quarta-feira, 28 de setembro de 2011

E o saneamento básico?

Córrego Brejo Alegre (foto extraída do Gazeta do Triângulo)
O Instituto Trata Brasil divulgou o ranking do saneamento básico no Brasil. Foram avaliadas as 79 maiores cidades do país. Maiores detalhes no site da própria organização. Reportagem sobre o assunto também foi veiculada no Bom Dia Brasil, da Rede Globo.
Segundo o Instituto, a cidade de Uberlândia é a quarta que mais investe em saneamento básico. É a segunda melhor colocada do país em termos de coleta e tratamento de esgoto. Detalhe: o serviço é executado pelo próprio município (não é estadual, nem terceirizado).
A proximidade de Uberlândia com Araguari nos obriga a entrar nesse assunto. É que, ao contrário daquela cidade, aqui o saneamento básico não é prioridade governamental. Basta olhar o córrego Brejo Alegre e o ribeirão Jordão para se confirmar o acerto dessa conclusão. Na verdade, antes de serem vistos, esses cursos d'água podem ser sentidos de longe pelo olfato. Agonizam. Tudo por causa da omissão criminosa dos nossos governantes de ontem e de hoje.
Não aceito como desculpas as afirmações de que a canalização de parte do trecho urbano do córrego e a construção de estações de tratamento (ETE's) em distritos da cidade mostram a preocupação do governo com o saneamento básico. A canalização apenas escondeu a sujeira. Não há tratamento e alguns bairros permanecem sem coleta. A construção ETE's em distritos não é prioridade, pois representam proporcional e qualitativamente muito pequena do esgoto a ser coletado e tratado. Prioridade é construir uma estação que capte e trate todo o esgoto da cidade, inclusive o industrial.
Também não aceito o argumento de que esses serviços são caros. Ora, o custo é alto para todos os municípios. Apesar da escassez de recursos, eles podem ser feitos com planejamento de longo prazo, envolvendo vários governos, numa continuidade de política pública essencial. Nem era preciso que o Ministério Público interviesse, como fez, obrigando o município a reservar uma ínfima parte de sua receita anual para realizar, num futuro incerto, essas obras essenciais. Os governantes deveriam ter agido espontaneamente há tempos. É pra isso, suponho eu, que foram eleitos.
Por fim, o mais revoltante. Enquanto a cidade não tem um saneamento básico decente, o governo torra dinheiro com "políticas" nada prioritárias. Pagam-se altos salários para prefeito e vereadores,  incompatíveis com a renda média da população araguarina. Desperdiçam-se recursos no ralo da incompetência (para não dizer da corrupção) em diversos setores, com empreiteiras, empresários da área de saúde e propaganda, por exemplo. Em suma, "viver aqui é bom demais", mas seria muito melhor se a nossa classe política fosse mais honesta e menos incompetente.

Um comentário:

Aristeu disse...

Pois é, tratar esgotos não é caro. Caro é despoluir rios.