terça-feira, 27 de abril de 2010

Raio-X da Saúde Pública em Araguari

Não sou especialista na área da saúde pública. Falo como simples cidadão, talvez movido pela indignação em ver o atual estado de coisas.
Em dez itens, articulo as falhas visíveis na gestão da saúde pública do município:
1º o Pronto Socorro Municipal não consegue atender à demanda. Faltam-lhe pessoal e equipamentos;
2º o Hospital Municipal ainda não entrou em funcionamento. Além das graves irregularidades ocorridas na sua construção, contribui para essa demora (talvez, impossibilidade) a ausência de recursos humanos e materiais para fazê-lo funcionar;
3º o corporativismo de parte da classe médica impede que o serviço seja prestado com qualidade. É comum o descumprimento das jornadas de trabalho por alguns médicos. É a política do quanto pior, melhor, empurrando os pacientes para o setor privado ou, literalmente, para a cova;
4º a má gerência dos recursos humanos, caracterizada pela falta de aplicação dos princípios hierárquico e disciplinar, permitindo a impunidade de falhas funcionais, a exemplo do não-cumprimento das jornadas de trabalho por alguns médicos;
5º o Secretário de Saúde costuma não comparecer à Secretaria, preferindo desempenhar suas funções diretamente em seu consultório particular na Clínica Santa Marta, onde costuma despachar e praticar atos administrativos;
6º a Secretaria não consegue sequer realizar uma licitação para contratar cirurgias de catarata, sujeitando os cidadãos (seres humanos) a aguardar por mais de um ano numa fila cada vez maior;
7º o Município está refém dos hospitais, clínicas e laboratórios privados, na medida em que não consegue prestar, diretamente, serviços básicos de saúde. Pior: essa dependência tende a se ampliar cada vez mais, sobretudo em relação à Santa Casa de Misericórdia, entidade supostamente sem fins lucrativos, que vai se enriquecendo às custas dos recursos de convênios;
8º com a conivência dos gestores, alguns estagiários da Unipac desempenham, indevida e isoladamente, funções que deveriam ser exercidas por médicos, colocando em risco a própria população. Pior que isso: os médicos continuam recebendo como se estivessem, eles próprios, realizando o atendimento;
9º falta de humanização do atendimento ao público, ocasionando excessiva demora e, até mesmo, a morte de pacientes sem atendimento dentro do Pronto Socorro Municipal;
10º a indevida ingerência do poder político no setor, sobretudo por parte da Presidente da Câmara, que indicou e vem garantindo a manutenção no cargo de um secretário de saúde que, convenhamos, não vem desempenhando a contento as importantes atribuições da Pasta da Saúde.
É isso! 

3 comentários:

Aristeu disse...

Um bom gerente nada consegue fazer se não tem pessoal qualificado e com interesse. Entenda por qualificado não apenas na área específica, pois o quesito "amor" deve ser exigido aonde a lide como alvo está o ser humano e a vida de um modo geral. A Saúde, mesmo com o saneamento destes dez itens, sofrerá uma maquiagem, mas a necessidade é de uma cirurgia reparadora profunda, como aquela que mudou toda a face de uma pessoa certamente com a lanternagem total do coração.

Edilvo Mota disse...

No próximo dia 30/04, a partir das 08h00 será realizada a Conferência Municipal de Saúde.

O evento acontecerá no auditório do 11º Batalhão de Engenharia do Exército.Sem dúvida, um bom reforço.

As anteriores, realizamos no auditório (antiga capela) da Unipac, com acesso livre ao público pela porta que dá acesso à Av. Minas Gerais.

Torçamos para que o evento traga boas novas e que todos os interessados compareçam (especialmente as autoridades públicas).

Edilvo Mota disse...

"Governo Municipal: Saúde e Desenvolvimento têm novos titulares 01-05-2010, por Fabryne Obalhe (jornal Gazeta do Triângulo)

A prefeitura de Araguari terá novidades no seu secretariado desde o início da próxima semana. A partir de segunda-feira, dia 3, as pastas de Saúde e Desenvolvimento serão dirigidas por novos secretários, melhor dizendo, secretárias.

De acordo com o prefeito Marcos Coelho (PMDB), o então titular da Saúde, Dílson Martins de Deus, pediu afastamento considerando que suas atividades frente à pasta e em seu consultório exigiam dedicação integral e, para melhor cuidar de seus pacientes, o médico deixou a secretaria."

Comentário: o ex-secretário levou 16 meses para se mancar que não daria pra "administrar" a secretaria de saúde sentado na cadeira do consultório particular. Houvesse um mínimo de consciência, devolveria aos cofres públicos o dinheiro do salário recebido, sem a respectiva contraprestação de serviços.

* Boa sorte à Iara.