segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A um passo do abismo


fonte: http://colunas.globoesporte.com/bolanascostas/category/charges/

Encontro de Vereadores



Data: 31/8/2009

ACAMAP reúne mais de 150 vereadores no Encontro Regional de Uberaba

Encontro reuniu várias lideranças políticas e reforçou a força da Associação no âmbito microrregional

A Associação das Câmaras Municipais do Alto Paranaíba (ACAMAP), em parceria com a Câmara Municipal de Uberaba, realizou recentemente o 5º Encontro Regional. O evento realizado na ACIU (Associação Comercial e Industrial de Uberaba), reuniu cerca de 150 vereadores de vários municípios da microrregião.

Estiveram presentes ao evento o presidente da ACAMAP, vereador Claudionor Anicésio dos Santos, os deputados federais Paulo Piau, Nárcio Rodrigues e Elismar Prado, o prefeito de Uberaba, Anderson Adauto, o vice-prefeito de Araguari, Júberson dos Santos Melo, vereadores, assessores e convidados.

A reportagem completa está em http://www.jornalaraxa.com.br/jornaltemp/noticias.asp?cod_materia=3175&$pub=politica


Pitaco do blog:
Em princípio, parece interessante a formação desse grupo destinado, entre outros fins, a melhorar a atuação dos vereadores. Contudo, as aparências podem ser enganosas...
Assim, é melhor aguardar os próximos encontros para aferir o custo x benefício desses encontros.
De qualquer forma, como perguntar não ofende, gostaria de saber quem custeia essas reuniões, que envolvem gastos com passagens, diárias, treinamentos, etc. Por exemplo, no caso de Araguari, quem compareceu foi o vice-prefeito e não um vereador propriamente dito. E aí? Há interesse do Poder Executivo em custear isso?

É difícil ser honesto por aqui

Mineiro tenta denunciar maracutaia há 15 anos

Um engenheiro contratado na obra do “Residencial Parque do Mirante”, em Uberaba (MG), financiada pela Caixa Econômica Federal, tenta há mais de 15 anos denunciar as falcatruas na construção. Segundo Pedro Coelho, foi encaminhada à CEF documentação que comprova ter havido fraude para esconder os vícios lesivos ao Erário. A denúncia foi até encaminhada à Procuradoria-Geral da República e à OAB-MG.


Fonte: www.claudiohumberto.com.br

sábado, 29 de agosto de 2009

Bigodear



Está lá no Dicionário Aurélio: Bigodear: Verbo transitivo direto. Gir.
Enganar, lograr.
Na foto, temos Sarney e Mercadante bigodeando o povo brasileiro.
Convém não esquecer disso nas próximas eleições...

Segundo turno das eleições em Araguari


Araguari é a única cidade com menos de 200 mil eleitores onde o segundo turno das eleições estará sempre garantido. O espetáculo deprimente é sempre assegurado pela turma do Mãe Preta, eterno candidato a prefeito da cidade. Nas eleições de 2008, ele acusa os vencedores, Marcão e Jubão de terem comprado votos. O processo ainda "corre" na Justiça Eleitoral da cidade.
Como se sabe, não existem santos em política. Assim, se o grupo que comanda a Prefeitura usou meios escusos para chegar ao poder, com certeza os perdedores também se valeram desses mecanismos para tentar abocanhar o comando da cidade por quatro anos.
Há, nesse episódio rotineiro na cidade, dois aspectos que chamam a minha atenção. Primeiro, quem está por trás dessas investidas eleitorais do senhor Mãe Preta? Com certeza, essa turma tem pretensões muito interessantes, para não dizer inconfessáveis. É que com o cacife político que ainda lhe resta, o senhor Mãe Preta conseguiria se eleger tranquilamente vereador. Logo, somente algo muito relevante para convencê-lo a trocar, com freqüência, o certo pelo duvidoso.
Segundo, esse senhor é um dos exemplos maiores do quanto a Justiça e os órgãos públicos de controle podem ser benevolentes com os nossos políticos. Na vida pública ou na privada, são muitos os fatos - alguns criminosos - em que, supostamente, o eterno candidato à Prefeitura estaria envolvido. Apesar disso, parece que ele sempre se beneficia de uma espécie de salvo-conduto preventivo que vale para toda e qualquer acusação. Assim, escapou ileso de todas as culpas que, justa ou injustamente, lhe foram imputadas até hoje.
Assim, enquanto o Poder Judiciário não bater o martelo acerca da lisura do pleito em Araguari, a novela continuará... Aguardemos os novos capítulos e as novas eleições, quando teremos mais do mesmo.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A descoberta do óbvio

O vereador Raulzinho inventou a roda. Exaltado, na tribuna da Câmara, o edil, que também é um dos proprietários da Rádio Planalto, tornou pública a sua grande descoberta: o jornal Correio de Araguari é tendencioso! Are baba!!!
O motivo da ira do nobre edil é singelo. O periódico, criado apenas para elogiar os feitos e intenções do governo, informou que a paternidade pelo recebimento de recursos para reforma do prédio da antiga Cia Prada não era do vereador, mas sim do senhor Jubão, que formalmente ocupa o cargo de vice-prefeito da cidade.
Por outro lado, o periódico, na sua edição de quinta-feira, respondeu imediatamente às críticas desferidas pelo vereador. Um dos que se encarregaram dessa missão foi o jornalista, radialista e comissionado da Prefeitura Limírio Martins Parreira, que assina a coluna Salada Mista naquele jornal. Nada mais natural que um servidor da Prefeitura - pago com os nossos tributos, portanto - fizesse a defesa dos seus chefes e do jornal no espaço adequado (segundo o vereador Raul Belém, o jornal funciona graças aos recursos recebidos do município).
Do episódio, extraímos algumas conclusões.
Primeiro, a maioria dos nossos órgãos de imprensa não é, minimamente, imparcial. Como falado anteriormente neste blog, de um lado, temos o referido jornal defendendo ferreamente o governo e, de outro, os jornais Contudo e Acontece fazendo as vezes de oposição, por vezes cega e inconseqüente.
Segundo, no episódio, tivemos o sujo falando do mal lavado. É que, a exemplo do que acontece com o Correio de Araguari, também a Rádio Planalto, que é de propriedade da família do vereador, vem sendo utilizada para fins políticos, ou seja, para divulgação das qualidades e feitos do edil.
Terceiro, o ilustre vereador perdeu ótima oportunidade de dar mais transparência à gestão pública. Isso porque, apesar de afirmar que recursos públicos são canalizados para o referido jornal, ele não deu nome aos bois, ou melhor, não disse quem paga e o quanto é pago ao Correio de Araguari. Ainda está em tempo, nobre edil...
Quarto, a função de informar está sendo perigosamente deturpada na cidade, misturando-se o interesse público com o interesse meramente particular ou de grupos políticos. Comprovam isso o fato de alguns jornais e emissoras de rádio pertencerem a grupos políticos ou serem dirigidas por vereadores, bem como a circunstância de boa parte dos profissionais de imprensa ter sido "empregada" (comissionados, obviamente) pelos Poderes Executivo e Legislativo.
Outras conclusões poderiam ser arroladas, mas não quero abusar mais da paciência dos que se atreveram a ler esta postagem até aqui.
Por fim, uma constatação-síntese: quem perde somos nós. Afinal, estamos fomentando a criação e funcionamento de veículos de imprensa que servem, paradoxalmente, para nos desinformar.

Qual o limite de tolerância da nossa sociedade?

Na Câmara Federal, caminha a toque de caixa a denominada PEC dos Vereadores, que irá criar 7.000 cargos de vereador no país. Pelo andar da carruagem, é muito provável que, em breve, teremos mais esse aumento desnecessário no gasto dos recursos públicos.
A questão é saber até quando nós, enquanto integrantes da sociedade, iremos assistir a essas cenas sem reagir. A impressão que se tem é que nada nos fará mudar esse comportamento. Assim, os nossos políticos permanecem com a sensação de que poderão continuar, tranquilamente, cuspindo na nossa cara, passando a mão nos nossos traseiros e enfiando a mão (calma!) nos nossos bolsos.
O caso do aumento do número de vereadores é emblemático. Ao que tudo indica irá prevalecer o interesse de uma minoria em detrimento da vontade tímida da grande maioria da população. Ao final, somente terão motivos para comemorar os suplentes de vereadores, os seus apadrinhados, suas amantes e parentes. Nós, integrantes da patuléia, só seremos convidados a pagar a indigesta conta desse banquete.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

PEC dos Vereadores

Tá ruim, mas pode piorar...

A comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou a denominada proposta de emenda constitucional dos Vereadores. O texto aumenta em cerca de 7 mil a quantidade de vereadores no país. A PEC ainda precisa ser votada pelo plenário da Câmara em 2 turnos.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Concurso público... do outro lado do rio Paranaíba



Você tem padrinho na atual Administração? É parente de algum político? Foi cabo eleitoral de algum candidato na eleição passada? Se a sua resposta às três perguntas for negativa, você dificilmente conseguirá trabalhar no serviço público em Araguari.

Para a sua sorte, bem pertinho daqui, uma cidade em franco desenvolvimento estará realizando concurso público para o preenchimento de 104 vagas. É isto mesmo! Do outro lado do Paranaíba, em Catalão-GO, estão sendo oferecidas vagas para médicos, odontólogos, fiscal de obras, agente de fiscalização ambiental, fiscal de vigilância sanitária, técnico em laboratório e técnico em enfermagem. Além da consciência tranquila por não terem entrado no serviço público pela porta dos fundos, os aprovados receberão salários que vão de R$ 1.096,92 a 2.214,17, conforme o grau de escolaridade.

Para quem quiser dar adeus (ou uma "banana") aos políticos que trocam cargos por votos, o edital está disponível em: http://concursos.correioweb.com.br/documentos/20090821175626950.pdf

Boa sorte!

Processo seletivo ou mais uma contratação de peixes?!


Conforme publicado no Jornal Gazeta do Triângulo e no site da Prefeitura Municipal (http://www.araguari.mg.gov.br/img/informativo/005-2009.pdf), o Poder Executivo irá realizar processo seletivo simplificado para a contratação temporária de profissionais (médicos, auxiliares de saúde e agentes comunitários de saúde) para trabalhar na Secretaria de Saúde do Município.
Como virou moda na cidade onde os administradores públicos costumam flertar com a ilegalidade e a imoralidade, podemos estar diante de mais um processo seletivo para inglês ver.
Primeiro, porque não está caracterizado o excepcional interesse público para se optar pela contratação temporária em detrimento da contratação "definitiva". Houve, isto sim, falta de planejamento, na medida em que esses empregos não são temporários. Ou será que o serviço público de saúde não deve ser prestado de forma contínua? Afirmar que essa necessidade é temporária equivale a dizer que é perfeitamente possível fechar todos os postos de saúde da cidade. Alguém concordaria com esse retrocesso?
Segundo, o processo é constituído de três fases: prova escrita, análise dos currículos e entrevista. Pois bem, as duas últimas fases não estão suficientemente descritas no edital. Não se sabe se serão classificatórias (alterando a posição dos candidatos, mas não reprovando ninguém) ou se serão, também, eliminatórias (reprovando candidatos). De uma forma ou de outra, esse tipo de cláusula editalícia permite toda sorte de subjetivismos. Seria essa a intenção do Poder Executivo?
Terceiro, reforçando a possibilidade fraude na classificação, tem-se que as notas dos aprovados na prova escrita serão "publicadas" apenas no Mural da Prefeitura e na Sede da Secretaria Municipal de Saúde. Ora, isso não atende ao princípio da publicidade e da transparência. Todos os candidatos, aprovados ou não, possuem direito a saber as suas notas. Mais que isso, a população tem o direito de saber quem foi aprovado em todas as fases do concursos e se houve (e por que houve) mudança na classificação após a realização de cada etapa do certame. Não entendo por que a Prefeitura tem tanto medo de publicar seus atos?
Quarto, o edital contraria flagrantemente a Constituição da República, uma vez que não destina um percentual de vagas para portadores de deficiência física. Nesse ponto, cabe indagar onde estará o Ministério Público? Não sei onde está, mas irá receber, via correios e com aviso de recebimento, uma cópia desta postagem.
Quinto, causa estranheza a fixação de prazos curtíssimos entre o término do período de inscrições e a data de realização das provas. Vários estados vem publicando normas fixando prazos razoáveis para a inscrição e entre o término desta e a data de realização do certame.
Sexto, embora previsto em lei federal, a exigência de que os candidatos ao emprego de agente comunitário de saúde residam no mesmo bairro onde irão trabalhar é totalmente inconstitucional. Não é razoável alijar de um certame público pessoas em razão de residirem em bairro diverso daquele onde irão trabalhar. Se essa exigência já não se justificaria em cidades onde os bairros sejam distantes uns dos outros, com muito maior razão é descabida em Araguari, onde, muitas vezes, os bairros são divididos por uma rua.
Em rápidas pinceladas e sem nenhum aprofundamento técnico, são essas as considerações sobre esse simulacro de concurso público. Serve também como um lamento pelo que vem ocorrendo em Araguari, onde os administradores públicos não possuem o devido apreço pelo concurso público, preferindo optar pela contratação de comissionados ou de empregados temporários mediante processos seletivos, no mínimo, estranhos. É por essas e outras que quem não tem padrinho acaba tendo que "pegar" a rodovia em busca de trabalho e de dias melhores. Lamentável!!!

Olha o Lula indo!


Fonte: www.sponholz.arq.br

Curtas

Quanto pior, melhor

A saúde pública em Araguari continua pela hora da morte. Uma senhora continua aguardando o resultado de uma mamografia realizada no mês de março. Sem comentários!

Tudo na vida passa, menos o coletivo em Araguari

A qualidade do transporte público em Araguari continua ruim. Itinerários mal elaborados e horários insuficientes continuam caracterizando a prestação desse importante serviço público. Quem ganha com a incompetência na gestão do setor são os proprietários do serviço de moto-táxi, que não é propriamente um transporte coletivo. Talvez seja o momento de repensar a questão, concedendo o serviço, exclusiva ou alternativamente, a transportadores autônomos ou cooperativas de transportadores. Um boa frota de vans e micro-ônibus supriria, de forma mais eficiente e confortável, a carência no setor de transporte coletivo da cidade.

A ver navios

Rompendo o compromisso, o Consórcio Capim Branco Energia (CCBE) batem em retirada. Uma vez mais, Uberlândia levou a melhor. A vergonha pela quebra da palavra dada é a causa da saída à sorrelfa. Como sempre, ficaremos apenas com os danos ambientais causados pela construção das usinas.

A ver navios II

No processo de interiorização da Justiça Federal, há a previsão da instalação de 230 varas federais pelo país afora. É fato que a proximidade de Uberlândia dificulta a vinda do benefício para Araguari. Contudo, convém lembrar que dificuldade não é sinônimo de impossibilidade. No caso, a inviabilidade da instalação da Justiça Federal em Araguari vem recebendo importante contribuição com a omissão do poder público e das entidades de classe da cidade, em especial da OAB, que não se mobilizaram perante o Conselho Nacional de Justiça e outras instâncias.

Aleluia, pero no mucho...

Finalmente, a Prefeitura resolveu realizar concurso público para preenchimento de vagas no serviço público de saúde. Apesar disso, há alguns pontos preocupantes no edital publicado no fim-de-semana pelo Jornal Gazeta do Triângulo. Ainda hoje, voltarei ao tema, mas, de plano, não consigo entender o porquê de a contratação ser temporária. O serviço de saúde não deveria ser contínuo? As carências de funcionários no setor não seriam permanentes?

Quase

Sarney quase caiu. Mercadante quase deixou a liderança do PT no Senado. Dilma quase se encontrou com Lina Vieira. O Flu quase ganhou uma partida no Brasileirão. Rubinho... bem, o Rubinho finalmente ganhou uma.

Visitante ilustre


Todos os dias, camuflado no pé de mexerica, lá está ele, totalmente silencioso na hora da refeição...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Aproveitando a ajuda do Aristeu, eis a cara do Senado:


Fonte: http://blog.opovo.com.br/blogdoeliomar/wp-content/uploads/2009/06/senadoo.jpg

Coisas de Araguari


Por que em Araguari a população tem que pagar pelo asfaltamento de ruas?

Para aonde vão os impostos pagos pelos araguarinos? O destino desses recursos não seria retornar em benefícios para o povo da cidade?

Por onde andei, não vi coisa semelhante. Os políticos araguarinos são realmente muito criativos na hora de meter a mão no bolso das pessoas..

Qual a cara do Senado?


Fonte: www.sponholz.arq.br

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Muito cacique pra pouco índio



É simplesmente imoral e, portanto, inconstitucional o projeto de lei complementar de iniciativa da Câmara de Vereadores, criando o plano de cargos e salários do Poder Legislativo araguarino. Segundo a versão eletrônica do Correio de Araguari (www.correiodearaguari.com), a proposta prevê que o quadro de pessoal da Câmara terá até 24 (vinte e quatro) cargos de provimento efetivo (providos mediante concurso público) e (noventa e nove) cargos de provimento em comissão (de livre nomeação e exoneração). Além disso, segundo aquele periódico, cada gabinete de vereador poderá ter até seis cargos de Assistente de Gabinete, desde que a soma da remuneração dos mesmos não ultrapasse seis mil e seiscentos reais por mês.
Onde estaria a imoralidade da proposta?
Primeiro, na desproporcionalidade entre os números de cargos efetivos e cargos em comissão. Com efeito, conforme consta do título da postagem, haverá muito cacique pra pouco índio na Câmara de Vereadores de Araguari, mais precisamente: quatro comissionados para cada servidor efetivo. Isso contribuirá para a ocorrência das mazelas de sempre, tais como: nepotismo, nomeação de apaniguados e quebra da continuidade dos serviços públicos a cada nova legislatura.
Segundo, vai de encontro à moralidade e à razoabilidade a ausência de reserva de cargos em comissão para serem providos por servidores efetivos. Em outras palavras, é mister fixar um percentual mínimo desses cargos para provimento por servidores ocupantes de cargos efetivos da própria Câmara ou de outros órgãos públicos. Essa reserva, embora não prevista expressamente na Constituição Federal, não é nenhuma novidade no âmbito da Administração Pública brasileira. Apenas para exemplificar, até mesmo a tão criticada Câmara Legislativa aprovou Emenda à Lei Orgânica do DF destinando um percentual dos cargos em comissão a servidores efetivos (concursados).
Terceiro, é igualmente indecente a proposta de criação dessa verba de gabinete de R$ 6.600,00 por vereador, destinada ao pagamento de assessores (aliás, por falta de transparência, é impossível saber quanto ganha um vereador em Araguari). Tal benesse com o chapéu alheio eleva os gastos mensais por vereador a, no mínimo, R$ 13.600,00. Isso é um tapa na cara dos demais assalariados araguarinos, cuja renda mensal per capta, com certeza, não ultrapassa a casa dos R$ 1.000,00.
Quarto, esse pagamento de assessores, da forma como previsto, abre oportunidades para a ocorrência de fraudes. Para ficar só num exemplo, é perfeitamente possível que o vereador declare estar pagando R$2.000,00 a um assessor quando, de fato, este recebe só R$ 1.000,00, repassando a diferença ao seu chefe. Isso pode parecer exagero de minha parte, mas há pouco mais de dois meses, um comissionado de um dos Gabinetes da Câmara assustou-se ao descobrir que o valor declarado como sendo o seu salário para fins de incidência da contribuição previdenciária era bem maior que o valor que ele efetivamente recebia. Aonde foi parar essa diferença?!
Em suma, são essas algumas das preocupações iniciais com o teor dessa proposta. Faz-se necessário que a questão seja amplamente discutida com os diversos segmentos sociais, a fim de que a população, que é quem faz o cheque, não seja lesada mais uma vez.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Nova Obama?!

Fonte: www.comentando.blogspot.com

Curtas

Tal pai tal mãe do PAC
Dilma tem tudo para substituir Lula à altura. Até a amnésia e a cegueira seletivas do chefe ela já adquiriu. Não se lembrava da existência de dossiê contra os Tucanos e, agora, não se lembra de ter participado de uma reunião na qual "solicitou" a Lina Vieira, ex-Secretária da Receita Federal, que acelerasse as investigações nas empresas da família Sarney. Começa assim, depois, recobrando parte da memória, ela irá dizer que houve a tal reunião, mas que esse tema não foi tratado.

A droga corre solta em Araguari
É preocupante a forma como a droga vem tomando conta da cidade. Praticamente, em todos os bairros existem bocas-de-fumo. Todos sabem onde é e quem trafica, mas pouquíssimos possuem coragem de denunciar. Vi situação semelhante no Rio de Janeiro, no começo da década de oitenta. Deu no que deu....

Mudança de hábito?
Interessante a preocupação ambiental da cidade no "Caso dos Eucaliptos". Pena que o município não teve e não tem o mesmo cuidado com o tratamento dos esgotos, por exemplo. O Rio Jordão vem pagando o pato pelas nossas históricas irresponsabilidade e incompetência. Isso para não falar das nascentes no entorno do Córrego Brejo Alegre, que foram caladas pela especulação imobiliária e pela total falta de planejamento urbanístico e ambiental.

A propósito...
Somente peixes pequenos foram sacrificados no "Caso dos Eucaliptos". Isso me faz lembrar das podridões candangas. Há alguns anos, atribuía-se a um tal de "superioríssimo", nunca identificado formalmente, a responsabilidade por irregularidades (crimes contra a Administração Pública, na verdade). Pois é, de forma idêntica, parece que, em Araguari, há um "superioríssimo" intocável.

Surpresa
Ao que tudo indica, o Ministério Público ingressará no Comitê Municipal de Mobilização no Combate à Influenza A (H1N1). Isso é surpreendente em se tratando de uma instituição representada, em Araguari, por alguns membros que costumam enfiar a cabeça no chão para não ver problemas igualmente relevantes para a cidade, tais como: irregularidades na contratação de servidores; fuga à licitação em diversos contratos da Prefeitura, falhas na construção e demora na entrada em funcionamento do Hospital Municipal, e degradação do Rio Jordão.

Roupa suja mal lavada
Não está bem explicado o episódio da não-inscrição tempestiva de jogadores pela Raposa do Bosque no Campeonato Mineiro da Segunda Divisão. Informações lançadas no site do clube (www.fluminesearaguari.com.br) nos dão conta da existência de severas divergências entre diretores do Tricolor.

sábado, 15 de agosto de 2009

Nnguém quer ser fiscalizado

Sociedade civil rejeita veto ao projeto pela transparência na Câmara em BH
Vereadores rejeitaram proposta na última quinta-feira no que parece ser mais uma briga de interesses políticos
Joana Gontijo - Portal Uai

Na última quinta-feira, os vereadores de Belo Horizonte enterraram o projeto de lei para tornar obrigatória a transparência nas contas e informações públicas dos poderes Legislativo e Executivo municipais. Aprovada em primeiro turno, a proposta que regulamentaria o detalhamento de dados financeiros e administrativos (como número de funcionários, evolução das carreiras, despesas com terceirização e consultoria, verbas indenizatórias, salários), expondo as atitudes de cada vereador através da divulgação de presença e resultado de votações, não passou pela segunda apreciação, devido ao grande número de abstenções e ausências.

Alguns dos parlamentares que se pronunciaram depois do processo atribuíram à guerra pela paternidade da proposta (que poderia ser interesse para gerar lucros eleitorais) um dos motivos que derrubaram o projeto. Outros, que se abstiveram de votar, mas se dizem favoráveis à transparência, acusaram o PT de querer tirar proveito ao assinar a medida, mesmo porque já existe lei federal que determina a abertura dos dados públicos. Entre os 16 vereadores que votaram a favor, muitos que já abrem suas contas na Internet, há quem continue acreditando na transparência, independente de lei.

Entre tantas explicações, a sociedade civil se organizou para cobrar a volta da discussão e a possível retomada do projeto. O movimento Nossa BH apoia a iniciativa de institucionalização da transparência na Câmara Municipal de Belo Horizonte e lamenta sobre a forma como o processo de votação foi conduzido. “A sociedade quer a transparência porque se trata dos nossos interesses, enquanto contribuintes. Quando uma instituição é transparente, significa que está aberta à participação efetiva do povo, e quando se esconde fica distante. Foi isso que os vereadores demonstraram: que eles estão surdos ao clamor da sociedade, de que se abram para todos”, argumenta o membro do grupo de trabalho de acompanhamento do Legislativo, o movimento Nossa BH, Bruno Brandão.

Na opinião de Bruno, a derrubada da proposta aconteceu por meros interesses políticos e eleitoreiros, no que parece ser uma briga pela autoria do projeto como forma de angariar votos, já que, na sexta-feira (um dia depois da recusa), os próprios vereadores começaram a colher assinaturas para reapresentá-lo. “Os vereadores têm que saber que esses projeto não é desse ou daquele partido, mas sim um interesse maior da sociedade. Se eles vão voltar com a proposta, porque a derrubaram primeiro? Isso é falta de compromisso”, continua.

O Nossa BH já está repercutindo a situação através das lideranças que envolvem diversos segmentos sociais em BH, e vai acompanhar a agenda de tramitação para que, dessa vez, o texto seja aprovado com celeridade. “Mostramos que estamos atentos. Vamos pressionar, inclusive enchendo as galerias da Câmara”, completa Bruno Brandão.


A matéria completa pode ser vista em http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_3/2009/08/15/em_noticia_interna,id_sessao=3&id_noticia=123114/em_noticia_interna.shtml

Pitaco do Blog
É impressionante como a fiscalização incomoda os nossos representantes. Não era para ser assim. A transparência e a boa governança deveriam ser regras, uma vez que o dinheiro público não pertence aos nossos mandatários. Na verdade, eles são meros procuradores a quem atribuimos o poder de gerir a coisa pública.
Assim, o que aconteceu em Belo Horizonte não é exceção. Traduz, isto sim, uma realidade presente no dia-a-dia da grande maioria dos municípios brasileiros.
Daí, a pergunta que não quer calar: quando é que os Poderes Executivo e Legislativo de Araguari serão, minimamente, transparentes em seus atos?
Voltarei outras vezes ao tema e cobrarei, insistentemente, uma mudança de postura dos nossos agentes públicos.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Pai inventa "sanduíches-esculturas" para fazer o filho comer melhor




Mark Northeast, um webdesigner de 36 anos, percebeu que seu filho de 4 anos "devorava" sem problemas legumes, verduras e carnes se eles viessem servidos em sanduíches em forma de animais ou personagens de desenhos animados.

"Meus amigos então começaram a me incentivar a transformar a ideia em uma ferramenta para ajudar pais e filhos a se divertir na hora de comer e a experimentar mais ingredientes diferentes", disse ele à BBC Brasil.

Nesta semana, ele aceitou uma proposta para publicar um livro com suas criações, e pretende estender sua marca, Funky Lunch, a produtos como lancheiras e aventais.

"Também pretendo começar a trabalhar em criações que incentivem um café da manhã e um jantar mais divertidos", contou.

Crianças "enjoadas"
Para Northeast, ter de inventar comidas para agradar as crianças não deve fazer com que elas fiquem cada vez mais "enjoadas" para comer.

"A prova é que funcionou com meu filho. Ele hoje come tomate, por exemplo, que era algo que ele não comia", afirmou.

Ele reconhece que nem sempre os pais têm tempo e paciência para "inventar". "Mas espero que eles possam se inspirar no meu trabalho e usar a ideia de maneira positiva para garantir que as crianças façam refeições variadas e saudáveis", disse.

Fonte: http://entretenimento.uol.com.br/ultnot/bbc/2009/08/14/ult2242u1938.jhtm
Quem quiser conhecer outros tipos de sanduíches, confira em http://entretenimento.uol.com.br/album/bbc/sanduiche_escultura_album.jhtm#fotoNav=1

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Marina Silva, Vice de Serra?!

O jornalista Cláudio Humberto, em seu blog (www.claudiohumberto.com.br), noticia a intenção do virtual candidato à Presidência da República José Serra ter a senadors Marina Silva como candidata a vice-presidente na sua chapa.
Vejam:

José Serra quer Marina Silva como vice

O governador tucano de São Paulo, José Serra, articula com o Partido Verde a possibilidade de a senadora Marina Silva (AC) compor sua chapa, como candidata a vice-presidente, caso ela se filie mesmo ao PV. A aliança PSDB-PV chegou a ser discutida há meses, com Fernando Gabeira de vice, mas o sonho de Serra era ter alguém como Marina: mulher, negra, de origem pobre e heroína da causa ambiental.

Marcos Alvim toma posse na Prominas



A Secretária de Estado de Turismo de Minas Gerais, Érica Drumond, empossou hoje, no Minascentro, o novo presidente da Companhia Mineira de Promoções, Marcos Alvim. Estiveram presentes à solenidade o vice-governador de Minas Gerais, Antonio Augusto Anastasia, e diversas lideranças do setor turístico mineiro.

A Prominas é vinculada ao sistema operacional da Secretaria de Estado de Turismo e administra os Centros de Exposições e Feiras (Expominas) de Belo Horizonte, Araxá e Juiz de Fora e o Minascentro, na capital.

Marcos Antônio Alvim, mineiro de Cascalho Rico, graduou-se em Psicologia pela Universidade de Uberaba, em 1985. Em 2000, entrou para a vida pública. Foi prefeito de Araguari por dois mandados (2001 a 2008). Além disso, foi vice-presidente da Associação Mineira de Municípios, (2005 a 2008).

O novo diretor-presidente da Prominas afirmou que assume a companhia com o objetivo de dar maior competitividade e eficiência à companhia. Além disso, por meio do aumento do número de eventos no setor, objetiva estimular a geração de emprego, trabalho e renda.

Informações extraídas do sítio eletrônico da Secretaria de Estado de Turismo: www.turismo.mg.gov.br

Pitacos do Blog: A turma do Jubão irá dizer que o cargo de diretor-presidente da Prominas é irrelevante, equivalente a um cemitério de políticos.
Por sua vez, a turma do ex-prefeito irá se vangloriar, afirmando que Alvim é pessoa de confiança do Governador Aécio Neves e que, por isso, assumiu um cargo importante no governo de Minas. Deixando de lado (ou jogando no lixo) as discussões paroquiais, o importante, agora, é saber o que o ex-prefeito poderá fazer por Araguari, cidade com potencial turístico pouco explorado. Cá entre nós, já passou da hora de os políticos araguarinos pararem com essas brigas pela paternidade dos parcos benefícios que a cidade recebe. Araguari necessita de paz e não de pais.

Cinco municípios suspendem as aulas

A exemplo de Uberlândia, as aulas na rede pública estadual, municipal e particular das cidades de Araguari, Prata, Campina Verde, Tupaciguara e Indianópolis também serão suspensas a partir de hoje, seguindo as mesmas recomendações do Comitê Municipal de Enfrentamento à Influenza A (H1N1). Segundo a superintendente regional de ensino de Uberlândia, Joyce de Fátima Magnini, a Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais havia autorizado o reinício das aulas no dia 10 de agosto, mas cada um dos 9 municípios que fazem parte da Superintendência Regional de Ensino (SRE) está optando por seguir o exemplo adotado em Uberlândia. “Esta não é uma decisão da nossa superintendência, mas sim algo decidido pela Prefeitura de cada cidade”, disse.

Apenas os municípios de Araporã, Monte Alegre e Nova Ponte, que fazem parte da SRE de Uberlândia, ainda não definiram se suspendem ou não as aulas. Em Araguari, as aulas do Sesi e Senai também estão temporariamente suspensas a partir de hoje. Em Campina Verde, as aulas foram suspensas até o dia 24 de agosto para que todos os professores e diretores recebam as orientações corretas da prevenção para repassá-las aos alunos. Além das aulas, outros eventos, como a Semana da Família, realizada pela igreja católica, também foram suspensos.

Fonte: http://www.correiodeuberlandia.com.br/texto/2009/08/13/39398/pmu_estuda_concentrar_atendimento.html

Todos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros

Interessante notícia publicada no Correio Braziliense de hoje (http://www.correiobraziliense.com.br/impresso/ ) nos dá conta de que os nossos nobres Deputados Federais estão tentando burlar a fila de distribuição do remédio Tamiflu, usado no combate à gripe suína. Se não fosse trágico, seria até engraçado o pedido, uma vez que justamente aqueles que têm espírito de porco é que estão querendo fugir da gripe suína.
Vejam:

Câmara tenta furar fila

Deputados pedem 1.500 kits de Tamiflu, mas Secretaria de Saúde local avisa que não vai liberar

Rodrigo Couto

Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press
Agora, com a gripe, a Câmara pede que os turistas lavem as mãos ou utilizem o álcool antes das visitas guiadas


Com medo da Influenza A (H1N1), mais conhecida como gripe suína, a Câmara dos Deputados decidiu pedir 1,5 mil kits de tratamento do Tamiflu (fosfato de oseltamivir) — remédio indicado para o tratamento da doença — ao Ministério da Saúde. A solicitação foi entregue pessoalmente ao ministro José Gomes Temporão pelo presidente da Casa, deputado Michel Temer (PMDB), na terça-feira, durante a comissão geral que debateu a nova gripe. Procurada pelo Correio, a pasta informa que recebeu o pedido da Câmara. No entanto, esclarece que é de responsabilidade das secretarias dos estados e do Distrito Federal a distribuição do fármaco.

Em ofício entregue ao ministro da Saúde, a Câmara argumenta que a grande circulação de visitantes de todo o país e do exterior, além dos funcionários, que chega a ultrapassar a marca de 26 mil pessoas por mês, é um fator que faz da Casa um local suscetível à nova gripe. “Antes desse pedido, instalamos 60 dispensers com álcool em gel pelos corredores, incluindo os plenários e o salão verde, e passamos a oferecer informações sobre a doença aos nossos visitantes”, disse Rômulo Lima, coordenador de Administração de Edifícios da Câmara.

Apesar de a assessoria de imprensa da Câmara dizer que o Governo do Distrito Federal (GDF) vai repassar os kits de Tamiflu, a Secretaria de Saúde do DF adiantou que não houve qualquer pedido e que o remédio não será entregue à Casa. A assessoria do órgão salientou ainda que o medicamento será distribuído apenas aos pacientes que se enquadrarem no protocolo do Ministério da Saúde — febre igual ou superior a 38º, tosse, dores de garganta e muscular. Ainda de acordo com a secretaria, o fármaco não vai ser remetido a nenhum órgão, seja qual for.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Resgatando a história.



















Quero enaltecer o trabalho da pesquisadora Teresa Cristina de Paiva Montes Cunha, parte dele reproduzido no seu blog http://teresacriscunha.blogspot.com/ .
Em especial, quero render-lhe homenagem pela preocupação em preservar a história de Araguari e de sua gente. Destaca-se, nessa linha, a recente matéria sobre o nosso saudoso Mário Nunes, grande araguarino que, valendo-se do seu carisma, competência e talento, divulgou, como ninguém, o nome da nossa cidade em todo o território nacional.
Nessa postagem (http://teresacriscunha.blogspot.com/2009/07/os-mil-e-um-mario-nunes.html), a autora já nos brinda com interessantes histórias do mestre Mário Nunes. Com certeza, do seu trabalho de garimpagem brotarão outras tantas passagens interessantes da vida do maior desabotoador de camisas deste planeta. Afinal, a vida do Mário é um belíssimo livro. São histórias e mais histórias que necessitam ser eternizadas.
Por fim, acredito que uma das grandes virtudes do Mário foi a de incutir nas pessoas a consciência da necessidade de se amar e preservar a história e a cultura de uma cidade. Nesse ponto, encontra-se, também, uma das características da pesquisadora Teresa Cristina, que, tal qual o mestre de todos nós, vem batalhando para manter viva a bela história da nossa cidade a partir do resgate da trajetória dos nossos antepassados. Como ela mesma diz, "registrar a história é o primeiro passo para entendermos o passado e através de sua experiência, vivermos o presente e planejarmos o futuro.". Parabéns!

Existe político honesto?

Acredito que o maior pecado que podemos cometer é a generalização apressada. Assim, mesmo sendo dificil a tarefa de encontrar um político honesto, não podemos generalizar, afirmando que todos são iguais (ou seja, não prestam).
Embora não se cuidando da realidade araguarina, trago uma comparação dos gastos dos deputados distritais com a denonimada verba indenizatória nos anos de 2007, 2008 e 2009 (1º trimestre). Tal verba, convém frisar, destina-se a custear as depesas dos parlamentares com combustíveis, assessorias especiais e divulgação da atividade parlamentar. Pelo exame desses gastos, vê-se que um deputado gastou menos de 10% do que foi consumido pelo lider da gastança. Como isso é possível? Se um deputado conseguiu desempenhar bem o seu mandato gastando tão pouco, por que os demais não podem fazê-lo? Quais os critérios para comprovação desses gastos?
Embora não reflita, necessariamente, o que ocorre em Araguari, o tema é interessante, na medida em que, na nossa cidade, sequer é feita essa prestação de contas dos gastos dos vereadores. Não sou eu o autor dessa afirmação. O Vereador Werley Macedo cobrou da Presidente da Câmara a prestação de contas dos recursos geridos pela Casa. Também, o juiz aposentado e articulista Dr. Rogério Fernal já teceu considerações sobre essa ausência de transparência dos gastos do Legislativo araguarino.
Voltaremos ao tema. Por ora, reproduzo os gastos dos deputados distritais, para que cada extraia suas conclusões sobre o assunto:
Veja quanto cada deputado gastou com verba
indenizatória (2007 + 2008 + 1º semestre de 2009)
Distrital Total
Wilson Lima (PR) R$ 336.310,72
Batista das Cooperativas (PRP) R$ 334.337,94
Junior Brunelli (DEM) R$ 332.160,00
Bispo Renato (PR)/Agnaldo de Jesus (PRB) R$ 330.023,59
Paulo Roriz (DEM)/Geraldo Naves (DEM) R$ 327.701,03
Leonardo Prudente (DEM) R$ 327.039,41
Eurides Brito (PMDB) R$ 325.352,60
Dr. Charles (PTB) R$ 322.289,94
Paulo Tadeu (PT) R$ 320.730,80
Jaqueline Roriz (PSDB) R$ 320.281,69
Benício Tavares (PMDB) R$ 315.017,80
Raad Massouh/Eliana Pedrosa R$ 314.074,01
Raimundo Ribeiro (PSL)/Luzia de Paula (PSL) R$ 310.720,01
Cabo Patrício (PT) R$ 305.766,77
Cristiano Araújo (PTB) R$ 298.758,57
Alirio Neto/Claudio Abrantes (PPS) R$ 295.506,15
Rogério Ulysses (PSB) R$ 293.135,58
Pedro do Ovo (PMN)/Aylton Gomes (PMN) R$ 285.944,96
Benedito Domingos (PP)/Berinaldo Pontes (PP) R$ 280.440,45
Erika Kokay (PT) R$ 276.355,26
Chico Leite (PT) R$ 264.832,40
Roberto Lucena (PMDB)/Roney Nemer (PMDB) R$ 257.291,01
Miltom Barbosa (PSDB) R$ 44.387,10
José Antônio Reguffe (PDT) R$ 26.136,61

Suicídio Parlamentar

A propósito do texto Ranhuras na democracia, belo desabafo da Marília Alves Cunha no Blog do Aloísio (http://portaldearaguari.blogspot.com/2009/08/ranhuras-na-democracia.html), reproduzo abaixo fragmentos de um artigo escrito pelo Dr. Saulo Ramos na Revista Advogado, da Associação dos Advogados de São Paulo. Apesar de ser um texto jurídico, Entortaram o Estado de Direito caracteriza-se, também, por ser uma espécie de desabafo do autor contra a falta de independência e de ética do Poder Legislativo Federal.
Mesmo correndo o risco de não transcrever partes fundamentais do artigo, penso que os trechos abaixo traduzem, com fidelidade, o pensamento do autor:

Promulgada a Constituição em 1988, o povo brasileiro esperava soluções fundamentais para o novo Estado de Direito: governos honestos, comprometidos com a ética e a moral (art. 37), e democracia com absoluta independência dos poderes (art. 2º), de forma que o Legislativo, livre do jugo do Executivo, pudesse cumprir seus deveres, antes amordaçados pela Ditadura que o transformou numa caricata assembleia da ladainha dos “améns”. Acabou o regime totalitário, escancarou-se a porta para todas as esperanças.

A Lei Maior, que nasceu com 315 artigos, 946 incisos, 596 parágrafos, 203 alíneas, dependia da edição, pelo Legislativo, de 248 leis ordinárias e 41 leis complementares, as chamadas normas de concreção, para possibilitar funcionamento pleno da sonhada conquista democrática. Trabalho imenso e sério. Depois de promulgada a Constituição dos Estados Unidos, Thomas Jefferson declarou que as leis passariam a ser elaboradas pelos melhores homens da sociedade americana. Não estou seguro de que isso aconteceu lá, mas, com certeza, aqui não aconteceu depois da Constituição de 1988. Aquelas esperanças, escancaradas pela porta das liberdades, morreram.

Tanto os governos que se seguiram à promulgação da Constituição brasileira de 1988 como as legislaturas tornaram-se completa decepção se analisados sob o ponto de vista da disposição de trabalhar e de legislar bem. (...)

O que ocorreu nesses 20 anos? Nos Governos Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique e Lula, a austeridade ética foi minada, desrespeitada, violentada, transformada em matéria declamatória, mas banida da prática administrativa e política na União, nos Estados e nos Municípios. Restaram exceções raras, que poderão servir de sementes para o futuro. O presente já está estragado e de tal forma que não provoca reações do povo, tomado por uma indiferença patética semelhante a estátuas de museu. O assustador silêncio dos bons. Ou pior ainda: a indiferença dos descrentes.

2. Emendas constitucionais quase todas do Executivo

Não estou escrevendo um crítico comentário meramente político. Escrevo um lamento profundo. Chamo a atenção para essa tragédia moral porque acabou por desfigurar o próprio Estado de Direito ao voltar a reduzir o Poder Legislativo ao nada que era durante a Ditadura Militar.

Se examinarmos as 56 emendas constitucionais promulgadas nesses 20 anos, verificamos que apenas algumas vieram para corrigir erros crassos, como, dentre outros, aqueles de juros no Texto Constitucional, garimpeiro na ordem econômica, empresa brasileira de capital nacional e Tribunal como paciente de habeas corpus.

A grande maioria das emendas foi obra do Poder Executivo para fortalecer-se e desequilibrar a independência dos Poderes. Incrível como o Poder Legislativo aceitou pacificamente esse avanço truculento do Executivo sobre o Princípio Fundamental do Estado de Direito. O art. 2º da Constituição, inserto nos Princípios Fundamentais pela Constituinte de 1988, está derrogado na prática. Não há mais independência dos Poderes. Restou apenas harmonia entre os poderosos.

O Executivo voltou a dominar o Congresso Nacional exatamente como no tempo da Ditadura Militar. Não utiliza força ou cassação de mandatos, mas obtém o mesmo efeito por meio de persuasões políticas inconfessáveis, mensalão, empregos, cargos, diretorias de estatais, criação de ministérios com um número imensurável de sinecuras e de vagas preenchidas por nomeações de cabos eleitorais sem nenhum critério técnico. Estabeleceu-se entre esses dois Poderes um mercado de subornos recíprocos, um balcão de trocas de vantagens. Foram transformados em poderes sem pudores. Parlamentares, no sistema presidencialista de governo, são nomeados Ministros de Estado, ou eles próprios negociam sua adesão ao Executivo mediante concessão de empregos e cargos aos seus corretores eleitorais. Essa forma de cooptação dos mandatários passou a ser chamada de “base”. Não há mais legisladores ou fiscais do Executivo. Há os baseados. Cargos e verbas estupefacientes que alucinam. Deputados e Senadores empenhados e penhorados para vencer as próximas eleições e voltar aos cargos e aos negócios, viagens ao exterior para amigos, parentes e amantes, facilitação em licitações de obras. Castelos medievais nas veredas das Gerais, farra das passagens aéreas que merecem passagem pela polícia. A Administração Pública, em todos os níveis de governo, está infestada de elementos eleitoreiros, sem competência técnica, sem cultura e sem instrução para comandar as soluções dos problemas nacionais, estaduais e municipais.

Aquilo que se via na Ditadura, sargentos, tenentes, capitães, coronéis, instalados em funções civis, foi substituído por ex-sindicalistas, falsos líderes de comunidades urbanas, invasores de áreas rurais, desde que assegurem dividendos eleitorais. Invariavelmente são nomeados por indicação dos partidos políticos da base governamental, o que transformou Senadores, Deputados, Vereadores em dóceis acionistas do Poder Executivo para aprovarem qualquer proposição das assembleias gerais dessas associações, chamadas de parlamentos, onde, além de turismo com o dinheiro público, chegou-se à desfaçatez de pagar-se empregadas domésticas com verba de gabinete ou de usá-las para compor sociedades fictícias para receber comissões. Essa degradação fez a democracia brasileira perder um dos seus fundamentos basilares: a independência do Poder Legislativo. Em consequência, perde a legitimidade e o respeito do povo, que, a cada dia, passa a endeusar os Chefes do Executivo, transformados em monarcas temporários e só não ungidos pelo absolutismo em razão do Judiciário e da imprensa livre.

3. Suicídio parlamentar

Os próprios parlamentares, por mais incrível que pareça, colaboram para o avanço do Executivo contra eles. O sonhado sistema de pesos e contrapesos foi transformado na politicalha dos grampos e contragrampos, jamais imaginado por Montesquieu.

Por meio de sucessivas emendas de iniciativa do Executivo, promoveu-se uma verdadeira reforma constitucional que levou o Brasil de volta a um tipo de ditadura institucionalizada. Fizeram, no nosso Direito Constitucional, tantos estragos quanto os terroristas de Bin Laden nas Torres Gêmeas de Nova York. (...)

domingo, 9 de agosto de 2009

Curtas

Sobrou para o marisco...
Na briga entre a motosserra e o eucalipto, quem levou a pior foi o Amendoim...

Tá chegando a hora....

Daqui a aproximadamente 100 dias Araguari terá o seu hospital municipal em funcionamento. Até lá, não convém ficar doente...

Ética médica

Será que essa matéria foi expulsa dos currículos das faculdades de Medicina?! Pelo comportamento de alguns profissionais médicos, parece que sim. Em Araguari, conforme apregoado pelo jornalista Carlos Machado, pratica-se a política de saúde do "quanto pior, melhor". Traduzindo: os médicos atendem mal no serviço público para captar a clientela desesperada para os seus consultórios particulares. Uma vergonha!

Are baba!!!

Sarney, ninguém te aguenta mais! Eu sei que você é imortal, mas isso não lhe assegura o direito à perpetuidade na direção do Senado... Como diz o Capitão Nascimento, do BOPE, pede pra sair!

Viva a sujeira!

A coisa anda tão feia para o lado da moralidade que até os poucos senadores sérios já estão desistindo de bater no moribundo de fogo, afinal quem briga com porco acaba colocando o pé na lama.

Derrotado antes de entrar em campo...

O que aconteceu com o Fluminense de Araguari? Sinceramente, não é possível entender como o clube, que se preparou com antecedência para a disputa da "Segundona", não conseguiu regularizar doze jogadores para a partida de estréia.

Quando a esmola é muita, até Nossa Senhora da Abadia desconfia...

Um grupo de vereadores da cidade montou uma barraca no caminho da cidade de Romaria com a alegada finalidade de apoiar os romeiros na caminhada até o Santuário de Nossa Senhora da Abadia. A ação pode até ser motivada pelas melhores intenções. Contudo, alguns aspectos dela são questionáveis. Primeiro, parece não ser essa a função dos vereadores, que deveriam "apenas" legislar e fiscalizar (o que eles fazem muito mal, diga-se de passagem). Segundo, não se sabe ao certo qual a fonte de recursos que banca esse tipo de serviço (seriam recursos públicos?). Terceiro, aparentemente há desvio de finalidade na ação, que me parece ser movida mais por interesses eleitoreiros do que, propriamente, por fins altruísticos.

Meu velho pai



Eu poderia tentar homenagear meu velho pai de várias formas. Nenhuma delas traduziria com precisão o orgulho que sinto por ser filho dele. Afinal, ao lado da dona Teresinha, eles construíram uma belo lar, alicerçado, sobretudo, em palavras e ações sempre corretas. Embora cheio de defeitos adquiridos mundo a fora, eu sempre procurei me espelhar nos exemplos de vida desses dois seres humanos especiais.

Faltando-me palavras para agradecê-lo, reproduzo aqui uma crônica do amigo Aristeu, que, seguindo meus passos, tornou-se um fã do senhor Antônio. Feliz dia dos Pais, senhor Antônio. Se Deus quiser, daqui a duas semanas, no seu aniversário de 80 anos, estarei fisicamente aí.


O PURGATÓRIO E O PARAÍSO


Cheguei a Araguari no dia três corrente, “ontonte”, para uma visita relâmpago. Meu pendrive carregava uma pequena imagem retirada do “Google Earth”, um site e programa sobrecarregado de tomadas aéreas dos satélites Landsat, Spot e Ikonos.

Este meu conhecimento é derivado de minha antiga atividade profissional – militar topógrafo.

As imagens dos satélites têm diferenças gritantes. O Landsat fotografa o planeta em tons de cinza, pouco se identifica visualmente os acidentes terrestres. Os rios são veios negros.

O Spot substitui os tons cinza por cores mais agradáveis, tornando possível visualizar estradas, matas, lavouras, sedes de fazendas e outros panoramas.

O satélite Ikonos, com sua órbita mais próxima e através de informações digitais modernas nos traz poses terrestres com uma resolução de setenta centímetros, por exemplo, dá pra se identificar qualquer objeto maior que um pneu de fusca. Pneu de fusca não é um exemplo clássico, mas foi a primeira coisa que eu vi de uma imagem desta e que me marcou - claro que o pneu estava no fusca ou então seria um pneu qualquer.

Minha intenção era pegar a imagem do pendrive e imprimi-la num cartaz, mas três informações erradas, de onde haveria um ploter araguarino, fizeram-me desistir da idéia! A visita era relâmpago.

Parei mesmo num estúdio fotográfico, na Marciano Santos com Teodolino, e mandei copiar. Atendimento muito bom ali. Consegui uma emulsão fotográfica de aproximadamente vinte por trinta, centímetros, daquele pedaço de chão. Se a visita não fosse corrida e eu aguardasse o dia seguinte, o laboratório, através da filial em Uberlândia, ampliaria para o dobro, mas dava pra enganar o Seu Antonio.

Seu Antonio é gente sistemática de Araguari. Este “sistemática” é uma palavra, digamos coletiva, e representa um conjunto de virtudes como honestidade, brio, simplicidade, sabedoria pertencentes a pessoas trabalhadoras.

Seu Antonio teimoso e dona Terezinha teimosa moram, ou teriam raízes, no bairro Goyaz, desde o tempo em que se escrevia assim. São teimosos, no bom sentido, de não quererem morar com os filhos e, por incrível que pareça, têm vergonha que os filhos os ajudem. Como se tudo que os filhos fossem não fosse fruto da dedicação deste casal. Como a inveja habita em mim, neste momento, veja o plágio, “queria ter uns pais assim”.

Assim que cheguei à porta ele estava na espreguiçadeira arquitetando alguma coisa, pois o semblante era arteiro. Saudei-o, “tirando um sarro” ou sacaneando, dos tempos modernos:

- Seu Antonio, o quê tanto fez pra merecer tal descanso?

- O meu pai trabalhou muito e eu não preciso trabalhar.

Ele é assim zombeteiro quando dão brecha e suas tiradas são clássicas de um trabalhador rural.

Imediatamente reclamou-me que o “filho distante” colocou todas as suas contas e de dona Terezinha para serem pagas diretamente no banco distante. Nem mais preocupação com cortes por atrasos, apesar de nunca ter atrasado, eles têm mais. Ir ao banco nunca mais. Como gastar a aposentaria? Os filhos não deixam... Se brincar eles vão devolver ao INSS. Quem planta, colhe, seu Antonio, na proporção bíblica cem por um.

Seu Antonio ainda é artífice da madeira. Digo que é o terceiro carpinteiro do planeta – os dois primeiros são José e Jesus! Como marceneiro, ele é outras infinidades de coisas, produziu a espreguiçadeira bem talhada, nota-se qualquer um o esmero do cara. Ela está acorrentada, pois os “amigos do alheio” levaram o restante do conjunto. Um casal de aposentados é como tirar doce de criança, mas seu Antonio é perigoso. Ele fez umas armadilhas por lá, homem do mato... Tem linha de pescador espalhada que, tropeçadas por desconhecidos, derrubam latas do telhado, calçada em falso que, caso não se pise bem no meio, ela manca e os ouvidos atentos percebem o visitante antes mesmo do soar da campainha. Eu só entro de mãos dadas com ele...

A foto que levei ao seu Antonio é das terrinhas em que foi criado juntamente com dez irmãos, ou seriam onze? Até hoje pertence à família, mas a geração urbana pouco se importa com aquelas paragens, só em férias e olhem lá.

Os olhos dele, após a colocação dos óculos, tiveram um brilho e pareceu-me que iriam regar os cílios. O senhor fortaleza iria produzir uma lágrima, mas um engolir em seco acabou por fabricar um sorriso, largo, satisfeito, saudoso, agradecido...

As terrinhas, o seu Paraíso, dão pouco mais de vinte hectares ou algo em torno de quatro e meio alqueires, linguagem de medida que eles conhecem. Sustentaram-se com apenas a metade das terras, pois a reserva natural é estupenda, quase a outra metade. Os herdeiros são muitos, pois são gerações abençoadas como a quantidade de grão da areia do deserto bíblico.

Ele mostrou-me uma mancha no meio do mato e, tal mancha, fora produzida por uma derrubada clandestina com participação até das máquinas do Batalhão.

O irresponsável quis indenizar o prejuízo, mas seu Antonio falou que era impossível repor a mata e a prova estava ali naquela foto quarenta anos depois.

As terras paradisíacas estão na barra, ou seja, confluência, do Rio Jordão com o córrego Taquaral, abaixo de Amanhece.

Seu Antonio ensinou-me que a localidade tem tal nome devido a uns padres que pregavam na zona rural. Eles, como Jesus em lombo de um burro, iam pelos lugarejos batizando, casando, escomungando e, só lá chegavam, ao amanhecer do dia de domingo.

O título desta crônica está explicado pela metade. A outra metade, o Purgatório, refere-se aos caminhos que se deve tomar para lá chegar. O caminho do Céu é estreito e piramba. Pirambeira é a palavra que se encaixa. Você desce com certeza, mas não sabe se volta e, caso volte, o tempo é mais que o dobro.

Quando lá fomos, inclusive pra atrasar mais ou emocionar a aventura, uma chuva e um pneu furado fizeram-se presentes, além de dois candidatos a mentirosos que insistiam em querer pescar. Acho que só pegariam alguma coisa na piracema. Tão experientes eles que se os deixássemos na beira de uma poça de chuva eles espetariam a minhoca.

Foram doze quilômetros de estrada ruim com seriemas rindo de nós acrescidos de mais duas léguas de asfalto de primeira grandeza e última geração.

Seu Antonio fazia este caminho de bicicleta. Ela ainda está lá encostada junto à marcenaria. Acho prudente que se dê um fim à bicicleta antes que seu Antonio, inspirado na foto, monte na mesma e pedale em busca de sua verdadeira e inesquecível morada.

Além da idade que não colabora muito, seu Antonio ostenta no peito um coração cicatrizado por bisturi. O coração é grande demais e, um tanto convencido, acho que tenho um pedacinho lá.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

A ficha ainda não caiu.

ELIO GASPARI
Renuncie, homem. Aqui somos três a pedi-lo. Eu, o Milton Campos e o Pedro Aleixo, três amigos, velhos companheiros a quem você admirava com sorriso encantado quando chegou à Câmara, em 1959, aos 29 anos. Todos três passamos por momentos em que nos enganamos quando as circunstâncias se confundiram com a existência. Na renúncia do Jânio eu era ministro das Relações Exteriores e deveria ter defendido, desde o primeiro momento, a posse do doutor João Goulart. Em 1964, diante dos primeiros casos comprovados de tortura, o Milton deveria ter renunciado ao Ministério da Justiça. O Pedro Aleixo reconhece que naquela reunião que editou o AI-5 ele devia ter devolvido a vice-presidência. Um ano depois, apearam-no. Nos três casos, as circunstâncias indicavam que devíamos fazer o que fizemos. Confundidos, pensávamos que não havia opção melhor. Você sabe que a modéstia nunca foi um dos meus atributos: não percebemos quão grandes éramos. Com justos motivos você avalia suas opções levando em conta o que diz o presidente Lula, o apoio do senador Renan Calheiros e até mesmo a agressiva defesa representada por Fernando Collor. Você pensa até no PMDB. Tudo circunstancial. Em 1988 Lula te chamou de "incapaz" cinco vezes em 43 segundos. O que haveria de pensar o jovem José Sarney se visse a mim, ao Milton e ao Pedro almoçando no Bife de Ouro com o Tenório Cavalcanti e o Amaral Neto? Claro que pouca gente sabe quem são esses dois (nem estamos aqui para reapresentá-los). Assim como os jovens de hoje não lembram o que foi a UDN, os de amanhã não lembrarão o que foi o PMDB. Renuncie, homem. Saia desse contratempo e carregue seus penares. A crise é sua, mas, a esta altura, ela interessa aos outros. Ao Lula convém um Congresso desmoralizado. Aos aliados do PMDB interessa mostrar que têm os poderes dos embalsamadores. Fuja do sarcófago. Censurar jornal, José? Chantagear o Pedro Simon, Sarney? Esse não é nosso patrimônio. O presidente que ficou impassível enquanto seu ônibus era apedrejado e riscou com o traço da bonomia sua passagem pela vida pública, está se apedrejando. Orgulhamo-nos da tua alvorada. Não compartilhe o crepúsculo com os senadores Calheiros e Collor. O Antonio Carlos Magalhães diz que isso é feitiço de um certo Bita do Barão, com seus tambores de Codó. Milton Campos e Pedro Aleixo pediram-me que escrevesse porque insistem em lembrar a qualidade do meu discurso de 9 de agosto de 1954. Até hoje sofro por esse ataque ao Getúlio Vargas. Não que devesse poupá-lo, mas padeço pelo que sucedeu quinze dias depois. (Ele evita encontrar comigo, nunca me dirigiu a palavra e na chegada do D. Hélder Câmara negou-me a mão.) Sei que você memorizou trechos dessa fala e sei que você jamais viu malícia na minha alma. Como o Pedro e o Milton insistiram ao ponto da impertinência, repito-me: "Senhor presidente Getúlio Vargas, eu lhe falo como presidente (...) tome afinal aquela deliberação, que é a última que um presidente, na sua situação, pode tomar. (...) E eu falo ao homem Getúlio Vargas e lhe digo: lembre-se da glória de sua terra (...) lembre-se homem, pelos pequeninos, pelos humilhados, pelos operários, pelos poetas."
Com as recomendações de Annah e os votos pela recuperação de Marly, deixa-lhe um abraço e a certeza da amizade, o seu,
Afonso.
Texto publicado no Globo de 5.8.09, disponível em http://oglobo.globo.com/pais/moreno/posts/2009/08/05/de-arinos-edu-para-sarney-gov-211357.asp

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Como se faz imprensa

Da coluna de Luciano Beregeno, do Gazeta do Triângulo (http://www.gazetadotriangulo.com.br/gazeta/index.php?option=com_content&task=view&id=9250&Itemid=42), extraio um ensinamento que não deveria ficar circunscrito ao âmbito daquele jornal. Deveria ir além, ensinando a todos os jornalistas da cidade como se faz uma verdadeira imprensa. A propósito, esta frase serve como um puxão de orelhas a quem desvirtua o uso da imprensa em Araguari. A carapuça serve perfeitamente para outros jornais e certas emissoras de rádio da cidade...

“A Gazeta não vai permitir que estranhos ao poder instalem tentáculos em todos os segmentos da administração municipal. É nosso trabalho sermos vigilantes e zelar pelo estrito cumprimento do respeito à coisa pública. Investiguem, apurem e chequem. O que estiver obscuro, tragam à luz da verdade.”
Darli Amaral, diretor-presidente do grupo Gazeta, em reunião com editores dos veículos do grupo, sobre as tensões do Caso dos Eucaliptos.



Tem muita lenha prá queimar ainda.


O Caso dos Eucaliptos rendeu, mas ainda tem lenha para ser queimada.
Consta que a Prefeitura (alguns agentes em nome dela) autorizou o corte de árvores na antiga Granja Mauá, pertencente à municipalidade, "doando" a madeira à empreiteira responsável pelo corte como "pagamento" por serviços supostamente prestados ao município.
Cabeças já rolaram, mas o caso não pode terminar aí. Além dessa espécie de "responsabilização" política caracterizada pela exoneração de alguns comissionados (não de todos os envolvidos), as investigações necessitam ir além para que seja efetivamente apurada, nas instâncias próprias, a ocorrência, entre outras, das seguintes irregularidades:
- autorização para corte de árvores em área supostamente vedada (crime ambiental?);
- burla aos procedimentos de realização de despesa pública;
- descumprimento de contrato (se é que existe) caracterizado pela realização de serviços não previstos e, o pior, pagos por forma não prevista nem legal nem contratualmente;
- possível discrepância entre o valor devido pelo município e o valor da madeira dada em pagamento (dependendo do apurado, a empreiteira pode ter experimentado um ganho indevido).
A propósito, reportando-me a entrevista dada pelo advogado da empreiteira a uma emissora de rádio da cidade, não posso concordar com a afirmação feita por ele no sentido de que a empresa não tem responsabilidade alguma, na medida em que apenas realizou o que foi determinado pela Prefeitura. Ora, bem sabemos, que ordem errada não se cumpre. Basta o município contratante determinar, que a contratada, levianamente, pratica um dano ambiental? Como a contratada realiza um serviço não previsto no contrato? A resposta a essas perguntas é importante, pois nós permitirá constatar, conforme o caso, que não existe uma efetiva fiscalização dos contratos e que os serviços pactuados podem não corresponder aos efetivamente prestados. Em outras palavras, as notas fiscais (a liquidação da despesa) podem ser "frias", traduzindo meras "químicas", ou seja, formalmente os serviços pagos podem não corresponder aos realizados (se é que foram realmente prestados).
Fotografia capturada de http://www.gazetadotriangulo.com.br/gazeta/index.php?option=com_content&task=view&id=9236&Itemid=29