quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Mulher é presa suspeita de fazer aborto dentro de casa, em BH

Samu teria sido chamado para atender à ocorrência de hemorragia.
Feto foi encontrado enrolado em toalhas em cesto de roupas sujas.

Do G1 MG
Uma mulher de 37 anos foi presa nesta quinta-feira (27) suspeita de ter feito aborto dentro de casa, no bairro Tupi, região norte de Belo Horizonte. De acordo com a Polícia Militar (PM), o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado para atender a uma ocorrência de hemorragia, mas quando a equipe chegou ao local suspeitou de aborto por causa de um grande rastro de sangue que saía do banheiro.
Um enfermeiro teria visto o feto, de aproximadamente seis meses e do sexo masculino, enrolado em toalhas dentro do cesto de roupas sujas. A suspeita foi encaminhada ao Hospital Sofia Feldman, no mesmo bairro, para fazer curetagem da placenta no útero. A PM disse que o feto foi removido para o Instituto Médico-Legal (IML) de BH e a ocorrência encaminhada à 22ª de Delegacia de Polícia Civil. Assim que a mulher tiver alta será conduzida à delegacia.
Fonte: http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2010/10/mulher-e-presa-suspeita-de-fazer-aborto-dentro-de-casa-em-bh.html

Pitaco do Blog:
Taí o porquê de o aborto ser uma questão de saúde pública. Quem comete aborto, em regra, não é um bandido irrecuperável. Sabendo que é crime e que poderá ser presa, nenhuma mulher procura o serviço público de saúde. Ou, quando procura, inventa uma mentira, como fez essa mulher para manter a própria saúde sem ser presa. Se ela fosse rica, bem, aí seria diferente. Procuraria um médico de confiança numa clínica particular. Nesse caso, o  aborto não seria crime nem existiria nas estatísticas oficiais.
É essa a hipocrisia existente no país e que, graças à interferência de grupos religiosos e o medo eleitoral dos candidatos à Presidência, deixou de receber um tratamento adequado. Ninguém teve coragem de dizer que nem tudo que é pecado é crime. Ou que nem tudo que é pecado precisa ser apenado com prisão. Ou ainda que mesmo uma mulher criminosa tem direito de ser atendida dignamente na rede pública de saúde.
Com isso, mantivemos a postura idiota de fingir que não vemos mulheres perdendo a vida por causa de abortos mal feitos. Enfiamos a cabeça na terra para não vermos o que se passa ao nosso redor. Tudo supostamente por causa de dogmas. Ora, o racional e o espiritual precisam ser ponderados. Um não pode aniquilar o outro. Agir assim é renegar o processo civilizatório.
Pois bem, se nem todo padre é pedófilo e nem todo pastor é um estelionatário da fé, igualmente nem toda mulher que pratica aborto é criminosa. Se todos são livres e iguais e se o Cristianismo manda perdoar aos pecadores, por que o Estado não pode dar um tratamento digno a quem, em circunstâncias extremas, pratica o aborto?

2 comentários:

Aristeu disse...

O aborto provocado pelo simples arrependimento da relação feita será sempre um crime na ordem natural da vida e, às vezes, a pena é imediata, pois é oriunda da causa e efeito, mas isto não impede, de maneira alguma, a assistência à infratora, tanto por parte do Estado ou da sociedade.

Edilvo Mota disse...

O aborto não deveria, de fato, ter tomado conta da campanha eleitoral e menos ainda dos debates na tv.

Questão de saúde pública que envolve também fatores psicológicos, socioeconômicos e religiosos, requer tempo para o aprofundamento da discussão. Sob risco de desaguar no sensacionalismo.

Falando em Saúde Pública, continuamos aguardando - pacientemente - que o Congresso Nacional (com tiriricas e tudo mais) aprove o PLC 01/2003 para garantir um orçamento realista para o SUS. E que as câmaras municipais, com suas vetustas comissões de saúde, fiscalizem o uso do dinheiro público.