segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Comandante do Exército vira alvo de investigação

Inquérito aponta fraudes em obras rodoviárias executadas pelos militares

General Enzo e outros sete oficiais chefiaram departamentos que fizeram convênios com Dnit entre 2004 e 2009

MARCO ANTÔNIO MARTINS
EM SÃO PAULO

     O comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, e sete generais são investigados pela Procuradoria-Geral de Justiça Militar sob suspeita de participar de fraudes em obras do Exército.
     Os oficiais comandaram o DEC (Departamento de Engenharia e Construção) e o IME (Instituto Militar de Engenharia) entre 2004 e 2009, período em que o Exército fez convênios com o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) para obras em rodovias.
     O general Enzo chefiou o DEC entre 2003 e 2007. Ele deixou o cargo para assumir o comando do Exército no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi mantido no posto pela presidente Dilma Rousseff.
     O grupo investigado inclui cinco generais que comandaram o IME e dois que chefiaram o DEC depois do general Enzo: os generais Marius Teixeira Neto, na reserva desde março, e Ítalo Fortes Avena, hoje consultor militar da missão do Brasil na ONU.
     A investigação foi aberta em maio pela procuradora Geral de Justiça Militar, Cláudia Luz, para apurar se o general Enzo e os outros que comandavam áreas envolvidas sabiam das irregularidades.
     A apuração foi um desdobramento de inquérito anterior que identificou indícios de fraude em 88 licitações do Exército para fazer obras do Ministério dos Transportes e apontou desvios de recursos públicos de R$ 11 milhões.
     À Folha, o Centro de Comunicação do Exército diz que não tem conhecimento da investigação e que "não cabe à Força e nem aos militares citados emitir qualquer tipo de posicionamento".
     Criados para atender necessidades de militares, os batalhões de engenharia do Exército são convocados com frequência para acelerar obras. Somente do Dnit, que nas últimas semanas teve quase toda a diretoria afastada por ordem de Dilma, o Exército recebeu R$ 104 milhões nos últimos cinco anos.
     As investigações mostram que um grupo liderado por dois oficiais que coordenavam os convênios no IME, o coronel Paulo Roberto Dias Morales e o major Washington Luiz de Paula, criou seis empresas para entrar em concorrências do IME com dinheiro do Dnit.
     O major Paula teria movimentado mais R$ 1 milhão em sua conta em um ano e feito 14 viagens aos EUA no período em que trabalhou com o Dnit.
     Seis militares estão sendo processados na Justiça Militar. Se condenados, poderão ser presos e expulsos da corporação. Peças do processo foram encaminhadas à Justiça Federal para que eles sejam processados ali também.

Transcrito do jornal Folha de S. Paulo, edição de 31/07/2011

Pitaco do blog
     Parte da sociedade possui a crença de que a corrupção é coisa recente no Brasil. Afirma que, durante o regime militar, não existia corrupção. Ledo engano! Naquela obscura época, o que não havia era transparência. Logo, a impressão era a de que não existiam desvios de conduta por parte dos governantes.
     Quem, como eu, viveu o dia-a-dia da caserna sabe muito bem das irregularidades existentes nas Forças Armadas. Enquanto a maioria dos militares passava dificuldades financeiras por causa dos baixos salários, uma minoria apresentava sinal de grande prosperidade. Presenciei diversos colegas sendo punidos e até excluídos do Exército por causa de desvios de recursos públicos.
     Infelizmente, a grande corrupção, como essa noticiada pela Folha, acaba não sendo devidamente punida. Como sempre, as malhas seletivas da rede punitiva só pegam os lambaris.

5 comentários:

Aristeu disse...

Que a corrupção avassala o Exército isto é certeza. Que o diga eu que tantas denúncias fiz que acabavam virando sindicâncias contra mim mesmo. Uma coisa porém é certa que o General, enquanto militar, Enzo Martins Peri, foi uma das pessoas mais patrióticas que já vi. Solteiro, digno de desconfiança em geral, casou-se com a Pátria. Não acredito no seu envolvimento a não ser que tenha mudado de perfil quando tornou-se mais político que militar.

Anônimo disse...

Nesses tempos de facebook, orkut e outros bichos, a coisa mais fácil é mudar o perfil...rs

Anônimo disse...

Aristeu, eu fui punido porque não quis elaborar os documentos de uma licitação fraudulenta para construir uma obra que já existia. Tinha que datilografar mapa comparativo de preços, ata de julgamento inexistente e contactar a empresa que iria ganhar a licitação. Fiquei quatro dias detido em 1987 por não cumprido essa "missão".
Em seguida, eu e um colega da tesouraria começamos a denunciar as irregularidades. Fizemos de forma diferente. Sempre fazendo piadinhas com fundo de verdade. Isso chamou a atenção de alguns superiores, que resolveram investigar. Resultado: o bicho pegou. Vários foram presos e alguns exluídos do EB.
Há momentos em que compensa ser teimoso e insistir para que as coisas sejam feitas de forma correta.
Compreendo e admiro a sua luta. Sei que essas irregularidades causaram grande desgaste à sua saúde. Agora, uma coisa ninguém lhe tira: a consciência tranquila. Isso não tem preço.
Marcos

Anônimo disse...

Prezados Marcos e Aristeu.

Consciência tranquila não há dinheiro que pague.

Nem ilação que apague...

EDILVO MOTA
Araguarino genérico

garliene arts disse...

Como é bom deitar e dormir tranquilo, principalmente consciência tranquila. =))