quarta-feira, 31 de março de 2010

Jogando as prioridades no lixo


O Poder Público vem cuidando, como deve, do lixo produzido na cidade? Pelo que se vê na foto acima, mostrando trabalhadores vasculhando o lixo do aterro sanitário em busca da própria sobrevivência, a resposta parece ser negativa.
Além da fotografia, que fala por si só, este blog recebeu informações de que a Prefeitura não vem exercendo o devido controle sobre o local e as atividades nele exercidas. Tal descontrole deve-se, em grande parte, à denominada política de contenção de gastos (será?!) do novo (já não novo) governo.
Explicando melhor, com a desculpa de direcionar os recursos para outras prioridades (algumas discutíveis), o governo, por exemplo, deixou de prestar, via terceirização, o serviço de vigilância armada no local. Com isso, perdeu-se o controle de quem tem acesso ao aterro e de que materiais são ali descarregados.
Além disso, com a rescisão pela Prefeitura do contrato de locação do imóvel que era a sede da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Araguari (ASCAMARVA), os catadores vinculados a essa associação passaram o buscar o seu sustento diretamente no aterro.
A questão, sem dúvida, merece uma melhor atenção por parte dos órgãos competentes da Prefeitura e do próprio Ministério Público. Isso porque a experiência tem demonstrado que o descontrole das atividades desenvolvidas nos denominados "lixões" acarretam diversos problemas, tais como: submissão de trabalhadores a condições degradantes, utilização de trabalho infantil, danos ambientais, surgimento de invasões próximas aos aterros por pessoas que sobrevivem às custas da coleta de lixo.
A pergunta que fica é a seguinte: Por que um governo que gasta milhões enriquecendo os empreiteiros responsáveis pelo péssimo serviço de coleta de lixo da cidade não pode subsidiar uma  modesta associação destinada a reciclar materiais e a garantir a sobreviência de seus associados?

2 comentários:

Anônimo disse...

O NOVO MODELO nos ensina tmb a cuidar do meio ambiente
Um exemplo perfeito de como ser ecologicamente correto

Aristeu disse...

Aproveitando o tema não posso deixar passar em branco alguns versos a este respeito.
No ano de 2.009 Manuel Bandeira foi o escritor comemorado na Feira de Parati. Cedi alguns versos e os abaixo transcritos figuraram num compêndio distribuído gratuitamente na referida Semana da Literatura, além do seguinte Portal: http://www.scribd.com/doc/17083399/Jornal-de-Debates-FLIP-2009-Edicao-nro-1

RESPOSTA A MANUEL BANDEIRA


“Vi ontem um bicho / Na imundície do pátio / Catando comida entre os detritos./ Quando achava alguma coisa, / Engolia com voracidade. / O bicho não era um cão, / Não era um gato, / Não era um rato. / O bicho, Meu Deus, / Era um homem.” – Manuel Bandeira (1886-1968)


Após tanto tempo, óh Manuel, / Da sua indignação, / Quero que chegue aos Céus / A atual situação: / Agora somos canibais, / Quando milhões vivem ao léu / Nutrindo-se das lixeiras de hospitais. / No seu tempo uma civilização / Surgia em torno de uma igreja. / Hoje é em torno do lixão / Onde o Governador beija e verseja. / Ratos e moscas varejeiras, / Cruz sanitária do seu amigo Osvaldo, / Hoje não é mais sujeira. / O que diz o último laudo? / É o “humanae habitat” ou nicho. / Desenvolvemos raças de cães / Que nem vivem mais como bichos, / Mas para os homens nem pães: / Continuam comendo lixo. / Não têm nem mais a vaca como mãe / E o estoque de restos tá mixo. / Inúteis transgênicos e genoma / Com lucros enormes e não fixos. / Deus cria a vida e o doutor toma / Registrando inclusive a patente. / Desnutridos e em estado de coma / Ironia cada vez mais latente. / Cadê o ensinamento de Roma? / Qu’eu num traGO MORRA, / Dando adeus aonde o diabo SÓ DOMA. / Enquanto persisto nesta zorra / Carrego uma triste verdade: / A que como como um frade.