terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Picaretagem na Câmara dos Deputados (mais uma)

 Parte da cota parlamentar retornou como financiamento de campanhas
Milton Júnior
Do Contas Abertas
Parte da verba indenizatória gasta por pelo menos 42 deputados federais entre 2009 e 2010 voltou para o bolso dos parlamentares como doação nas eleições deste ano. Alguns fornecedores chegaram a doar aos candidatos a quantia exata recebida por serviços prestados em favor da atividade parlamentar. Ao todo, quase R$ 2 bilhões foram pagos nos dois últimos anos a empresas que financiaram parte das campanhas dos deputados que tentaram a reeleição em 2010.
Dos deputados que receberam doações de fornecedores, apenas 12 não conseguiram se reeleger. Entre os demais, 32 voltarão para a Câmara dos Deputados em 2011 e outros dois assumirão uma vaga no Senado. Gráficas, agências de comunicação e postos de combustível foram os estabelecimentos que mais dividiram a via de mão dupla. Mais de 80% dos R$ 636 milhões “devolvidos” na forma de doação partiram de empresas que prestaram serviços de manutenção de escritório, divulgação da atividade parlamentar e fornecimentos de combustíveis e lubrificantes.
O caso mais intrigante é o do deputado suplente Íris Simões (PTB/PR), que recebeu uma doação de R$ 8 mil da empresa de locação de veículos Cotrans. O valor, embora não esteja entre os maiores, é exatamente igual ao valor pago pelo deputado a empresa em fevereiro de 2010. Simões, que assumiu temporariamente a vaga do deputado Ricardo Barros (PP/PR), entre dezembro de 2009 e abril deste ano, não conseguiu se eleger por ter o registro de candidatura negado com base na lei da Ficha Limpa. Procurado pela equipe de reportagem, o parlamentar não retornou às ligações até o fechamento da matéria.
Quem também teve o valor da doação muito próximo ao da despesa foi a deputada Alice Portugal (PCdoB/BA), que recebeu R$ 40 mil da agência baiana de publicidade Código 5. Alice aparece no topo da lista de principais clientes da empresa, que desde 2009 recebeu da deputada cerca de R$ 42,5 mil, segundo informações do portal de transparência da Câmara dos Deputados. A deputada, reeleita em outubro, também não esclareceu a relação com a agência até o fechamento da matéria.
Ao todo, nove deputados tiveram mais de 50% da verba indenizatória aplicada em dois anos devolvida via doação. Além de Íris Simões e Alice Portugal, também aparecem na lista os deputados Wandenkolk Gonçalves (PSDB/PA), Jurandil Juarez (PMDB/AP), Wilson Santiago (PMDB/PB), Leonardo Quintão (PMDB/MG), Eduardo Barbosa (PSDB/MG) e João Almeida (PSDB/BA). Clique aqui para ver a lista completa.
Pitaco do Blog
Os parlamentares nem disfarçam mais. Apresentam recibos emitidos por determinadas empresas para receberem da Câmara as famosas verbas indenizatórias. Quando das eleições, recebem  generosas "doações" justamente dessas empresas. Tudo não deve passar de mera coincidência...
Convém lembrar que o problema não se limita à Câmara dos Deputados. Alcança o  Senado Federal, bem como o Legislativo dos estados e municípios.
Por falar nisso, fico imaginando o que deve estar acontecendo na Câmara de Vereadores. Em Araguari, é bom frisar, temos uma agravante: a falta de transparência. Com efeito, a Câmara de Vereadores, ao contrário da Câmara dos Deputados, não torna públicos os gastos com a tal verba indenizatória. Pior, quem se atreve a pedir informações a respeito, fica a ver navios, sem resposta. Devem estar ocorrendo "coisas do arco da velha" naquela Casa, mas nunca saberemos...

5 comentários:

Anônimo disse...

Esses deputados e senadores que tiveram suas campanhas financiadas por essas empresas, estarão no próximo ano defendendo os interesses do povo brasileiro ou das empresas as quais absorveram esses recursos? Alguém tem dúvidas quanto a representação política dessa corja? E para completar, ainda estão preparando um reajuste salarial. Leiam a matéria completa:
http://congressoemfoco.uol.com.br/noticia.asp?cod_canal=21&cod_publicacao=35551

Aristeu disse...

Você conhece alguém que dá sem ter recebido?

Edilvo Mota disse...

Falando em picaretas...

"Temer cobra 'cautelas verbais' se Ciro for confirmado na equipe de Dilma"

BRASÍLIA - Desafeto de Ciro Gomes (PSB), o vice-presidente eleito, Michel Temer, disse acreditar que, se for mesmo confirmado no ministério de Dilma Rousseff, o deputado terá de tomar as devidas 'cautelas verbais que o cargo exigirá'.

A incontinência verbal de Ciro irritou o PMDB ao longo dos últimos meses. Sem nenhuma reserva, o deputado costuma atacar o partido. Numa entrevista, ao comentar a aliança do PMDB com o PT para a disputa presidencial, Ciro se referiu assim aos dirigentes peemedebistas:

'Quem manda no partido não tem o menor escrúpulo. Nem ético nem republicano. Nem compromisso público. Nada.' E sobre o PMDB, ele usou esta expressão para se referir ao partido: ' É um ajuntamento de assaltantes'. Temer chegou a examinar a possibilidade de processá-lo.

Como a presidente eleita convidou Ciro para seu ministério, não restou a Temer outra alternativa a não ser desejar que o deputado contenha-se nos comentários. Quanto à decisão de Dilma, o vice comentou apenas: 'É uma escolha da presidente.' E lembrou que Ciro precisa moderar seus comentários, especialmente em respeito à presidente e a seu vice."

ELES SE MERECEM...

Edilvo Mota disse...

Dinheiro não é problema (no Congresso Nacional, claro).

Hoje, quarta-feira, suas (de quem?) excelências estão com a árdua tarefa de aprovarem AUMENTO de salários para si próprios. Uma merreca de 60% SESSENTA POR CENTO que no efeito cascata "atingirá" senadores, presidente, ministros, etc...

Definitivamente... A VIDA É BELA !

Edilvo Mota disse...

APROVADO!!!

Aprovado o aumento de remuneração de deputados, senadores, presidente, ministros, etc. Sem dúvidas, quando há "interesses" em jogo, o Congresso Nacional é diligente e célere em suas atribuições.

Quanto ao Projeto de Lei Complementar 01/2003 (regulamentação da Emenda Constitucional 29/2000) provavelmente ficará para a próxima legislatura também empurrar com a barriga (e põe barrigas nisso!!).

O orçamento da saúde continuará apertado e, com a corrupção generalizada por todo canto, sempre haverá a desculpa de que um erro (canalhice, roubo de dinheiro público) justifica outro (inadequação orçamentária).

Enquanto isso, pululam pelo país operações tartaruga, filas, falta de leitos, mortes e muito, muito palpite sem fundamentação.

Feliz Natal, senhores congressistas. E um PRÓSPERO e RICO Ano Novo...