sábado, 17 de abril de 2010

Estranhos gastos com publicidade e propaganda

Pelo que se vê, a Prefeitura vem sendo extremamente generosa com a imprensa da cidade. Segundo informações de André Fernandes, da Rádio Onda Viva, o município gastou, no mês de março, quase 90 mil reais com publicidade e propaganda. Isso merece algumas considerações.
Primeiro, é um gasto muito alto. Para se ter idéia, as 10 UTIs adulto da  Santa Casa custarão 75 mil reais por mês aos cofres públicos. Logo, gastando menos com publicidade e propaganda, seria possível, por exemplo, ampliar esse número de UTIs.
Segundo, essa área é uma das mais usadas para a prática de corrupção. Basta citar o caso de Marcos Valério e o Mensalão Petista. Aqui em Brasília, o Mensalão do DEM também foi irrigado por dinheiro vindo da corrupção na área de publicidade e propaganda do Governo.
Terceiro, a forma como alguns jornais e emissoras de rádio atuam em Araguari demonstram uma certa subserviência em relação ao Poder Público. Para se ter idéia da situação, basta dizer que alguns jornais conseguem se manter no mercado tão somente com o dinheiro vindo do município, podendo abrir mão, inclusive, da receita com a venda de exemplares em bancas.
Quarto, como indício de que esses gastos são, no mínimo, estranhos, tivemos a informação de que responsáveis pela linha editorial de dois jornais da cidade receberam, em mãos, generosos cheques de agentes da Prefeitura.
Talvez esses fatos e indícios expliquem o porquê desses gastos...

4 comentários:

Aristeu disse...

Pra mim a melhor propaganda seria a Prefeitura e a Câmara exigir que todo eleitor participasse, pelo menos uma vez ao ano, de uma sessão plenária legislativa. Em tal local dá pra se apreciar todas as atividades políticas. Para tanto a Câmara deveria ter um Auditório para cerca de 2.000 eleitores, não sei se tem. Estes 90 mil seriam bem gastos em sorteios de 3.000 reais aos presentes a cada reunião. A mais justa devolução ao donatários do Serviço Público.

Marcos disse...

A sua idéia é excelente, Aristeu. É preciso não só dar condições para o povo assistir às sessões da Câmara, mas também fomentar a participação.
Na verdade, a idéia de participação encontra previsão em diversas leis e na própria Constituição, mas o poder público acaba não concretizando esse direito. Acho que ninguém quer ser controlado.

Edilvo Mota disse...

Prezados...

gentilezas e benesses com órgãos de imprensa são tradição; o problema é quando alguém fica fora da partilha.

Histórias não tão antigas de custeio de festinhas estudantis pelo erário também alertam para práticas, digamos, pouco ortodoxas de gastos com recursos públicos.

Por falar nos dez leitos de UTI, recém inaugurados, pululam (me permita, Aristeu) outdoors noticiando a "conquista", como se fosse obra da atual administração.

Na verdade, esse projeto foi elaborado em 2007, aprovado pela CIB (Comissão Intergestores Bipartite) em reunião realizada em Araguari, em agosto daquele ano, e seguiu o curso normal, dentro do roteiro do SUS. Não se trata de "conquista" deste ou daquele governo, mas sim de uma decisão conjunta da gestão do SUS (município e estado).

Enquanto isso, a gestão municipal do SUS ainda não se dignou a explicar o episódio da morte, na última terça-feira, de um cidadão, na porta do pronto socorro municipal, sem que tivesse sido atendido.

Há prioridades e prioridades...

Alessandre Campos disse...

A Rádio Araguari duplicará sua potência, nos próximos dias, com a inauguração do Palácio do Rádio, como seus funcionários o chamam. Será uma referência a origem do dinheiro que o construiu? Só resta saber qual o Palácio beneficiou essa construção...

Com a troca dos transmissores as ondas da Rádio Araguari ultrapassará o Distrito Federal, bem como poderá ser ouvida pelo mundo inteiro via internet.

Outro fato muito interessante é como sobrevive o Jornal Correio de Araguari sem a venda dos exemplares e com a minguada veiculação de publicidades particulares e, principalmente, sem a conta para veicular publicidades da prefeitura, sendo que o Jornal vencedor da licitação para esse fim foi o Gazeta do Triângulo.

Outro fato a ser explicado é funcionários públicos (executivo e legislativo) prestarem serviços a emissora de rádio e de jornal em pleno expediente ou serem funcionários destes órgãos de imprensa.

E por que estes veículos de imprensa perseguem tantos os funcionários públicos concursados? Imagina se existissem apenas funcionários de confiança nos órgãos públcos...