabalhado sem medir esforços, sem emendar feriados, sem férias, sem encostar serviço ou jogar sujeira debaixo do tapete.

No dia da minha exoneração (a pedido meu) sugeri ao então prefeito, como opção, os nomes de dois servidores de carreira para me substituirem (Eduardo Braga e Gersonina Nunes, que foram valorosos companheiros de trabalho e meus colegas no curso da Fiocruz). Minha sugestão não foi acatada.

Não há dúvidas que existem, nos quadros da Prefeitura de Araguari, nas várias secretarias, inúmeros servidores com plenas condições técnica e moral de ocupar cargos de assessoria direta do prefeito (seja ele, ou ela, qual for).

Edilvo Mota disse...

Clara e precisa, como sempre, a postagem do Marcos.

De janeiro/2005 a março/2008 ocupei um cargo público (secretário municipal de saúde).

Não fui apadrinhado, nem indicado por "alianças" ou "composições". Procurei exercer o munus com empenho profissional, buscando aprimoramento técnico (curso de aperfeiçoamento na Fundação Oswaldo Cruz-FIOCRUZ) e, principalmente, tratando com o devido respeito todos os servidores de carreira.

Inobstante, já possuia experiência no setor de saúde, como administrador hospitalar e gestor de uma cooperativa de saúde, além de ter concluido (em 1997) curso de especialização (lato sensu) em Administração de Serviços de Saúde, com foco em Saúde Pública e Administração Hospitalar, pela Universidade de Ribeirão Preto.

Sempre tive a clara compreensão de que estava temporariamente no cargo e que precisaria dar o melhor da minha capacidade e dedicação.

Sai com a consciência tranquila de ter trabalhado sem medir esforços, sem emendar feriados, sem férias, sem encostar serviço ou jogar sujeira debaixo do tapete.

No dia da minha exoneração (a pedido meu) sugeri ao então prefeito, como opção, os nomes de dois servidores de carreira para me substituirem (Eduardo Braga e Gersonina Nunes, que foram valorosos companheiros de trabalho e meus colegas no curso da Fiocruz). Minha sugestão não foi acatada.

Não há dúvidas que existem, nos quadros da Prefeitura de Araguari, nas várias secretarias, inúmeros servidores com plenas condições técnica e moral de ocupar cargos de assessoria direta do prefeito (seja ele, ou ela, qual for).

Anônimo disse...

No último contra-cheque da prefeitura o vale alimentação veio com as seguintes descrições:

*Vale alimentação decisão judicial retroativo. Valor R$ 35,00

*Vale alimentação decisão judicial. Valor R$ 35,00

Com isso, a própria administração confessa que o benefício do vale-alimentação só foi creditado após a justiça ter sido acionada. Caso contrário...

Anônimo disse...

É falar em apadrinhados que me vem à cabeça o controle da dengue de Araguari onde parece que só os apadrinhados tem vez, de forma que conseguem cargos e regalias que servidores concursados de vários anos não tem, curioso isso.