sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Já viu jabuti subir em árvores?!

Acredito que a opinião de Eliane Cantanhêde (Folha de S Paulo, 22/09/2009) sintetize bem a perplexidade causada com a indicação do nome de Toffoli para o Supremo Tribunal Federal. Nessa linha, penso, ainda, que os políticos conseguem levar às últimas consequências o poder inato que possuem de nos surpreender.
Não se questiona a competência em si mesma do futuro Ministro. O que nos espanta são os motivos que levaram o Presidente a indicá-lo para um cargo tão importante da estrutura do Judiciário. Somente a amizade e a gratidão pela patrocínio de causas do outrora impoluto PT justificam seja indicado para o Supremo uma pessoa que sequer logrou ser aprovado em concurso público para juiz de primeiro grau de jurisdição e que, igualmente, não ingressou na Advocacia-Geral da União pela porta democrática do concurso.
Eis, na íntegra, o texto da colunista da Folha:

Não precisa exagerar

BRASÍLIA - Tudo bem que o advogado José Antônio Dias Toffoli tenha só 41 anos (faz 42 em novembro), pois a idade mínima para ministros do Supremo é 35. Mas, cá para nós, é um ponto a menos, já que ele pode ficar uns 30 anos no mesmo cargo, governo atrás de governo, como ocorre com Marco Aurélio Mello, indicado por Collor.
Tudo bem que Toffoli não tenha currículo brilhante, já que há bons profissionais com pouca densidade acadêmica em várias áreas. Mas, cá para nós, é um ponto a menos ele não ter mestrado nem doutorado, já que foi indicado não para um cargo qualquer, mas para o Supremo, cérebro e alma da defesa da Constituição brasileira.
Tudo bem que Toffoli levou pau para juiz já faz muito tempo, na década de 1990. Mas, cá para nós, é um ponto a menos ele virar ministro da mais alta Corte tendo sido incapaz de ser juiz estadual -não em um, mas em dois concursos.
Tudo bem que Toffoli seja camarada do Lula e do Zé Dirceu, advogado do PT em eleições e advogado-geral da União do governo amigo.
Mas, cá para nós, é um ponto a menos que sua ligação com o partido seja seu grande talento e maior trunfo. Ainda mais porque o mais eletrizante processo tramitando no Supremo é o do "mensalão", que pega petistas de jeito.
E tudo bem que Toffoli tenha duas condenações em primeira instância no Amapá, aparentemente por receber do Estado para defender a pessoa física do então governador. Afinal, condenações assim sempre podem ser, e estão sendo, revistas. Mas, cá para nós, é um ponto a menos, além de a questão poder parar no STF. Toffoli julgando Toffoli.
Diminuindo daqui e dali, o que justifica Toffoli ser nomeado para a oitava vaga (do total de 11) do STF na era Lula? Será que o Brasil não tem ninguém mais maduro, com sólido currículo, que não tenha tomado bomba para juiz, que seja mais do que só ligado ao PT e que não tenha condenação nenhuma?

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2209200904.htm

3 comentários:

Aristeu disse...

Eu não acho que aprovação em concurso signifique muita coisa, apesar de corresponder à medida mais confiável. Depois deste episódio o que pode acontecer é que os concursos doravantes poderão ser prestados com a utilização de pseudônimos... para salvaguardar o futuro profissional. Anota aí.

Aristeu disse...

Em Anhanguera, pertinho de Araguari, é possível Jabuti descer em árvores. Quando Furnas, em Itumbiara, eleva o nível da represa algumas árvores ficam submersas e quando as comportas são abertas é possível encontrar jabuti em cima das árvores... O Lula tá inundando com lama. Tô ffola

Anônimo disse...

O preconceito que sofre o Toffoli é de cunho político-ideológico,por este ter defendido trabalhadores, e não jurídico. Afinal, a imprensa corporativa (Folha, Veja, Globo,...) não escreveu uma linha contrária, quando o FHC indicou Nelson Jobim, que tinha tanta envergadura jurídica quanto o futuro ministro, muito menos quando o "grande jurista" Iris Resende foi alçado ao cargo de ministro da Justiça.

Ronaldo Batista da Silva - Cientista Social e bacharelando em Direito.