quarta-feira, 31 de março de 2010

Jogando as prioridades no lixo


O Poder Público vem cuidando, como deve, do lixo produzido na cidade? Pelo que se vê na foto acima, mostrando trabalhadores vasculhando o lixo do aterro sanitário em busca da própria sobrevivência, a resposta parece ser negativa.
Além da fotografia, que fala por si só, este blog recebeu informações de que a Prefeitura não vem exercendo o devido controle sobre o local e as atividades nele exercidas. Tal descontrole deve-se, em grande parte, à denominada política de contenção de gastos (será?!) do novo (já não novo) governo.
Explicando melhor, com a desculpa de direcionar os recursos para outras prioridades (algumas discutíveis), o governo, por exemplo, deixou de prestar, via terceirização, o serviço de vigilância armada no local. Com isso, perdeu-se o controle de quem tem acesso ao aterro e de que materiais são ali descarregados.
Além disso, com a rescisão pela Prefeitura do contrato de locação do imóvel que era a sede da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Araguari (ASCAMARVA), os catadores vinculados a essa associação passaram o buscar o seu sustento diretamente no aterro.
A questão, sem dúvida, merece uma melhor atenção por parte dos órgãos competentes da Prefeitura e do próprio Ministério Público. Isso porque a experiência tem demonstrado que o descontrole das atividades desenvolvidas nos denominados "lixões" acarretam diversos problemas, tais como: submissão de trabalhadores a condições degradantes, utilização de trabalho infantil, danos ambientais, surgimento de invasões próximas aos aterros por pessoas que sobrevivem às custas da coleta de lixo.
A pergunta que fica é a seguinte: Por que um governo que gasta milhões enriquecendo os empreiteiros responsáveis pelo péssimo serviço de coleta de lixo da cidade não pode subsidiar uma  modesta associação destinada a reciclar materiais e a garantir a sobreviência de seus associados?

sábado, 27 de março de 2010

Pinóquio e a Bonequinha de Pano

História: salvar ou deletar?

Os jornais da cidade trouxeram um interessante embate entre aqueles que batalham pela preservação da história e da cultura araguarina e aqueles outros que amam a poeira da implosão de prédios históricos e a terra que cobre os trilhos do nosso passado. Refiro-se aos textos de Edmar César e Paulo Bolsas, publicados, respectivamente, nos jornais Gazeta do Triângulo e Correio de Araguari.

E aí, leitor, com quem está a razão?

Veja os textos:

O silêncio dos trilhos

Edmar César

Ainda levarei um bom tempo para entender o porquê de tanto descaso com os bens que compõem o patrimônio histórico de um Município. Quero crer que a causa de tudo isso seja o desconhecimento da própria história. Ou quem sabe, do sabor temporário do “direito absoluto” em poder tomar decisões ao bel-prazer em detrimento aos anseios coletivos. Enquanto ali e alhures muitos lutam pela preservação, manutenção e resgate dos valores históricos – que são a palavra de ordem do mundo contemporâneo, seja de um espaço físico, de um prédio, de um dormente, de uma linha de trem, de um prego, sei lá, outros desfazem 100 anos de história, resumindo-os em poeira da estrada. Utilizando máquinas pesadas de terraplenagem, em poucas horas de trabalho derrubam muros, rasgam o solo e enterram trilhos, sem se darem conta da gravidade do soterramento de marcos indeléveis e históricos. Ligados tão somente a lampejos ilusórios em busca do crescimento urbano não indo além do conhecimento restrito da história local, desconhecem o valor imaterial, intangível, sem medidas, que transcende nossa imaginação conquistado com luta, dedicação e às vezes com sacrifício.

Desde a revolução francesa e industrial eclodidas no mundo em pleno século XIX, segue-se sistematicamente constante preocupação com a preservação dos patrimônios históricos da humanidade. Essa luta incessante de inúmeros admiradores dos grandes feitos de gerações pretéritas consolidou-se em diversas leis e normas que norteiam, atualmente, a conduta e os procedimentos com tais bens, contagiando até mesmo leigos e anônimos apaixonados pela beleza e riqueza da história de um povo, de uma terra.

Fiquei, confesso, estarrecido, ao receber a foto aqui publicada que retrata a extensão da rua Luiz Schnoor que ultrapassou, recentemente, os muros do complexo ferroviário da imponente e histórica Estrada de Ferro de Goiás a qual assinalou com esplendor o início do progresso de Araguari e região, no início do século XX.

Da mesma maneira que fizeram com os trilhos que ornamentavam, até a década de 80, a majestosa estação ferroviária de Goiânia – ponto final da “Goiás”, cujos trilhos foram cobertos pela terra, fizeram também em Araguari – ponto inicial de tão expressiva ferrovia de interligação dos Estados de Minas Gerais e Goiás, considerada, à época, um dos principais marcos da marcha evolutiva do progresso do Centro-oeste brasileiro.

Não importa se foram 100, 200, 500 metros de trilhos soterrados, o que importa e preocupa-nos é que aos poucos a nossa história ferroviária vai se desfazendo de metro em metro, como ocorreu no passado com a estação da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, de sua vila ferroviária, de sua linha férrea e tantas outras perdas injustificáveis.

Aqui jazem as paralelas de aço que foram assentadas por operários mineiros e goianos que se uniram para a formação de uma das maiores, mais cobiçadas e mais respeitadas empresas ferroviárias do Brasil: Estrada de Ferro de Goiás. Histórias e mais histórias poderiam ser retiradas das 800 laudas transcritas das entrevistas colhidas com mais de 60 entrevistados que colaboram com nosso livro em andamento e que ainda hoje, não escondem as lágrimas ao lembrarem da família ferroviária da “Goiás”.

O que poderia fazer parte de um trecho ferroviário restaurado, sem descaracterizações, onde poderíamos ver turistas e visitantes de todos os quadrantes e gente nossa num passeio indescritível à nossa cidade ferroviária, natural, original, autêntica, invejável, aos poucos está se transformando numa rua de terra batida à espera do primeiro banho de camada asfáltica. Amputaram boa parte de um dos trechos à porta, quem sabe, de um dos maiores museus ferroviários do Brasil.

Hoje, mesmo inanimados - silenciosos - sentem-se os trilhos da “Goiás”, sufocados pelo aterro e pela ignorância, sem sequer ao menos poderem se manifestar. Por essa antiga linha férrea, quero crer que os ouvidos mais aguçados dos araguarinos sensatos poderão ouvir o estalo dos dormentes, o tinido do aço e o clamor da estrada. Triste fim dos trilhos da “Goiás”, a continuar assim, Deus queira que não, talvez meus filhos e netos e as gerações vindouras não terão histórias para contar.

* Membro efetivo da cadeira nº 15 da Academia de Letras de Araguari, nº 16 da Academia de Letras do Triângulo Mineiro e Conselheiro do Memorial Visconde de Mauá.




Paulo Bolsas

Coluna "Acertando o Alvo" (Correio de Araguari)

Patrimônio Histórico

Um atraso para qualquer município este negócio de tombamento pelo Patrimônio Histórico. Nunca na história vimos tanto impedimento de melhoria onde existe o tal tombamento, coisas velhas que não podem ser retiradas, como podemos ver alguns trilhos de ferro que cruzam a cidade, pátio do Palácio que está sujo, mas não pode passar uma máquina para limpar, não sei se foi tão bom fazer deste uma Prefeitura, que tem que receber visitas sem que possam colocar seus carros à sombra de proteção, que não se pode colocar uma calçada decente, com alguns prédios em ruínas, que não podem ser reformados. Será que compensa ter um prédio deste???

quinta-feira, 25 de março de 2010

Mentira deliberada?!

Um dos anônimos comentaristas me pediu. Aqui está a resposta.
Realmente, são mentirosos aqueles que disseram que o município vem sofrendo bloqueio no repasse de recursos federais. Conforme informações extraídas do site da Controladoria-Geral da União (www.cgu.gov.br), neste mês foi liberada a quantia de 1 milhão de reais para continuidade da eterna "obra do córrego".
Vejam:
Número do Convênio SIAFI:
601904
Situação: Adimplente
Nº Original: 53000157200700032
Objeto do Convênio: Objeto: Reconstrução de 465m canalização do córrego do Brejo Alegre, trecho compreendido entre as ruas Carolina Marques e Dr. alberto Moreira , com a recuperação de 47.500m² de pavimentação asfáltica e 200m de micro-drenagem na AvenidaCel. Teodolino Pereira de Araújo, no Município
Orgão Superior: MINISTERIO DA INTEGRACAO NACIONAL
Concedente: MI/SE/DGI/ADMINISTRACAO GERAL
Convenente: ARAGUARI PREFEITURA MUNICIPAL
Valor Convênio: 6.000.000,00
Valor Liberado: 4.000.000,00
Publicação: 31/12/2007
Início da Vigência: 31/12/2007
Fim da Vigência: 17/06/2010
Valor Contrapartida: 1.500.008,32
Data Última Liberação: 10/03/2010
Valor Última Liberação: 1.000.000,00

quarta-feira, 24 de março de 2010

Certidão de nascimento de um elefante branco

Foto extraída do relatório elaborado pela Controladoria-Geral da União em dezembro de 2004

Ficha Limpa

Veja no site da Câmara dos Deputados

Votação do Ficha Limpa está marcada para dia 7 de abril

O presidente da Câmara, Michel Temer, afirmou nesta terça-feira que colocará em pauta no dia 7 de abril o projeto Ficha Limpa (PLP 518/09). Ele pediu aos líderes, que estiveram reunidos durante a tarde, a apresentação de sugestões de suas bancadas.
Temer admitiu que poderá haver alterações no texto aprovado pelo grupo de trabalho para que a proposta seja votada pelo Plenário.

O PLP impede candidatos condenados judicialmente de disputar eleições. Apresentado no ano passado por representantes da sociedade civil, que colheram mais de 1 milhão e 300 mil assinaturas, o projeto Ficha Limpa ganhou tramitação acelerada, sendo apensado a outras propostas que tramitam por vários anos e que já estavam prontas para votação em plenário.

Na semana passada, o parecer do deputado Índio da Costa (DEM-RJ), relator do grupo de trabalho que analisou as propostas sobre o Ficha Limpa, foi entregue ao presidente Temer com a presença de representantes do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE). O relator condicionou a proibição da candidatura apenas às decisões de órgãos colegiados da Justiça. No texto original, a candidatura já estaria proibida com a decisão de um único juiz em primeira instância.

Veja a íntegra da Proposta em http://www2.camara.gov.br/internet/proposicoes/chamadaExterna.html?link=http://www.camara.gov.br/internet/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=452953

terça-feira, 23 de março de 2010

Omissão deliberada?!

Nos últimos dias, tivemos informações controversas sobre o bloqueio ou não do recebimento de verbas federais por Araguari. Tudo em decorrência das supostas irregularidades ocorridas na construção do Hospital Muncipal. No ponto, fico com a palavra do imparcial Ronaldo César Borges, autor da excelente coluna semanal Drops no Gazeta do Triângulo. Segundo ele, a cidade não vem sofrendo esse bloqueio.
Pois bem, essa informação não deveria ser objeto de controvérsias e de querelas políticas. Isso porque, se o Poder Executivo de Araguari fosse minimamente transparente, manteria os partidos políticos, os sindicatos de trabalhadores e as entidades empresariais informados da liberação de recursos federais para a cidade. Não se trata, em absoluto, de nenhum favor. Cuida-se apenas de cumprimento do que manda o artigo 2º da Lei federal nº 9.452/97.

A propósito, esse descumprimento não é novidade na cidade. Já no final do ano de 2004, ainda no governo Marcos Alvim, a Controladoria-Geral da União detectou essa irregularidade na Administração do município. Ao que tudo indica, o novo modelo de administração resolveu copiar o seu antecessor e, igualmente, optou por burlar a lei e fugir do controle social.

Diante disso e considerando o estranho silêncio dessas organizações, cabe-nos botar a boca no trombone. Afinal, as organizações representativas da sociedade e o próprio povo têm o direito de saber onde e como estão sendo aplicados os recursos federais na cidade. Será que vamos ter que gastar tinta e papel para comunicar o fato ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas da União?

segunda-feira, 22 de março de 2010

Caso de Política ou de Polícia?

Na pacata Serras Azuis, a tarde de quarta-feira (10/03) não foi das mais tranquilas. Polícia e política (ou politicagem?) se misturaram perigosamente. Tudo porque certos políticos não sabem (ou não querem?!) distinguir o que é interesse público e o que é particular.
Por volta das 16 horas, a Polícia Militar compareceu à Av.Minas Gerais, esquina com Rua Padre Anchieta, para atender a uma ocorrência de suposto atentado violento ao pudor. Segundo informações das vítimas, que distribuem panfletos no local, o senhor R. A. teria passado varias vezes por ali, expondo o seu órgão genital. Ao notar a presença da Polícia, o suspeito tentou fugir, mas não logrou êxito, tendo sido preso por militares daquela corporação, conforme consta do BO nº 5325/10.
Tudo poderia ter terminado aí. Mas não foi o que aconteceu. Logo em seguida, entrou em cena o senhor prefeito da cidade, Marcos Coelho, que, acompanhado da irmã do suspeito, se dirigiu à delegacia tentando impedir a prisão do suposto autor, que coincidentemente trabalha na empresa (privada) do alcaide. Segundo informações, nessa missão "pública" teriam sido mobilizados, em pleno horário de expediente na Prefeitura, além do prefeito, outros funcionários do município (secretários, procurador, advogado).
Ainda segundo informações recebidas pelo blog, o senhor prefeito teria se utilizado da autoridade do cargo para tentar "abafar o caso", interferindo no trabalho da Policia Militar e ameaçando verbalmente os policiais que, no estrito cumprimento de um dever legal, efetuaram a prisão do suposto autor.
Pois bem, aí está a notícia. Restam, no entanto, algumas indagações:
1º Utilizar-se de cargo público para tentar interferir no trabalho policial é atividade do prefeito de uma cidade?
2º Podem os agentes públicos, durante o expediente, deixar o seu local de trabalho para defender interesses de particulares a mando do prefeito?
3º O prefeito goza de algum tipo de imunidade que lhe permita obstruir, impunemente, o trabalho policial?
4º Até que ponto vai a ingerência do chefe do Executivo sobre o comando da Polícia Militar em Araguari?
5º O que acontecerá com os pobres policiais que, tentando cumprir a lei, efetuaram a prisão de um suspeito amigo de poderosos?
6º Todo suspeito de crime terá direito a esse tipo de defesa patrocinada pelo chefe do Executivo e sua assessoria?
7º Onde está a imprensa da cidade, que nada falou sobre o assunto?

sexta-feira, 19 de março de 2010

Pensamento do Dia (válido inclusive para a cidade de Serras Azuis)

Certos vereadores não têm assessores, mas sim laranjas e capangas. Assim, se necessitarem de um assessoramento técnico, jurídico ou contábil, ficarão frustrados. Diversamente, se precisarem ocultar alguma transação financeira ilícita ou assustar algum adversário político, poderão contar com a eficiência de suas assessorias.

Obs.: Fiz algumas alterações no dia de hoje (23/03) a pedido de um comentarista anônimo. De fato, a redação original estava muito "generalizante". Acredito que, a partir da atenuação feita, o pensamento traduz melhor a realidade fática. 

quinta-feira, 18 de março de 2010

Aleluia!!!!

Bem-vindo à Terra, senhor Limírio Martins!
Agora, só falta exigir que, também, o Secretário de Saúde cumpra a sua jornada de trabalho na Prefeitura...


Como funcionam os postos de saúdes dos bairros? Um médico contratado pela Prefeitura, devidamente “concursado”, tem por obrigação cumprir uma carga horária de quatro horas/dia no posto de saúde para onde o mesmo for designado para prestar serviços. Obscuramente não entendemos o porquê o médico só atende 08 pacientes por dia e 04 retornos, “que não existem”, nos postos de saúde. Em quatro horas de serviços prestados cada médico atenderia no mínimo 40 pacientes e com certeza o pronto socorro não seria sobrecarregado.


Os gestores da saúde pública em Araguari devem tomar atitudes sérias e corajosas, esquecendo que são companheiros, bem como o corporativismo da classe, em benefício do povo. Estes médicos que atendem nos postos de saúde são verdadeiros enganadores, não trabalham, não cumprem horários, fazem do seu serviço na rede pública de saúde verdadeiros bicos, permanecendo em seus postos de trabalho às vezes por apenas 30 minutos e vão para seus consultórios fazer atendimentos particulares.


O Secretário de Saúde precisa tomar medidas drásticas e moralizadoras contra tais profissionais, que se julgam verdadeiras estrelas, verdadeiros deuses, inatingíveis por seres comuns, por simples mortais. Por que não mandam estes funcionários para a rua e deixam que estagiários de medicina, sob orientação de seus professores, atendam o povo. O SISTEMA EXIGE MUDANÇAS JÁ! O que não pode continuar é essa classe elitizada recebendo sem trabalhar e o povo morrendo nos corredores dos hospitais.
Extraído da Coluna Salada Mista do Correio de Araguari, edição de 18/03/2010

quarta-feira, 17 de março de 2010

Coronelismo em Araguari




ARAGUARI PARECE MESMO QUE VOLTOU À ERA DO CORONELISMO

A comunidade já tomou conhecimento de fatos acontecidos na cidade envolvendo um profissional da área de comunicação. É lamentável ouvir os comentários e sentir na pele as conseqüências de uma ditadura ocorrida há aproximadamente quatro meses, quando um repórter perdeu o emprego por mostrar as verdades e trabalhar honestamente.
O fato tornou-se ainda muito mais grave do que a população pode imaginar, pois as perseguições continuaram mesmo após ser demitido. Por se tratar de um cidadão trabalhador e pai de família, começou a procura por emprego, conseguindo abrir algumas portas, mas ai veio a grande decepção. Algumas pessoas ligadas ao poder e até mesmo donos do poder começaram a fechar essas portas, continuando a perseguição e até desrespeitando ou cerceando o direito deste trabalhador.
Não sei se conseguirei encontrar palavras que possam qualificar estas pessoas. Fico pensando: apesar dos problemas existentes em uma cidade, problemas grandes, os donos poder estão mais preocupados em prejudicar um pai de família, atingindo, ainda, mais pessoas inocentes, ou seja, seus filhos e esposa.
O profissional de imprensa tem que respeitar a linha editorial de uma empresa, mas nunca pode omitir os fatos verdadeiros, devendo agir com imparcialidade, ética.
Infelizmente, já se tornou notório, parte da nossa imprensa passou a ser uma imprensa marrom e não tem mais compromisso com o serviço de utilidade pública a beneficio de uma comunidade. Alguns profissionais passaram a defender os interesses pessoais levando vantagens e esquecendo-se do profissionalismo. Isso é uma pena para uma classe considerada como o quarto poder.
Será que teremos que considerar ou aceitar que Araguari voltou aos tempos do coronelismo?
Dizem que somos o quarto poder, vivemos em um País Democrático e temos o direito de liberdade de imprensa. Onde estão a Democracia ou esse direito?
Como profissional vou ter que sair de minha terra para exercer minha função ou terei que mudar de profissão?
Uma coisa é certa: o poder passa e, às vezes, não volta. Eu estarei lutando para permanecer na minha profissão, o que faço com muito amor e dedicação mesmo sabendo das dificuldades que enfrentarei. Hoje quero agradecer a Deus, porque, com toda esta provação, estou tendo a oportunidade de me fortalecer espiritualmente e, com certeza, este mesmo Deus estará abrindo novos caminhos, novas portas, dando seqüência à minha vida profissional.
Mas é preciso que o cidadão fique atento a estas situações, porque ontem aconteceu comigo, amanha pode ser com você ou com alguém de sua família. Sendo este um ano de eleição, nós só teremos uma maneira de combater estas situações. É com o voto! Portanto, cidadão, pense bastante nisso!

João Carlos de Almeida, radialista.     

segunda-feira, 15 de março de 2010

Pensamento do Dia

Moro em Brasília, mas juro que sou inocente.

Estranhos Gastos

O competente Nilton Eduardo, Diretor do Jornal Acontece, mais uma vez, "acertou na mosca". Na edição nº 63 (transcrita ao final desta postagem),  abordou, com bastante clareza e acerto, a questão da realização de gastos de quase 2 (dois) milhões de reais com a aquisição de programas de computador pela Prefeitura Municipal.
A reportagem questiona diversos aspectos, dos quais destaco os seguintes: i) o município poderia utilizar softwares disponibilizados gratuitamente pelo governo federal; ii) o Banco do Brasil possui um sistema operacional que poderia apresentar excelentes resultados para a administração municipal.
Além dos pontos abordados pelo competente jornalista, ouso acrescentar outros: i) a Prefeitura, em vez de optar pela licitação tipo pregão, que amplia a competição e permite ao pregoeiro negociar a baixa dos preços, valeu-se da concorrência, da qual participam apenas as empresas previamente cadastradas; ii) apesar de existirem diversos fornecedores no mercado, apenas duas empresas foram habilitadas, indicando que não houve uma ampla competição, podendo gerar uma contratação prejudicial (mais cara) para o município; iii) estranhamente o edital da Concorrência Pública nº 02/2009 não se encontra disponível no site da Prefeitura (www.araguari.mg.gov.br); iv) segundo a reportagem, um dos sócios da Embragec, empresa vencedora, é o atual prefeito de Tupaciguara, senhor Alexandre Berquó Dias, um dos políticos que apoiam as pretensões políticas do vice-prefeito de Araguari, senhor Juberson do Santos Melo, pré-candidato a Deputado Estadual; v) causou dúvida a opção feita pela Prefeitura, uma vez que a segunda colocada na licitação é uma empresa muito mais capacitada, atuando na área há mais de 25 anos e fornecendo sistemas para mais de 200 municípios brasileiros, enquanto a vencedora, fundada em 2002, fornece apenas para 5 cidades, curiosamente localizadas no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba.
Cercada de todas essas dúvidas, a Concorrência Pública nº 02/2009 necessita ser examinada pelos órgãos competentes (Câmara de Vereadores, Tribunal de Contas do Estado de Minas e Ministério Público). Mais que isso, mostra-se muito importante acompanhar a implantação desses sistemas de informática e os respectivos pagamentos.
Parabéns ao Acontece pelo alerta!
Eis a reportagem:
No último dia 1º, o “Minas Gerais” - Diário Oficial do Estado, publicou a homologação do processo licitatório no valor de R$ 1,898 milhões em que a Embragec Sistema de Informática foi a vencedora de um certame destinado a apontar a empresa que iria - provavelmente irá - conceder a plataforma tecnológica e a posterior manutenção de um novo sistema de informática a ser usado pela prefeitura de Araguari, especialmente pela Secretaria Municipal de Administração e as repartições vinculadas àquele órgão do Executivo local.
Segundo informações, a concorrência contou com a habilitação de apenas 2 empresas que participaram do processo de licitação nº 002/2009 - o mesmo noticiado pelo Acontece em 23 de setembro passado.
Naquela época, o Secretário Municipal de Administração, Levi Siqueira alegou a reportagem vários motivos para que outra plataforma tecnológica fosse adquirida pelo governo municipal, dentre os quais; “O software atualmente em utilização é defasado, apresenta uma série de inconsistências, prejudica a emissão de relatórios e atrasa a contabilidade municipal que necessita de agilidade, principalmente no que se refere a prestação das contas”, dizia o advogado.
O prefeito Marcos Coelho também defendia a idéia de que o investimento era viável: “Se você dividir esses R$ 2 milhões em 48 meses verá que o valor é próximo ao que estamos pagando, todo mês: R$ 25 mil para a HOME-CARE, em relação ao programa da farmácia e ainda R$10 mil para a PRO-DATA”.
Ainda assim a notícia repercutiu mal na Casa de Leis, tanto que Levi Siqueira foi convidado a comparecer a uma sessão ordinária para prestar maiores esclarecimentos aos vereadores. Em um dos momentos, o Secretário de Administração chegou a afirmar que o fato noticiado pelo Acontece era especulação jornalística e que os gastos com o novo sistema não ultrapassariam a R$ 800 mil.
Passados quase 6 meses da notícia a Prefeitura de Araguari homologa e adjudica* a contratação, restando agora apenas os trâmites finais para a conclusão da operação que irá gerar um dispêndio significativo aos cofres municipais. (*Ato judicial mediante o qual se declara e se estabelece o direito ao vencedor da licitação, ficando o Município obrigado a contratar exclusivamente aquela empresa.)
Fundada em janeiro de 2002, com sede em Uberlândia - MG, a empresa vencedora do processo de licitação nº 002/2009, atua no desenvolvimento de sistemas para o setor público há 8 anos e tem como principais clientes as prefeituras de: Monte Carmelo; Coromandel; Patrocínio e Campina Verde.
Informações obtidas indicam como um de seus sócios-proprietários o prefeito da cidade de Tupaciguara, Alexandre Berquó Dias.

Tancredo Neves

Hoje, só tem peso pesado! Ao lado da poesia do mestre Aristeu, trago o saboroso texto de Ronaldo Costa Couto, político, economista e historiador mineiro.
Só quem teve a honra de conviver com Tancredo Neves, "o melhor presidente que o Brasil não teve", poderia retratá-lo tão bem, como o fez Costa Couto no texto abaixo, publicado originalmente na Folha de São Paulo de hoje.

TENDÊNCIAS/DEBATES
Tancredo Neves
RONALDO COSTA COUTO



Mudou o Brasil. Liderou a reconquista pacífica da democracia, morreu por ela. Foi o melhor presidente que o Brasil não teve


1984 , campanha presidencial. Tancredo precisava desvencilhar-se de boataria sobre sua saúde, um veneno para a candidatura. Fazer exames e escancará-los? Nem pensar! Sentia-se bem, mas era cismado com câncer, que já levara dois de seus 11 irmãos. Resposta a jornalistas, em São Paulo: "Estou com uma saúde irritante".
No final de 1983, despachávamos no Palácio da Liberdade quando chegou a notícia de que Flávio Marcílio, presidente da Câmara dos Deputados, tinha a doença. Lamentou, abateu-se. Ficou de pé, apertou o abdômen com a mão direita, quase um hábito, e disse: "Esse "bichinho" pode estar dentro da gente sem sabermos". Não estava, saber-se-á depois.
Realizava-se na política. Aos 74 anos, acordava com o sol, ia até tarde da noite. Todos os dias. Era um sufoco acompanhar seu ritmo. Mas delicioso privilégio conviver, trabalhar e aprender com Tancredo. É uma de minhas raras admirações que o tempo não levou.
Estrategista, pensava grande, via longe. Não radicalizava, fugia de decisões emocionais, errava pouco. Sabia antecipar-se, sabia esperar. Confiava, desconfiando. Conhecia os homens, suas manhas e artimanhas.
Dizia-se apenas um servidor público. Íntegro, patriota, culto, bom orador, escrevia bem. Amava o direito, conhecia economia política. Hábil negociador e operador político. Pilha de simpatia, argúcia, astúcia. Do adversário Zezinho Bonifácio: "O Tancredo é um político capaz de tirar as meias sem tirar os sapatos".
Dominava os principais temas domésticos e internacionais. Lia os grandes jornais brasileiros e o francês "Le Monde". Gostava de rádio e televisão, inclusive de algumas novelas. Leitor fiel dos clássicos, entusiasta de música clássica.
Não esquecia seu pequeno mundo. Perto da morte, a alma sangrando, o corpo conectado a tubos e equipamentos indispensáveis, várias vezes rasgado, as entranhas feridas e devassadas, lembrou-se de que o padre Lopes, velho amigo, perdera a paróquia num distrito de São João del-Rei.
Chamou o neto Aécio: "Temos de ajudá-lo. Mande ver o que está acontecendo. Quero notícias". Não fumava, pouco bebia. Bom de garfo, adorava almoçar e jantar sem pressa, uma taça de vinho junto.
Nunca o vi gripado. Perguntei qual era o segredo. "Acordo cedo e tomo banho frio, de chuveiro. Aconselho, é só acostumar. Molhe primeiro os pulsos e entre." Tomava uma aspirina por dia.
Parecia não ter medo. Quase não se estressava, apesar da trabalheira, das pressões de governar, das maratonas de campanha, das manobras golpistas que enfrentou. Deitava e logo dormia.
Como conseguia? "Ah, meu filho, sempre faço a minha parte o melhor que posso. O resto é com Deus e Nele a gente pode confiar."
Divertido, sutilmente irônico, espirituoso. Um deputado autocandidato a secretário de Estado não parava de plantar notas. Tancredo, governador eleito, mudo. Mais notas, mais silêncio. Posse chegando, pede audiência: "Doutor Tancredo, o que que eu faço?
Tá todo mundo perguntando se vou ser secretário". Tancredo: "Diga que eu te convidei e você não aceitou". Comigo, no início da campanha presidencial, meio de agosto de 1984: "Agora é construir alianças e conseguir os votos, um olho no PDS e outro no PFA". "PFA, doutor Tancredo?!" "Sim, Partido das Forças Armadas."
Oito semanas depois da mágica vitória, a hospitalização em Brasília. O desastroso, tumultuado e espetacularizado tratamento, o sofrimento medonho. Trinta e oito dias de martírio do corpo e do espírito. A absurdamente concorrida cirurgia da noite de 14 para 15 de março de 1985, finalizada a menos de nove horas da investidura do vice José Sarney, que presidirá a consolidação da democracia.
A falsa notícia de Diverticulite de Meckel e a previsão de alta e posse para a semana seguinte. A infecção, a dor implacável. A segunda cirurgia e a nova ilusão de melhoria. Até pose para fotos. A brutal hemorragia interna, a transferência às pressas para São Paulo. "Eu não merecia isso", diz a Aécio.
Mais cinco cirurgias, a septicemia e o fim da agonia em 21 de abril de 1985. Sua morte fez o Brasil chorar e pôs nas ruas a maior multidão que São Paulo já havia visto. Espanto no Brasil inteiro, frustração colossal, muitas sombras e suspeitas.
Mudou o Brasil. Liderou a reconquista pacífica da democracia, morreu por ela. Fez e faz muita falta. Sim, Tancredo Neves foi o melhor presidente que o Brasil não teve. Uma de minhas lembranças dessa rasteira da história é um desenho de Millôr Fernandes. O Brasil como enorme floresta e, estendida no chão, uma árvore gigantesca, a mais alta de todas: Tancredo.

RONALDO COSTA COUTO, escritor, doutor em história pela Sorbonne, foi amigo e assessor de Tancredo Neves, ministro do Interior e ministro-chefe da Casa Civil (governo Sarney). É autor, entre outras obras, de "Tancredo Vivo" e "História Indiscreta da Ditadura e da Abertura". 

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1503201008.htm

Credo do Verão Passado


O pseudônimo do autor é Corinthians, mas não tenho dúvida de que, na verdade, ele é flamenguista.
Sobre a qualidade da poesia, não é preciso dizer nada. Basta senti-la.
Do autor não posso dizer o nome. Apenas posso afirmar que o roubei provisoriamente do Portal de Araguari. E agora, Alô Ísio? Ares teus ou Ares meus?

CREDO DO VERÃO PASSADO
Autor: Corinthians

Numa viagem elipsoidal
Dispúnhamos de quatro estações,
Mas nosso comportamento bestial
Trouxe-nos duras transformações

Virou bagunça o espaço,
O Sol acerta-nos em cheio,
As fortes chuvas de março
É inferno de veraneio!

A Terra, às águas blindada,
Inunda mais que permeia
E pessoas desgovernadas
Vão enfrentar outras cheias.

Amazonas vira rego,
Pede arrego Itaqui,
Não demora há emprego
No deserto de esquis.

Só se faz com protetor
Uma relativa nudez.
O Santo ou o bloqueador
Só não filtra a estupidez.

O grande amor de verão
Pode ser com o Doutor...
Piores verões virão
E haja câncer e tumor!

Esta visão pessimista
É de um mero escritor.
Concorda assim o Cientista
E que não o Criador! 

Eleições no Bairro Vieno



Domingo, dia 08/03, os moradores do Bairro Vieno foram às urnas para eleger o novo Presidente da Associação daquele Bairro. Sagrou-se vencedor o senhor Euclides Batista Oliveira, que teve 218 votos contra 21, destinados ao senhor João Faria Filho.
Desejamos boa sorte ao novo Presidente. A tarefa do eleito não será fácil, sobretudo em razão da má vontade e omissão dos sucessivos governantes com os moradores daquele Bairro. Na verdade, o Poder Público tem, hoje, uma imensa dívida com o povo do Vieno.
Acreditamos no trabalho do senhor Euclides e, desde já, nos colocamos à sua disposição para ajudá-lo no que estiver ao nosso alcance.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Matutando...

Dúvida I
Quanto será que a Câmara gasta para fazer publicidade das sessões em diversas emissoras de rádio e jornais? Aposto que a quantia é alta. Infelizmente, por falta de transparência da Casa das Leis, jamais saberemos o valor desses gastos....

Dúvida II
Por que, em vez de gastar dinheiro público para informar que os vereadores adoram mudar nome de ruas, os senhores edis não publicam as prestações de contas da Casa, os atos de nomeação e exoneração de funcionários, os gastos com verbas de gabinete... Mas isso não poooooooooooooode!!!

Solo fértil
O solo araguarino é muito fértil.Em se plantando, tudo dá. Por isso, os rótulos de Capital do Café, Capital do Maracujá e Capital do Tomate. Se depender do modo de agir de certos vereadores, ganharemos, também, o título de Capital do Laranja.


Quanto custa uma consciência?
Recebemos informações de que um certo pré-candidato a Deputado Estadual enviou mensageiro para conversar com os Presidentes das Associações de Bairros. A finalidade? Comprar o apoio deles durante a campanha eleitoral. A moeda de troca? Com certeza, não foi a realização de melhorias nos bairros. Só resta saber se o dinheiro foi no bolso ou em outras partes menos nobres do vestuário....

Agora é oficial
O Pronto Socorro Municipal (PSM) está sobrecarregado. Isso mesmo! O jornal oficial do governo (leia-se: Correio de Araguari) acaba de inventar a roda. Na edição de ontem, descobriu que o PSM não tem mais condições de atender à demanda da população. Agora, ficou mais fácil. Só falta arrumar a solução... Mas, para isso, é preciso trabalhar e parar de gastar mal o dinheiro público, como se gasta, por exemplo, com publicidade e propaganda em certos jornais da cidade...

quarta-feira, 10 de março de 2010

Candidato 17 ou 171?


Ainda não começou oficialmente a campanha eleitoral, mas em Araguari um candidato porcão já se encarregou de sujar a cidade.
Contando com a omissão de uma Justiça Eleitoral frouxa, o candidato 17 (melhor seria, 171) resolveu fazer campanha fora de época.
Se todos sabem que o Partido 17 (PSL) já tem, em Araguari, um pré-candidato a deputado estadual, por que ninguém faz nada?

Big Brother Brasília

sexta-feira, 5 de março de 2010

O trem da sucessão passa por aqui

A sucessão presidencial passa por Minas. Não se discutem aqui a qualidade ou a ética do governador Aécio Neves. Afirma-se que, depois de longo tempo, Minas passa a exercer um papel decisivo, protagonista mesmo, na definição do novo Presidente.
Acometido, como nunca, de encimadomurite, o PSDB está deixando para a última hora a definição da chapa que concorrerá à Presidência da República. Enquanto Dilma está em campo há muito tempo, trocando passes com o forte cabo eleitoral Lula, os Tucanos permanecem enclausurados no ninho, sem decisão.
Por que, então, a sucessão passa por Minas? A resposta é simples: além da indecisionite congênita do PSDB, neste momento, o jeito mineiro de fazer política de Aécio influencia, sobremaneira, a atuação do partido.
Ao se declarar candidato ao Senado, o governador mineiro colocou o partido e a alta tucanagem paulista contra a parede. Isso porque além de ser um presidenciável mais viável que o soturno Serra, Aécio seria o candidato a vice ideal para fazer decolar a candidatura tucana, sobretudo depois que o mensalão do Distrito Federal arranhou a imagem dos Democratas, parceiros naturais dos Tucanos, .
Nesse cenário, o velho jeitinho mineiro de agir por meio de uma omissão deliberada só vem trazendo vantagens para Aécio.  É ele quem dá as cartas agora. É cortejado por outros partidos e tem bom trânsito até entre os governistas. Mesmo se ceder e aceitar a aparentemente subalterna candidatura a vice, ainda assim se sobressairá como salvador da pátria tucana, podendo exigir do partido, em caso de vitória, o maior número de benesses possível (entenda-se: poder, cargos importantes na Esplanada, etc.).
Deixando de lado, como dito inicialmente, quaisquer discussões sobre as qualidades e os defeitos do neto de Tancredo, pode-se afirmar que faz muito bem à alma mineira saber que, desta vez, o Estado voltou a ser ator importante no teatro sucessório e, eventualmente, na construção do futuro do País.