sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Mais um Presente de Aniversário para a Cidade

Aniversário da cidade chegando. Tem mais um presente para o povo. Basta ler a edição de hoje do Gazeta do Triângulo. Lá, podemos ver o caos em que mergulhou (mergulharam) a saúde pública em Araguari.  Quem são os responsáveis por isso?
Para encontrá-los, temos que fugir das respostas simplistas. Nada de culpar o político "A" ou o "B". A culpa é de todos eles. Mas é também nossa. Fomos nós quem escolhemos mal os administradores da cidade. Por um motivo ou outro, acabamos vendendo nosso voto em troca de migalhas e favores pessoais. O interesse público? Fugimos dele...
Irregularidades na construção do "Hospital Municipal". Péssimo atendimento no Pronto Socorro Municipal e nos Postos de Saúde. Contratos escusos com os hospitais particulares, clínicas e laboratórios. Falta de manutenção de equipamentos básicos. Falta de profissionais de saúde. Descumprimento de jornada de trabalho pelos médicos. Enfim, péssima gestão. Esses são os presentes que os nossos governantes vêm dando à cidade.
Vejam a reportagem:
 
Sem receber da prefeitura, Santa Casa cancela cirurgias eletivas pelo SUS
por Fabryne Obalhe

A área da saúde que é um dos principais setores, senão o mais importante dentro da máquina da administração pública é sempre motivo de discussões e polêmica. Esta semana surgiram pela cidade boatos de que os médicos da Santa Casa de Misericórdia estavam se negando a realizar atendimentos pelo SUS - Sistema Único de Saúde -, mas a situação parece não ser bem assim.


Procurado por nossa equipe de reportagem, Alfredo Paroneto, médico e provedor da Santa Casa de Misericórdia, explicou que os atendimentos aos pacientes encaminhados pelo Pronto-Socorro Municipal; os casos de urgência e emergência; partos e UTI estão todos funcionando normalmente, com exceção das cirurgias eletivas (aquelas que são agendadas; procedimento, que não é considerado de urgência). Isso porque, segundo ele, a prefeitura está em dívida com o hospital: “Na verdade, estamos reduzindo as cirurgias eletivas por uma contenção de gastos, devido ao fato de que a prefeitura tem um débito conosco, relativo a este ano, de mais de R$ 500 mil. E para um hospital que tem um faturamento pequeno e que sobrevive com mais de 80% do SUS, quando não recebe do município realmente a dificuldade é grande. Até porque além desse valor existe ainda a dívida do governo anterior que também não foi paga, e que chega a aproximadamente R$ 400 mil. Independente de qual tenha sido a gestão, essa dívida chega a quase 1 milhão de reais”.


Para demonstrar sua opinião e em nome de toda classe médica da Santa Casa ele citou um velho ditado popular: ‘casou com a viúva, tem que cuidar dos filhos’. Então, se assumiu a prefeitura com dívida tem que honrar, porque o que nós honramos, cumprimos. Isso tudo nos deixa preocupados com o futuro em relação aos pacientes do setor público. A Santa Casa vai continuar sobrevivendo até porque é uma instituição que só vem crescendo no conceito em toda região, mas infelizmente, precisamos receber o que a prefeitura nos deve. Não há mais como esperar,” desabafou Alfredo Paroneto.


De acordo com ele, apenas a boa vontade dos médicos não basta. “Fazemos nossa parte, mas infelizmente a saúde tem custos. É preciso comprar material, medicamento, instrumental, comprar todos os equipamentos porque a tecnologia evolui muito rápido e é preciso acompanhar essa tecnologia para dar segurança aos profissionais e ao paciente e isso custa caro”, frisou Paroneto.


A expectativa é que as autoridades locais, os poderes executivo e legislativo, vejam a situação com responsabilidade e resolvam o problema. “Sabemos que todas as áreas de abrangência do município são importantes, mas também percebemos o descrédito e o descaso para com a área da saúde de Araguari. Infelizmente, notamos isso em todos os governos que passam. Mudam-se os governantes, mas a precariedade com a saúde continua, e a população está vendo essa dificuldade a cada ano. É preciso, antes de tudo, mudar essa visão com relação à saúde pública de Araguari, valorizando a vida humana, coisa que os políticos da cidade não têm feito”, destacou o médico. 


Para encerrar, Alfredo Paroneto garantiu que a volta aos atendimentos, especificamente aos casos cirúrgicos eletivos, somente será imediata se a prefeitura efetuar o pagamento das dívidas.


A Santa Casa


Nos últimos anos a evolução e o crescimento da Santa Casa de Misericórdia em Araguari foram notórios. A instituição cresceu de forma assutadora e positiva. Hoje, a unidade oferece aos pacientes UTI Adulto, UTI Neo-Natal, qualidade nos atendimentos e vêm salvando vidas. Um cenário completamente diferente do que se via na cidade, quando crianças, homens, mulheres, enfim, cidadãos, morriam dentro de ambulâncias e onde também gestantes chegaram a dar à luz. Inúmeras vezes pacientes saiam de Araguari em busca de uma vaga em cidades vizinhas, como Uberlândia.
Fonte: http://www.gazetadotriangulo.com.br/site/index.php?option=com_content&task=view&id=13104&Itemid=29

2 comentários:

Aristeu disse...

Incrível, a gente os coloca lá para administrar e é isto que fazem?

Edilvo Mota disse...

A jornalista simplificou uma questão complexa. A falta de compromisso das sucessivas administrações municipais com a Saúde é notória.

Porém, em relação à UTI Neonatal e Adulto não aconteceram por obra exclusiva da Santa Casa.

Foram financiadas com recursos do governo do estado de Minas Gerais, através do PRO-Hosp (Programa de Melhoria da Qualidade dos Hospitais do SUS em Minas Gerais), concebido na gestão Aécio Neves. Os investimentos deveriam ter sido feitos no hospital municipal, que por conta de falhas, erros e omissões (e, aparentemente, fraudes também) não entrou em funcionamento.

E a instalação de qualquer equipamento público de saúde somente ocorre por iniciativa da gestão municipal do SUS, após aprovação do Conselho Municipal de Saúde e da CIB (Comissão Intergestores Bipartite, composta por secretários municipais e membros da Secretaria de Estado da Saúde).

Sem hospital público, a opção seguinte era mesmo a Santa Casa, por se tratar de instituição filantrópica (em consonância com a Lei 8080/90, Lei Orgânica da Saúde).

A administração municipal vem falhando, desde o início (inclusive no período em que atuei como gestor do SUS), no cumprimento do repasse de recursos próprios (do Tesouro Municipal e não do SUS) para suplementar a tabela do SUS e complementar o custeio das UTI's. Foi compromisso assumido pela Prefeitura que teima, de longa data, em não cumprir o cronograma.

Como nunca há fiscalização, inclusive da Comissão de Saúde da Câmara, resta a briga de foice entre prestador de serviço e administração municipal. De mais a mais, a preocupação das empresas privadas do setor de saúde com o SUS costuma terminar exatamente na boca do caixa.

A Saúde continuará, pelo visto, um bom tempo refém de interesses privados, em detrimento do interesse público. E vítima da demagogia e do despreparo de quem se arvora a comentar um assunto que não domina.