segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Carrinho de Compras: Presidência prepara “chá de panela”

Para renovar os itens de copa e cozinha da Presidência da República, o governo federal reservou no orçamento cerca de R$ 80,8 mil nesta semana. O montante cobrirá despesas com pratos, taças, copos, xícaras, pires, jogos de talheres, garrafas térmicas, jarras, bombonieres, panelas, bules, picador de legumes, dentre outros itens que compõem o novo complexo culinário que espera a futura presidente Dilma Rousseff. É um verdadeiro “chá de panela”, tradicional prática que tem como objetivo ajudar casais de noivos a mobiliar a cozinha.
 Além disso, a Presidência pretende comprar 29 fragmentadoras de papel um cesto removível que comporte, no mínimo, 30 litros. As máquinas sairão por pouco mais de R$ 62 mil. Não se sabe ainda que tipos de papéis serão aniquilados.
Na Câmara dos Deputados, um desinformado pode até achar que a festa junina de
2010 não acabou ou que a de 2011 será antecipada. Isto porque o órgão irá comprar 600 bandeiras de papel, ao custo unitário de R$ 1,50. Enquanto os deputados festejam com bandeirinhas, o Senado se prepara para o natal. Por pouco mais de R$ 9 mil, a Casa contratará mais uma vez a maestrina Glicínia Mendes, para conduzir o coral do senado, no período de 08 de novembro a 31 de dezembro de 2010. Com o período de apresentações já pré-agendado, vale conferir os concertos do coral neste fim de ano.
Outra profissional contratada pelo Senado durante a última semana foi a escritora e professora Margarida Patriota. Ela ficará responsável por realizar pesquisa, produção e apresentação de um programa semanal para a Rádio Senado, intitulado “autores e livros”. De acordo com o documento de empenho, o custo do serviço será de R$ 6,4 mil. Além disso, o Senado pretende adquirir 28 medalhas douradas ao custo total de R$ 1,9 mil. O documento de empenho (reserva no orçamento) infelizmente não traz detalhes sobre os agraciados.
No Judiciário, a aquisição mais cara da coletânea de curiosidades veio do Superior Tribunal Militar (STM). A Corte vai comprar novos veículos oficias por R$ 215 mil. Serão comprados quatro automóveis Ford Focus Sedan. Os carros virão com todos os adicionais a que tem direito um bom comprador: ar condicionado, freios a disco com ABS, encosto de cabeças dianteiros e traseiros, vidros elétricos, air bags, brake light no vidro traseiro, aparelho de som, relógio digital, tapetes e película protetora de raios solares. E o melhor, motor 2.0, flex e automático.
Outros tribunais foram mais modestos, mas não menos curiosos. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), por exemplo, reservou quase R$ 3,5 mil para a compra de 200 guardanapos em tecido branco, para não fazer feio na hora da refeição. Já no Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal, tempo é dinheiro – R$ 880 para ser mais exato. Este é o valor que será pago por um relógio digital de parede com quatro dígitos, que deverá estar visível para aqueles que estiverem a até 20 metros de distância do aparelho.
Para finalizar, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) quer 150 novas poltronas giratórias. O preço varia entre R$ 380 e R$ 650 cada, mas ao todo será desembolsado cerca de R$ 70,5 mil. Com esse ambiente confortável, resta desejar um bom trabalho aos servidores do tribunal. 

Fonte: http://contasabertas.uol.com.br/WebSite/Noticias/DetalheNoticias.aspx?Id=335

Pitacos do blog:
Sobre o tal chá de panela, presenciei, em Brasília, no início de 1999, um diálogo interessante. Na época, Joaquim Roriz assumia o governo em substituição ao ex-governador Cristovam Buarque. No restaurante do Palácio do Buriti, uma funcionária do novo governo, em tom de deboche, criticava a qualidade dos materiais usados pelo governo anterior. Em certo ponto, ironizou o fato de o ex-governador usar toalhas de rosto que, de tão velhas, "nem serviam para pano de chão.".  
Acredito que a história fez justiça neste caso. Enquanto Cristovam construiu um carreira política pautada na ética, Roriz envolveu-se em diversas irregularidades na vida pública. É óbvio que Roriz enriqueceu-se no poder e jamais receberá uma  punição judicial proporcional aos seus crimes, mas é um alento saber que ele, pego que foi pela Lei da Ficha Limpa, dificilmente voltará a ocupar cargo político.
De qualquer forma, a notícia do Contas Abertas mostra a forma como agem os detentores do poder, pouco importando a opção político-partidária. Eles atuam como se o dinheiro público fosse particular. Obviamente, se o dinheiro fosse deles, não agiriam assim. É, então, uma espécie de furto consentido do dinheiro público.

2 comentários:

Aristeu disse...

São itens necessários ao Bolsa-Mandatários.

Edilvo Mota disse...

Deslumbramento, "companheiro"...

apenas deslumbramento...