quarta-feira, 19 de maio de 2010

Panfletos

Panfletos: o tema da moda. Segundo o Dicionário Michaelis, panfleto seria folheto ou pequeno livro, especialmente sobre assuntos políticos, em estilo violento. Em Araguari, grupos políticos, ao que tudo indica, estão se valendo desses folhetos para falar mal de seus opositores.
Os desdobramentos desse tipo ação política merecem ser singelamente examinados.
É inegável que toda pessoa possui direito de manifestar seu pensamento, suas idéias. Essa é uma conquista do processo civilizatório, da qual não se pode mais abdicar. Afinal, não convém o retrocesso.
Por outro lado, não se pode admitir que pessoas se valham do anonimato para desabonar a conduta de outros indivíduos, imputando-lhes a prática de crimes ou de atos contrários à moral. Nesse ponto, o ato de confeccionar e espalhar panfletos apócrifos deve, sim, ser severamente repreendido pelos órgãos de controle: Polícia Civil, Poder Judiciário e, se for o caso, até mesmo pelos partidos políticos.
Fixada essa idéia, há outro ponto igualmente relevante: o que fazer com as informações constantes dos panfletos?
Excluindo-se algumas imputações relativas exclusivamente à vida privada dos difamados, restam acusações de práticas de irregularidades relacionadas ao exercício de atividades públicas. Essa parte, independentemente de o panfleto ser apócrifo ou não, deve ser investigada pelas instâncias competentes: Polícia Civil, Ministério Público e Câmara de Vereadores. Na mesma linha, a imprensa, enquanto quarto poder, deve aprofundar o exame do quanto veiculado num folheto da espécie.
Tive acesso a um desses panfletos, justamente o que ataca a reputação e a conduta de membros do atual governo ou de sua base de sustentação. Verifiquei que algumas das acusações, embora se referindo à vida privada dos supostos difamados, podem, sim, ter ligações com o exercício da função pública, atraindo, assim, o interesse de todos nós, cidadãos. Óbvio: uma afirmação contida num panfleto anônimo, sozinha, não possui aptidão jurídica para condenar aqueles a quem se imputa uma conduta ou atributo, mas, corroborada por outras informações, pode sim ser útil à fiscalização da atuação dos agentes públicos.
Prometo voltar ao tema, falando sobre algumas das acusações veiculadas no dito panfleto.

3 comentários:

Aristeu disse...

No período eleitoral não se pode levar em conta quase toda a maioria dos panfletos, muito menos os apócrifos. Num período de mentiras a verdade se ausenta. Durante o cotidiano sim devemos procurar apurar denúncias mesmo que anônimas, pois num país de insegurança não se pode por à prova o único pescoço que temos. Não é covardia, mas não se pode ser valente quando o inimigo é maioria.

Edilvo Mota disse...

Repudio a forma. Não questiono o conteúdo.

Anônimo disse...

Com uma imprensa comprada onde não se ouve nada de verdadeiro
nós o povo temos que contar com cartinhas anônimas para saber o que realmente acontece na cidade
uma lastima chegar a esse ponto